<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185</id><updated>2012-02-16T18:14:56.939-03:00</updated><category term='Crônicas'/><category term='Música'/><category term='Poesia?'/><category term='Contos'/><category term='Trechos de Livros'/><category term='Poesia'/><category term='Artigos'/><category term='Cinema'/><category term='Literatura'/><category term='Odomirosidades'/><category term='Esportes'/><title type='text'>Blog do Dodô</title><subtitle type='html'>"...e o insensato quer tormenta,
como se nela houvesse paz!" Mikhail Lermontov</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>197</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-865234920530164059</id><published>2012-01-26T14:47:00.003-03:00</published><updated>2012-01-26T14:58:53.281-03:00</updated><title type='text'>O Quirguiz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CsBnJhGE1IM/TyGSgLj3VPI/AAAAAAAAAb0/8d6dqykrJKQ/s1600/100_1420.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-CsBnJhGE1IM/TyGSgLj3VPI/AAAAAAAAAb0/8d6dqykrJKQ/s400/100_1420.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701999684784444658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi meu último dia no Tartaristão. Partindo da casa de Masha para a estação de trem,  o tempo já era curto, mas Masha teve a ideia de que eu deveria comprar uma matriosha numa lojinha de souvenirs, pois em Kazan seria mais barato que em São Petersburgo. Estava um dia quente, uns 14 graus positivos, fazia sol e não tinha muitas nuvens no azul-claro tártaro. Compramos a matriosha e entrei no vagão da terceira classe (plazkard) com o trem já apitando a partida. Para minha sorte, o trem não estava lotado, das seis vagas da cabine, apenas três pessoas ocupavam: eu, um lutador de sambo (luta greco-romana) e um homem moreno, com a pele do rosto queimada do frio, olhos levemente puxados, era um quirguiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprimentei meus companheiros de viagem, afinal passaríamos 25 horas e meia, juntos, no trecho entre Kazan e Peter. O trem partiu às dez da manhã e eu não comprara cigarros, minha carteira de Marlboro Light só tinha mais duas unidades. Perguntei se algum dos companheiros tinha isqueiro. O lutador de sambo não fumava e o quirguiz tinha fósforos, e foi me fazer companhia no último compartimento do trem, donde se pode ver a estrada ficando pra trás. Enquanto fumávamos, mostrei minha preocupação que após aquele cigarro, só teria o último. O quirguiz me mostrou uma carteira de cigarros muito barato, cheinha.  Dentro de uma hora passei a me utilizar da sua carteira que, por cortesia, ele deixava em cima da sua mesa e me oferecia o tempo todo. O lutador de sambo pouco se comunicava, estava muito calado e pelas marcas no rosto, deveria ter lutado em Kazan dias atrás. Talvez tivera perdido a luta, estava com o rosto todo cortado. Não ousei perguntar muitas coisas, ele apenas disse que era de Tver e estava voltando pra casa, na cidade que fica no caminho entre Moscou e Petersburgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente, fui fumar com o quirguiz e passamos a conversar longamente. Ele ficava muito feliz em conversar comigo, dizia que era a primeira vez que via um brasileiro. Era a primeira vez que eu conversava com alguém do Quirguistão também. Durante os três meses em que fiquei no Tartaristão, tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas da Ásia Central: azeris, turcomenos, tadjiques e uzbeques, mas nenhum quirguiz. O Quirguistão é o mais pobre desses países pobres da Ásia Central. Ainda pagando o tributo de uma recente guerra civil, o país vive no caos, sendo habitado, em sua maioria, por mulheres, velhos e crianças, pois os homens adultos vão tentar a sorte noutros países, especialmente no vizinho Uzbequistão, um pouco mais organizado. Assim também acontecia com meu amigo, cujo nome diferente agora não me lembro, mas que deixou impressões fortes no meu espírito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu não tinha me preparado para a viagem, chegara em cima da hora, não tinha trazido lanches e, de início, tive que comprar o chá no próprio trem, por 12 rublos. Ao me ver pagar pelo chá, o quirguiz disse: não precisa, eu tenho bastante chá e pão preto, além de uns biscoitinhos doces. Eu prometi que tão breve o trem fizesse uma parada mais longa compraria tudo: chá, lanche e cigarro. Fomos fumar seu cigarro, pois o meu acabara. Era péssimo, tinha gosto de pólvora e era mais “quente” que o normal. O quirguiz me contou sua história: estava há três anos longe de casa, onde deixara esposa e três filhos numa aldeia e fora tentar a sorte em Bukhara, cidade uzbeque. Lá trabalhava como pedreiro, até que apareceu a chance de trabalhar como peão numa fábrica em Nizhnekamsk, perto de Naberezhnye Chelny, onde eu morei.  A fábrica ia de mal a pior e já fazia três meses que ele não recebia salário. Com o pouco dinheiro que recebia na Rússia, sustentava a família no Quirguistão. Gastava muito dinheiro com ligações telefônicas pra falar com os filhos e esposa. Eu escutava seu relato emocionado. Mas, a emoção desses homens das montanhas da Ásia Central são diferentes das nossas. Eles nem pensam em chorar, embora seus corações fiquem trêmulos de saudade. Desde cedo aprendem a ser fortes. Agora, estava indo para São Petersburgo, onde um amigo prometera-lhe um novo emprego na construção civil. Ele me perguntou se eu sentia falta da minha família, no Brasil. Disse-lhe que sim, mas que os via todos os dias pelo Skype, sem pagar um copeque por isso. Ele arregalou os olhos! Expliquei-lhe que havia um programa de computador que permitia conversar com as pessoas, vendo as imagens, inclusive. Ele se interessou demais pelo assunto, anotou os nomes e disse que tão breve recebesse o salário, compraria um computador e enviaria para a família. Mas, depois ele se entristeceu novamente, pois na aldeia quirguiz ainda não tinha internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos conversando longamente, falei-lhe do Brasil, de como nosso país é bonito, mas pobre também. Ele me falava das montanhas e desertos de sua terra. Quando o trem parou numa cidade da Tchuváshia, comprei cigarros, dei um Marlboro pra o meu amigo e comprei comida para uns três dias de viagem.  Logo o lutador de sambo entrou na conversa também, ele achava engraçado um brasileiro e um quirguiz conversando no mesmo vagão que ele, em russo, cheios de erros gramaticais. O lutador de sambo mostrou foto da namorada, falou da sua cidade, a famosa Tver, terra natal de Bakúnin e onde Dostoiévski viveu por seis meses, na volta da Sibéria. Às quatro da manhã, o lutador desceu em Tver, estava escuro ainda, eu via as luzes manchadas da cidade grande. Voltei a dormir. Quando acordei estava claro e o quirguiz estava na janela olhando a paisagem cheia de pântanos, lagos e rios. Era a certeza que estávamos chegando perto do destino, a capital de Pedro, o Grande. Quando o trem chegou ao destino final, tive vontade de abraça-lo, mas sabia que isso não seria correto para a cultura dele, apertei sua mão com força e desejei-lhe muita sorte na vida, saúde para si e sua família. As imagens do seu rosto, das nossas conversas, estão vivas em mim, e continuarei levando nas memórias daqueles meses inesquecíveis. Outro dia, caminhando perto da Praça Sennaya, na Avenida Staro Petergovskyi, observei um grupo de pessoas jogando futebol numa quadra, aproximei-me, disse que era brasileiro e gostaria de saber como poderia entrar pra jogar. Um quirguiz falou comigo, não era o mesmo do trem, mas disse: “ora, um brasileiro, você vai jogar no meu time na próxima partida!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-865234920530164059?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/865234920530164059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=865234920530164059&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/865234920530164059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/865234920530164059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2012/01/o-quirguiz.html' title='O Quirguiz'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CsBnJhGE1IM/TyGSgLj3VPI/AAAAAAAAAb0/8d6dqykrJKQ/s72-c/100_1420.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-8041896060004237691</id><published>2011-12-21T02:23:00.007-03:00</published><updated>2011-12-21T10:14:10.710-03:00</updated><title type='text'>2011, The Magic Year.</title><content type='html'>Todo fim de ano nos pegamos repetindo os mesmo rituais: uma análise do que se viveu e uma preparação para nossas aspirações de imortalidade. Nessa retrospectiva íntima, só posso agradecer ao que me aconteceu nesse ano que se finda. Consegui alcançar os objetivos profissionais que tracei, e tive, de bônus, algumas surpresas positivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente, nem todos os dias foram de segurança e felicidade, também não é isso o que almejo. Viver sem dor é não ter carne, e ainda não somos robôs. Perdi amigos em 2011, passei mais da metade do ano sem ter dinheiro para ir no cinema, tédio e enfado visitaram-me com frequência. Mas, o pulo do gato foi dado nesse ano que teima em avisar, ainda tenho dez dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último reveillon, estava na casa da família Perez, dos meus amigos-irmãos, Tiago e Hugo, quando à virada do calendário, pus-me a atacar os sonhos. Diante do mar quente de Itamaracá, decidi que iria viajar e que iria tentar a seleção de algum doutorado nalguma universidade brasileira. Eu que há tantos anos sonhava nas páginas de Tolstói e Dostoiévski, um dia sentir o cheiro da terra russa, tocar sua neve, escutar suas vozes, mesmo que por ecos distantes. Decidi-me que iria viajar para a terra dos meus escritores favoritos, nem que para isso vendesse tudo o que eu tivesse, e passasse quinze dias no inverno de Moscou. Quis o destino estar ao meu lado. Encontrei uma ONG chamada AIESEC que me levou, não pra sonhada Moscou, mas para uma cidade desconhecida do Tartaristão, onde vivi dois meses e meio de uma lua de mel única. Ainda passei quinze dias a percorrer as outras cidades que mais desejava, entre elas, a mítica Novgorod e a desejada Petersburgo. A Rússia foi um capítulo de páginas infindáveis de um livro que, com fé no destino, será reeditado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei, a contragosto, a terra que me abraçara de maneira maternal. Em quase três meses, a Rússia tinha me dado duas oportunidades de emprego, amizades, uma paixão abrasadora, lembranças inesquecíveis. Mas, por um capricho burocrático, tinha que voltar a Recife, onde não teria emprego, nem motivação. Passei um mês de ressaca. Até que resolvi procurar uma professora em São Paulo que nunca me negava orientação nos estudos. Falei que tinha um projeto para trabalhar o niilismo na obra de Dostoiévski. Meio sem acreditar, tentei a seleção do doutorado da USP, justamente no departamento que mais sonhava, o de Língua e Cultura Russa. Após quase dois meses de ansiedade, o resultado me foi positivo. Agora aguardo o momento da nova mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também foi o ano de vestir a camisa do tempo. Os trinta anos me caíram nos ombros, com aquela necessidade de solidez, montada no impetuoso fulgor dos vinte anos. Cada dia que passa, gosto mais de ficar em casa, com meus livros e minhas ríspidas inquietudes. O desejo de estabilidade ronda o cotidiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos dois objetivos alcançados, e narrados anteriormente, o ano já teria sido magnífico. Mas, a vida nos reserva outras surpresas: a convivência com meus velhos pais e os pequerrotos sobrinhos, a boa defesa da dissertação do mestrado, a subida do Náutico de divisão, a presença afável de quem se aproximam nas asas metálicas de um avião... 2011 me cochicha, na surdina, que Deus fez o mundo em sete dias, por que não viver os próximos dez?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-8041896060004237691?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/8041896060004237691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=8041896060004237691&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8041896060004237691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8041896060004237691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/12/2011-magic-year.html' title='2011, The Magic Year.'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-7461577755940610875</id><published>2011-12-20T23:35:00.005-03:00</published><updated>2011-12-21T00:39:13.200-03:00</updated><title type='text'>O Bom Momento do Futebol Russo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Svfb7WLQYHc/TvFSVzKYxYI/AAAAAAAAAbo/iPJNX5eXbwQ/s1600/meu%2Bquarto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Svfb7WLQYHc/TvFSVzKYxYI/AAAAAAAAAbo/iPJNX5eXbwQ/s400/meu%2Bquarto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688418338810152322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, estive a pensar em criar um blogue que falasse somente sobre o futebol russo. Pra quem acompanha este pequeno terreno virtual sabe que todos os caminhos conduzem às estepes russas. Aproveitando o bom momento vivido pelos clubes russos e por sua seleção nacional, pensei: "Por que não criar um blogue?" Um pequeno projeto para janeiro, se o destino aprouver. Mas, vamos ao que interessa! O que me motivou mesmo a escrever sobre o futebol russo foi a passagem dos seus quatro times às fases decisivas das competições europeias. Pela Liga dos Campeões, CSKA e Zenit (ambos ex-campeões da antiga Copa da UEFA na década de 2000) se classificaram para as oitavas de final da Champions. Pela Liga Europa (antiga Copa da UEFA, os tártaros do Rubin e os moscovitas do Lokomotiv, também garantiram ingresso nas fases decisivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, um torcedor do Arsenal, ao protestar contra a compra de parte do patrimônio do clube pelos empresários norte-americanos reclamou com uma frase que simboliza a era super profissional do esporte bretão: "Antigamente, era futebol e um pouco de dinheiro. Hoje é dinheiro e um pouco de futebol." Sábias palavras do torcedor inglês. Ainda na década de 1980, clubes podiam despontar no cenário mundial, com os brios de atletas regionais e fazerem a fama épica de sua labuta futebolística. O escocês Aberdeen foi campeão da Recopa em 1983 com um time formado por jogadores escoceses da região, liderados por Sir Alex Ferguson, batendo o todo poderoso Real Madrid. O Nottingam Forest foi campeão da Liga dos Campeões em 1979 da mesma forma. E outros exemplos existem da época do futebol romântico. Hoje, sem o apoio financeiro, fica difícil ter um campeonato nacional forte e equipes se destacando em competições continentais. O futebol russo entrou de cabeça na era dos mega-negócios esportivos. Os principais patrocinadores dos times russos são empresas de extração de petróleo e gás: Lukoil, Gazprom, Bashneft, além de outras multinacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Campeonato Russo está parado, devido às nevascas do período e só deve retornar no final de março, começo de abril. Quem lidera o campeonato é o forte time do Zenit, aquele que menos oscila. O Zenit dispõe de vários jogadores internacionais (os portugueses Dani e Bruno Alves, o sérvio Lazovic e o belga Lombaerts, são alguns exemplos), mas também tem vários jogadores russos de qualidade, destacando-se o centroavante de área, Bukhárov, atual centroavante da seleção russa, com todos os méritos, pois tem jogado melhor que a pseudo-estrela do Tottenham, Pavliuchenko. O Zenit também conta com o caldeirão do Estádio Kirov, localizado às margens do Golfo da Finlândia, em São Petersburgo. A equipe é treinada pelo italiano Luciano Spaletti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro time russo muito forte e que está em segundo lugar no campeonato russo é o CSKA. Confesso que o time que mais simpatizo, além do Rubin. O CSKA é um time muito bem arrumado taticamente pelo treinador Leonid Slutsky. A base do time é toda russa, começando pelo goleiro titular da seleção, Akinfeev. A zaga conta com o titularíssimo da seleção,, Ignashevich, e os irmãos Vitali e Alexei Berezutsky. No meio de campo, a experiência de Aldonin, além das promessas Mamaev e Dzagoev, ambos vistos como o futuro meio-de-campo da seleção. No ataque, o excelente marfinense Doumbia e o nosso conhecido Vágner Love. O CSKA, clube que desde a década de 1930 já recebia jogadores negros em seus elencos, parece ter uma torcida mais tolerante num mundo que ainda sofre com preconceitos raciais ridículos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro clube que analisamos é o Lokomotiv, detentor da terceira maior torcida de Moscou, um time irregular, embora tenha um excelente elenco, onde se destacam, no ataque, o experiente Sychev, ídolo maior do clube, o excelente equatoriano Caicedo, além do meia esquerdo Torbinsky, da seleção nacional. O Loko carece de uma boa sequência de vitórias pra merecer brigar pelo título desta temporada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto clube que analisamos é o Rubin Kazan, campeão russo em 2009, faz uma campanha regular este ano, embora também possua um brilhante elenco, onde se destacam o turco Karadeniz, o equtoriano Noboa, o atacante paraguaio Valdés e o africano Martins (ex-Inter de Milão). A grande decepção do time kazanense fica por conta do brasileiro Carlos Eduardo, ex-Grêmio, contratado junto ao Hoffenhein da Alemanha por nada menos que 20 milhões de euros e que quando não está machucado, não merece a titularidade. O Rubin está apenas em quinto no Campeonato Russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quatro times acima analisados são os que conseguiram vagas nas próximas fases das competições européias. Deles, o CSKA tem a missão mais difícil: enfrentará o Real Madrid. Mas, creio que uma boa partida no Estádio Luzhniki, pode dar chances aos krasnyi-sinyi moscovitas na partida de volta na capital espanhola. O Zenit enfrentará o Benfica, numa batalha, ao meu ver, sem favoritos. E como o Zenit é o mais estável dos times russos, confio que possa brigar ferrenhamente pela vaga nas quartas. Pela Liga Europa, o Rubin Kazan vai enfrentar o Olimpiacos da Grécia. Missão difícil, mas também não antevejo favoritos. Já o Lokomotiv enfrentará os bascos do Athletic Bilbao, uma equipe sempre difícil de ser batida, mas como disse anteriormente, o maior problema do Lokomotiv é a instibalidade, joga partidas boas e ruins de uma semana para a outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo para uma outra postagem, as análises dos outros times russos, como o Spartak Moscou, clube de maior torcida do país, além do Dinamo Moscou, e da nova estrelas do business esportivo, o daguestano Anzhi Makhachkala. Quem sabe eu crio o blogue e posso falar, inclusive, da segunda divisão russa, donde tive a oportunidade de assistir dois jogos na casa do Kamaz, em Naberezhnye Chelny. Desejo boa sorte aos times russos, com especial ênfase ao CSKA e o Rubin, embora reconheça que a missão do rubro-azul de Moscou seja dificílima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-7461577755940610875?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/7461577755940610875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=7461577755940610875&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7461577755940610875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7461577755940610875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/12/o-bom-momento-do-futebol-russo.html' title='O Bom Momento do Futebol Russo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Svfb7WLQYHc/TvFSVzKYxYI/AAAAAAAAAbo/iPJNX5eXbwQ/s72-c/meu%2Bquarto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-5297102127035920892</id><published>2011-11-10T00:32:00.006-03:00</published><updated>2012-01-31T00:12:53.185-03:00</updated><title type='text'>Recordação do Pôr do Sol no Monastério de Hayfa</title><content type='html'>&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-3ap0pK1GxTA/TrtGuhOGZVI/AAAAAAAAAbc/23czjZ7eaTw/s400/100_1351.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673205920608707922" style="float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px; " /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:115%"&gt;Era noite de primavera naquele monastério distante, fronteira do Tartaristão com o místico Estado de Mari-El. O sol, numa ignorância poética, já havia partido rumo ao ocidente, restava apenas sua tinta dourada no céu azul. Um sino tocava de forma espaçada, fazendo concorrência aos salves sibilíticos dos pássaros. Ao redor, tudo era perfeita harmonia: a floresta, o lago com uma finíssima camada de gelo ao longe, quase ninguém. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:115%"&gt;Caminhando pelo bosque atrás da catedral ortodoxa lembrava da minha infância, de uma inocência perdida lá dentro da carne humana. Estava distante de casa, mas tão próximo da perfeição. O silêncio me invadia a alma, enquanto traçava uma analogia entre a vida e o crepúsculo. Não seria nossa passagem pela Terra, um melancólico, curto e esplendoroso pôr do sol? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:115%"&gt;De alguma maneira, gostaria de preservar aquela paz comigo. Mas, o tempo marchava e as trevas avançavam rumo ao ocidente na sua batalha campal diária. Também em mim, a noite retomaria seu espaço. Estava na hora de voltar à Kazan. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses se passaram, oscilantes dicotomias de luz entre diferentes interpretações daquele pôr do sol. Um pequeno quadro do monastério de Hayfa, quase todos os dias esquecido na parede, trouxe-me a plácida reflexão daquela quase perfeição esquecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-5297102127035920892?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/5297102127035920892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=5297102127035920892&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5297102127035920892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5297102127035920892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/11/recordacao-do-por-do-sol-no-monasterio.html' title='Recordação do Pôr do Sol no Monastério de Hayfa'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3ap0pK1GxTA/TrtGuhOGZVI/AAAAAAAAAbc/23czjZ7eaTw/s72-c/100_1351.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1538507463611859542</id><published>2011-10-17T01:04:00.009-03:00</published><updated>2011-10-17T09:27:33.907-03:00</updated><title type='text'>O Coração dos Aflitos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wJntoTI5kwI/Tpurf-4xrsI/AAAAAAAAAa8/_Q1Xc0iDGdU/s1600/ESTADIO-AFLITOS1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wJntoTI5kwI/Tpurf-4xrsI/AAAAAAAAAa8/_Q1Xc0iDGdU/s400/ESTADIO-AFLITOS1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664309522293960386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta segunda-feira, 17 de outubro de 2011, o Clube Náutico Capibaribe assinará o contrato de parceria com uma grande empreiteira e o Governo do Estado, para que o clube passe a assumir o estádio da Copa do Mundo de 2014, a chamada Arena da Copa. Aliás, esse nome “arena” me incomoda. Por que não estádio ou coliseu? O estádio nos lembra que o esporte competitivo também &lt;span&gt; &lt;/span&gt;é uma arte, um teatro à céu aberto que nos conduz, muitas vezes, às raias mais tensionadas da emoção.&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O Náutico abandonará sua casa, o Estádio Eládio de Barros Carvalho, popularmente conhecido como Aflitos, nome do bairro onde se situa o clube, que por sua vez, possui este nome graças à capela de Nossa Senhora dos Aflitos. Dirigentes ávidos por mudanças assinarão um contrato em que o Náutico alugará o terreno do estádio para que construam algo rentável (um shopping, edifícios empresariais...) para as construtoras. Em troca do aluguel, terá uma renda mensal vantajosa para os padrões atuais, receberá a Arena da Copa (um estádio nos moldes mais modernos), melhorias estruturais no Centro de Treinamento da Guabiraba e a possibilidade de se tornar independente financeiramente.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;As vantagens parecem incontestes do ponto de vista econômico. Mas, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;“quando a&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;esmola é demais, o santo desconfia”, e alguns fatores me deixam escaldado. O primeiro foi a rapidez em se resolver pela venda do estádio. Entre o surgimento da notícia, a votação pelos conselheiros e a assinatura do contrato, não teve o intervalo de três meses, sequer. Um, dois, três e &lt;i&gt;pimba&lt;/i&gt;! Não houve uma pesquisa entre os amantes do clube, uma enquete séria com as grandes mídias, uma urna na entrada dos sócios para pedir-lhes a opinião. Mal os torcedores discutiam nos bares ao redor do estádio, a notícia já estava pronta, com as “vantagens” supracitadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Entretanto, assim como na reprodução do cotidiano, os sentimentos são esmagados pelos números convincentes do discurso econômico. Ufanam os entusiastas: “virão títulos, modernidade, seremos a maior força do Nordeste...” Mas, se esquecem que o maior patrimônio de um clube é a torcida. A relação do Náutico com seu (ainda) atual estádio é visceral. O Estádio dos Aflitos foi o palco do hexacampeonato; da mais dolorosa derrota da nossa história, a umbrática Batalha contra o Grêmio; é, acima de tudo, o caldeirão que faz a diferença nos últimos anos pró-Náutico (vide sermos o único clube invicto das duas principais divisões em seu mando). É o teatro&lt;i&gt; lato sensu&lt;/i&gt;, onde se ri e se chora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-g4JlOpw46AI/TpurxoQpjPI/AAAAAAAAAbI/64qbT8nG42s/s400/arena.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664309825457720562" style="float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 286px; height: 176px; " /&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O Náutico não possui a maior torcida da capital, perdemos em números para o Santa Cruz e o Sport, porém a presença da comunidade em um estádio central como os Aflitos mostra à cidade a presença da nação alvirrubra. Os Aflitos deram visibilidade ao Náutico, pois quando o time joga em seu reduto, mesmo quem não gosta de futebol sabe: hoje o Timbu tá na área. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;Sem demérito à cidade de São Lourenço da Mata, o novo estádio dificultará o acesso de quem mora em cidades como Olinda, Paulista e Jaboatão, por exemplo. Sem contar que nos jogos que acabariam à meia-noite, seria perigoso pegar a BR-232 e voltar pra casa. Além do mais, essa conversa que "vamos construir isso e aquilo pra facilitar o acesso", fica ao gosto de quem acredita em promessas políticas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Em suma, corremos o risco de termos uma Arena vazia, que satisfará uma minoria obsequiosa por dinheiro, em oposição ao legítimo sentimento da torcida de perda da identidade. O que me incomoda nesse processo relâmpago é a velocidade como a negociação foi conduzida. Por que não se maturou um pouco mais sobre o tema? Por que não fizeram uma pesquisa com torcedores em dias de jogos? Será que ainda há tempo de conter o irremediável? A cidade continua crescendo, atropelando a história e as afetividades, em nome da glória mercadológica. Há de se endurecer a alma um pouco a cada dia para se adaptar às necessidades do mundo descartável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1538507463611859542?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1538507463611859542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1538507463611859542&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1538507463611859542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1538507463611859542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/10/o-coracao-dos-aflitos.html' title='O Coração dos Aflitos'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wJntoTI5kwI/Tpurf-4xrsI/AAAAAAAAAa8/_Q1Xc0iDGdU/s72-c/ESTADIO-AFLITOS1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3311938165623100597</id><published>2011-09-26T23:09:00.004-03:00</published><updated>2011-09-27T11:04:43.738-03:00</updated><title type='text'>Valeu, Edwind!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, faleceu meu tio, Edwind Julio Almanza Baca, em Salvador, Bahia. As causas da morte, eu ainda não sei, tampouco me interessa. Não quero lembrar da ausência. Edwind veio da Nicarágua para o Brasil com pouco dinheiro e uma garrafa de whisky, ainda no final dos anos 1970, como ele mesmo contava. Homem boêmio e "desenrolado", conseguiu sobreviver num país estrangeiro, com pouquíssimos recursos e muito jogo de cintura. Morava na casa do estudante da UPE e guardava a marmita do almoço para completar a janta. Edwind não era meu tio de sangue. Mas, será mesmo que não? Se o coração é o distribuidor do sangue pelo corpo, como Edwind não era meu parente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Edwind nos aproximou daquele minúsculo e despretensioso país, um dos mais pobres das Américas, marcado por conflitos entre caudilhos e populares, com fortes cicatrizes pelas trêmulas montanhas. Ainda assim, aquele desapercebido lugar, foi escolhido por mim, ao menos duas vezes durante a vida escolar, como exercício nas aulas de geografia. A salsa, as músicas de Bemvindo Granda, o rum Flor de Caña, as imagens de sua pequena cidade, Boaco. Graças a Edwind, a Nicarágua era maior que o México ou a Argentina, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O imenso Brasil não foi de acolhida fácil. Edwind viveu em Recife, no sertão de Parnamirim, até se consolidar economicamente no Recôncavo Baiano. Quando chegou lá, já levava consigo sua bela família. Nesse tempo, ele já era o Tio Amendoim, que sempre vinha passar as férias na casa do meu avô, no bairro do Engenho do Meio, onde ainda hoje resido. Sua chegada era aguardada com ansiedade por todos na casa. Quando eles ligavam de algum ponto na estrada, dizendo que chegariam tal hora, meu avô Emílio punha-se na porta a esperar, quando o carro chegava, recordo-me de estar ao lado do meu avô, sempre vestido de branco, que soltava um uivo agudo de felicidade: "uiááá!" Eles vinham para ficar um mês inteiro! Ao seu redor, todos se sentiam à vontade, Edwind tinha o raríssimo dom de agradar a gregos e troianos, sem ser hipócrita ou forçado. Era sua espontaneidade que cativava e conquistava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há exatos onze dias, numa noite de quinta-feira, escutei um barulho de carro parar na frente de casa e um alvoroço. Abri a janela do primeiro andar e me reparo com aquela figura pitoresca: usando um chapéu de cowboy e gritando com aquele sotaque gostoso, meio nicaraguense, meio baiano: "Odomirinho!" Ele veio sem avisar! É assim que ele entra na vida da gente. Passamos três dias juntos. Sempre que vinha à Recife, ficava na nossa casa, mesmo sabendo que a hospedagem aqui é muito simples, mas era disso mesmo que ele gostava. Talvez, fosse uma lembrança de sua pobre e pequenina terra natal. Edwind nunca foi de escolher amizade por status social, pelo contrário, sua virtude maior era descobrir, em meio aos ambientes mais inusitados, a recôndita, simples e pura filosofia da vida. E por falar na musa do saber, seus conhecimentos da cultura grega e dos pensadores franceses e alemães era notável. Foi Edwind que abriu meus olhos para o pensamento de Arthur Schopenhauer e Nietzsche. Lia Aristóteles, e encontrava a razão para o mundo pós-moderno, na sabedoria clássica dos gregos. Mas, engana-se quem acha que estou falando de um professor universitário de filosofia. Não, Edwind era cirurgião-dentista! Uma exceção num mundo onde as pessoas se pegam interessadas apenas no trivial, na razão unilateral do  conhecimento capitalista. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, ele se foi. A vida é um quase infinito abrir e fechar de portas. As mesmas que se abriram para que ele deixasse sua pequena Nicarágua e viesse pro nordeste do Brasil, que o conduziram pelo seu tortuoso, quase um passe de salsa, mas suave caminho, hoje se fecharam pela última vez. É o fim do baile, &lt;i&gt;cabrón!&lt;/i&gt; Toda festa tem um fim. Valeu, Edwind! Eu estou triste, mas isso passa! Tenho certeza, amigo, que as recordações são fortes e boas! Trouxesses felicidade para o mundo! Agora, vives nas melhores lembranças! Saíste do baile pela porta da frente!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3311938165623100597?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3311938165623100597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3311938165623100597&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3311938165623100597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3311938165623100597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/09/valeu-edwind.html' title='Valeu, Edwind!'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-5124287231033632902</id><published>2011-08-20T20:23:00.004-03:00</published><updated>2011-08-22T20:22:32.123-03:00</updated><title type='text'>Liberdade é Desespero</title><content type='html'>Tu que bradas aos quatro ventos&lt;div&gt;teu primitivo uivo de liberdade:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saibas, que te coroam, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;como lúgubres vultos num acanhado espelho sem luz,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As grades invisíveis do desespero.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-5124287231033632902?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/5124287231033632902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=5124287231033632902&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5124287231033632902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5124287231033632902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/08/liberdade-e-desespero.html' title='Liberdade é Desespero'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-7137820088199031368</id><published>2011-08-02T00:52:00.006-03:00</published><updated>2011-08-20T20:43:23.788-03:00</updated><title type='text'>A Viagem</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Irineu estava inquieto. Desde ontem não encontrava descanso em seu pensamento, e este estado caótico de suas faculdades mentais, coincidiam, quase sempre, com os momentos que se seguiam a uma viagem de avião. Não sabia por que, mas antes de cada viagem, fazia questão de deixar as contas em dia, não queria deixar nada atravessado. Ia viajar de Recife para Petrolina, apenas uma hora, mas mesmo assim, o angustiava a possibilidade de deixar o mundo num acidente aéreo e as coisas não ficarem claras pra si próprio. Como sempre acontecia nas vésperas das viagens, Irineu repousou na questão de Deus. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Era ateu, mas não convicto. O milagre nunca se apresentara pra ele. Levava uma vida sem muitas turbulências, embora fosse professor de literatura, e as leituras clássicas de Poe e Lord Byron sempre o deixavam num estado de perturbação e de investigação sobrenaturais constantes. Então, Irineu passou a se questionar sobre a existência ou não de Deus, discussão que sempre que podia, evitava. “Ora, não tenho conhecimento suficiente, além do mais o universo é indefinido para o homem, não hei de me atormentar com isso.” E assim, sempre desviava da questão central da existência. Mas, estava às vésperas de mais uma viagem de avião, e como sempre, não queria “morrer” deixando dívidas com sua consciência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Passou a desenvolver uma questão que o entreteu por muito tempo antes de dormir. Imaginou que todos os que creem, retornariam para uma nova vida, algo como o Eterno Retorno de Platão e Nietzsche. Assim, se um egípcio cria em Alá, ao morrer, em algum momento, voltaria, mesmo que na outra vida, viesse a ser cristão, budista ou ateu. A fé seria o passaporte para o retorno. Até o dia em que o homem, alimentado pela razão, atingiria o ateísmo e assim, ao morrer, encontraria, finalmente, o sossego da não-existência. Envolvido nesta idéia, relembrou do conceito de Santo Agostinho de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;distentio ameni&lt;/i&gt;, e que o tempo estaria apreendido em seu espírito e deste modo, com a morte de Deus dentro de si, já não haveria espírito e o ateu encontraria o repouso sem eternidade. Assim, neste divertimento de mediana intelectualidade, adormeceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O voo estava marcado para as seis da manhã, partindo do Aeroporto Internacional Gilberto Freyre. Irineu tomou seu assento no avião bimotor, havia espaço para 24 pessoas e restavam, talvez, duas ou três vagas, apenas. Ao seu lado, sentou-se uma senhora de uns 60 anos, bem vestida. Não travaram conhecimento, talvez um leve aceno de cabeça, quando ela conferiu o número da poltrona e o lugar vizinho ao seu. O avião correu na pista, levantou voo. Mas, não pegava muita altura e tremia bastante. O piloto disse que estava com problemas e ia tentar retornar. Um alarido foi ouvido dentro do pássaro prateado. Ao seu lado, a mulher começara a rezar: “Meu Deus, nos ajude. Ó Senhor, tenha piedade de nós!” As pessoas gritavam, em pânico, enquanto avião passava raspando entre os prédios do bairro de Boa Viagem, tremendo. O pânico se instalara. A mulher tentou se agarrar às suas mãos, abalada, já com lágrimas nos olhos. Irineu pensou em rezar, ou talvez pedir o tão aguardado milagre. Mas, lembrou-se de sua teoria, e num átimo, baixou a cabeça, esqueceu-se da velha e mergulhou na escuridão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-7137820088199031368?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/7137820088199031368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=7137820088199031368&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7137820088199031368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7137820088199031368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/08/viagem.html' title='A Viagem'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1081464559823801122</id><published>2011-07-27T14:29:00.003-03:00</published><updated>2011-07-27T14:33:54.923-03:00</updated><title type='text'>O Inverno na Aldeia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_isFlAAn61o/TjBLhpk5ybI/AAAAAAAAAa0/rpsZlNajlu4/s1600/100_1168.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-_isFlAAn61o/TjBLhpk5ybI/AAAAAAAAAa0/rpsZlNajlu4/s400/100_1168.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5634086175308892594" /&gt;&lt;/a&gt;O Inverno na Aldeia é uma pintura à óleo do artista A. F. Gaush (1873-1947) e se encontra no Museu Nacional do Tartaristão, na cidade de Kazan.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1081464559823801122?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1081464559823801122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1081464559823801122&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1081464559823801122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1081464559823801122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/07/o-inverno-na-aldeia.html' title='O Inverno na Aldeia'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-_isFlAAn61o/TjBLhpk5ybI/AAAAAAAAAa0/rpsZlNajlu4/s72-c/100_1168.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-466306772354675742</id><published>2011-07-14T01:54:00.006-03:00</published><updated>2011-07-14T12:52:17.988-03:00</updated><title type='text'>Sobre a Necessidade de Deus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há exatos dois meses, minha indefinição perante o mundo tem me deixado bastante desassossegado. Estou envolvido num projeto que consiste na análise do pensamento do escritor Dostoiévski e sua relação com o surgimento dos grupos anarquistas, niilistas e terroristas na sua Rússia. Para tanto, vou me aprofundando nas leituras sobre Bielinski, Herzen, Bakunin, Tchernichevski e sobre as atuações de revolucionários como Korokózov e Netcháiev. Dostoiévski e seus amigos eslavófilos, defensores da ortodoxia cristã, combatiam através de seus discursos impressos em revistas e folhetins, a atuação desses grupos radicais conhecidos como a "nova geração", homens da década de 1860. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Dostoiévski, em linhas gerais, a crença era fundamental para o futuro do seu país. A religião seria o elo que uniria o povo russo e o conduziria a um grandioso futuro, governado pela fé em Cristo. Pausei minha pesquisa por um instante, preparei um copo de chá preto, eram duas da manhã, peguei meu hollywood de menta, e fiquei a meditar na janela do meu apartamento, acompanhado pelo silêncio da madrugada. Da janela, sentia-se a tranquilidade das ruas numa madrugada de quarta para quinta feira. De vez em quando chovia e fazia um clima bastante agradável nesses dias, de maneira que todo mundo estava dormindo no bairro. Havia um imperioso silêncio. Ouvia-se os fortuitos carros a trafegar na rodovia federal, ao longe. Envolto nesta tranquilidade, organizava meu inquieto pensamento. Pensava que a idéia de Dostoiévski é fundamentada numa bagagem histórica muito coerente: a sociedade precisa de Deus. São os mitos que unem os povos, para uns é Cristo, para outros Maomé ou Buda, mas é a divindade que dá sentido os povos. Sem a presença desta entidade mítica, caberia ao homem, sempre falho e egoísta, o papel de assumir o panteão mitológico que uniria um povo. Deste modo, no século XX, Stálin e Hitler, para citar apenas dois nomes, tornaram-se mitos em suas nações, abolindo a idéia de um deus, tornaram-se homens-mitos, e guiaram seus povos para o caminho que todos nós conhecemos. O mito é inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Dostoiévski, era Cristo o fim, e a Igreja Ortodoxa, o meio. Para outros, é o socialismo, o anarquismo, o budismo ou niilismo punk. Alguém sempre toma partido por alguma causa. Inquieta-me este voto nulo que confiro às entidades míticas. Não consigo tomar partido de nenhuma causa divina, nem política. Deus se perde na abstração cósmica do universo e nas suas escolhas aleatórias para com os seres humanos. As organizações políticas, por sua vez, pela própria imperfeição humana na concepção e execução de seus projetos estão sempre fadadas ao fracasso, mais cedo ou mais tarde. Poxa, como queria crer em Deus e encontrar a paz! Ou quem sabe, militar nalguma causa política devotamente, onde pudesse enxergar de modo cristalinos as benesses de uma causa positiva para a humanidade. Onde estaria a utopia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cigarro já estava na metade, quando o silêncio da madrugada começou a ser rompido por um barulho que crescia de modo progressivo. Era uma moto que vinha em disparada, vrum, vrum, vruuum, as marchas trocavam rapidamente e as lombadas da rua pareciam ser obstáculos menores. Para minha infelicidade, em frente à janela de casa há uma lombada e um cruzamento. A moto diminui sua aceleração e pude ver dois homens se aproximarem sem capacete. O da frente dirigia concentrado, como quem vem numa fuga alucinante. O de trás vinha sem camisa, tinha o corpo moreno e era magro. Possuía um revólver na mão direita. A cena toda, desde a percepção do ruído do motor, não durou mais do que oito, talvez dez segundos. Ao perceber um espectador e a luz acesa da sala, o homem da garupa apontou a arma em direção à minha janela, enquanto eu só tive tempo de me esquivar. Mesmo que ficasse parado, a bala não me atingiria, mas explodiu ruidosamente contra a madeira de cerejeira da janela. Pá! Corri para o meio da sala e apaguei a luz. Escutava ao longe a gargalhada do bandido desaparecendo pela rua, assim como o motor da moto. Fiquei uns dois minutos sentado no chão, no breu da madrugada, com o coração disparado e morrendo de medo. Alguns vizinhos acendiam as luzes para ver o que tinha se passado. Voltei pra janela, havia um projétil encravado na madeira de cerejeira. E agora, devo acreditar em Deus ou no anarquismo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-466306772354675742?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/466306772354675742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=466306772354675742&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/466306772354675742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/466306772354675742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/07/sobre-necessidade-de-deus.html' title='Sobre a Necessidade de Deus'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-7465060696559293513</id><published>2011-07-07T21:04:00.004-03:00</published><updated>2011-07-14T03:03:05.565-03:00</updated><title type='text'>кино</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-n5KtX507qfs/ThZO2cRZuwI/AAAAAAAAAao/2MSvcrzyNq4/s1600/kino.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 254px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-n5KtX507qfs/ThZO2cRZuwI/AAAAAAAAAao/2MSvcrzyNq4/s320/kino.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626771481655098114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pronto, este é, finalmente, o último dos cinco discos prometidos da série "Holiday in Tatarstan" (na verdade, não tem nome). Poxa Dodô, fosse na Rússia e não postasse nenhum disco de música russa? Pois bem, chegou a hora. Enquanto os outros discos faziam parte da minha seleção (todos estavam no Ipod), esse eu aprendi a gostar durante a viagem. A banda кино (lê-se Kinô, e significa Cinema) foi pioneira no punk rock soviético. Liderada por Viktor Tsoy, compositor e vocalista, o кино recebia as influências do ocidente que entravam pelas fronteiras enfraquecidas da União Soviética e lançava tendência num país onde as pessoas possuíam um nível educacional alto, mas uma qualidade de vida material deprimente. Conversei com a mãe de uma amiga e ela dizia que nos anos 80, durante o inverno, as pessoas comiam durante cinco meses apenas: leite, pão preto, batatas, chá e salsichas. E nada mais! Excepto se alguém plantasse um condimento na varanda dos pequenos apartamentos. É famosa a dureza do inverno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O кино é respeitado por todo mundo. Nas praças, se um jovem empunha um violão e faz uma roda, logo junta uma rapaziada e, se ele ainda não cantou uma música do кино, a platéia puxa rapidinho. Acho que no Brasil não há referência de popularidade, talvez o Legião Urbana, talvez Raul Seixas. Vou deixar pra vocês o disco clássico deles Ночь (lê-se Nôtch, e significa Noite) de 1986. Eu tenho vários discos deles, mas acho que esse é o melhor. Recordo-me de Tata, uma bela moça que conheci em São Petersburgo cantando "Mama Anarkhia" nas escadas rolantes do  metrô após termos bebido duas garrafas de vinho chileno. Outra música marcante é a primeira: Videly Noch, onde em qualquer praça as pessoas cantam e repetem efusivamente o refrão. Espero que gostem, tem muito punk-rock clássico e new wave, bem típico dos anos 80. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 102, 153); font-family: Arial, Tahoma, Verdana, sans-serif; font-size: 22px; font-weight: bold; "&gt;Кино - Ночь:  &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/K2GqlZvS/%D0%BA%D0%B8%D0%BD%D0%BE_-_%D0%BD%D0%BE%D1%87%D1%8C.htm"&gt;http://www.4shared.com/file/K2GqlZvS/%D0%BA%D0%B8%D0%BD%D0%BE_-_%D0%BD%D0%BE%D1%87%D1%8C.htm&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-7465060696559293513?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/7465060696559293513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=7465060696559293513&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7465060696559293513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7465060696559293513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/07/blog-post.html' title='кино'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-n5KtX507qfs/ThZO2cRZuwI/AAAAAAAAAao/2MSvcrzyNq4/s72-c/kino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6730011757147961741</id><published>2011-06-28T22:51:00.006-03:00</published><updated>2011-06-29T10:47:30.090-03:00</updated><title type='text'>The Earth is Blue</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha planejado estudar o dia todo hoje. Aliás, o plano ainda não foi abandonado. Se escrevo aqui é para me livrar de um pequeno fantasma que me aparece entre as páginas do livro de Joseph Frank. Um fantasma com rosto de anjo e que fez um grande reboliço neste coração velho. Talvez eu deva contar um pouquinho desta íntima história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 12 de abril de 1961, o cosmonauta russo, Yuri Gagárin, numa pequena lata de ferro, com uma janelinha de observação, pôs seus miúdos olhos na janela e se espantou com a figura de nossa grande mãe vista de longe. Ele viu o sulco dos rios cortando a terra, as fazendas e montanhas, e disse, poeticamente: "A Terra é azul". No dia 12 de abril de 2011, cinquenta anos após Gagárin, eu saía de uma palestra na faculdade de economia e business, INEKA, e conheci uma das moças da platéia, K. C., e sem saber muito o que conversar diante dos seus olhos azuis, perguntei, como um tolo, se ela estava feliz com o cinquentenário da ida do cosmonauta russo à órbita. E a Terra passou a ser azul pra mim também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, ela me mandou uma foto no jardim, em pleno verão do hemisfério norte. E lá se &lt;/div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-XBgUOyvka6w/TgqPJ7BCEDI/AAAAAAAAAag/LjuD0iyhZRA/s320/Damon%2B%2526%2BNaomi%2B-%2BThe%2BEarth%2BIs%2BBlue%2BF%252B.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 285px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623464485349101618" /&gt;foi meu plano de estudar o dia todo... Como prometido, vou deixar o quarto disco dos cinco que marcaram a viagem: Damon and Naomi: The Earth is Blue (2005). Coincidência, ou não, era nosso álbum favorito. Não me permito falar muito mais, em respeito ao inefável e à esperança. Destaco as canções "second life" e a versão linda de "Araçá Azul" de Caetano Veloso. Após dividir essa angústia distante com vocês, vou tentar voltar aos livros, mergulhar no sonho outra vez, assim a nave vai...&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Damon and Naomi - The Earth is Blue (2005): &lt;a href="http://www20.zippyshare.com/v/32159177/file.htm"&gt;http://www20.zippyshare.com/v/32159177/file.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6730011757147961741?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6730011757147961741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6730011757147961741&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6730011757147961741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6730011757147961741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/06/earth-is-blue.html' title='The Earth is Blue'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-XBgUOyvka6w/TgqPJ7BCEDI/AAAAAAAAAag/LjuD0iyhZRA/s72-c/Damon%2B%2526%2BNaomi%2B-%2BThe%2BEarth%2BIs%2BBlue%2BF%252B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-4720914098976860661</id><published>2011-06-28T14:32:00.002-03:00</published><updated>2011-06-28T14:44:42.106-03:00</updated><title type='text'>Notas Sobre a Pobreza</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ontem, eu assisti a propaganda do Governo Federal: “num sei quantos milhões deixaram a pobreza. Nossa próxima meta é extirpar a miséria.” Assim, a miséria está colocada num patamar acima da pobreza, restando à segunda opção, o posto de maior flagelo da humanidade. É onde eu gostaria de questionar essa imagem desestimuladora da pobreza, que a meu ver, molda muitos comportamentos dentro da moral e da ética do povo brasileiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A Rússia, em linhas gerais, apresenta uma população mais pobre que a brasileira. Lá, 90% da riqueza do país, se encontra nas mão de apenas 3% da população. São magnatas, homens-fortes do gás e do petróleo, membros do governo e ex-poderosos da KGB. Mas, o cidadão-comum, este sofre pra sobreviver. Vou dar um exemplo que ocorreu comigo: morei na casa de uma família que constava de quatro membros, todos adultos, e que trabalhavam oito horas por dia para conseguirem se sustentar. E mesmo com todos trabalhando, comer carne era um luxo dedicado aos finais de semana. E não era maminha, ou picanha, mas linguiça e outras carnes menos nobres. O cogumelo fritado substituía a iguaria animal, pois era bem mais barato. Mas, numa sociedade mais pobre que a nossa, de acordo com as leis econômicas, a violência deveria ser maior, uma explosão de saques e de banditismo. Mas não, mesmo a Rússia sendo pobre, durante os três meses que estive lá, não fui assaltado, e mais, nunca escutei relatos de amigos ou de conhecidos que reclamariam a perda da carteira, do carro, do celular, do dinheiro sacado no banco. Quando íamos para um barzinho e bebíamos até às duas da manhã, eu oferecia para uma amiga o dinheiro para que pegasse um táxi, pois não seria seguro para uma jovem dama caminhar sozinha na rua, pela madrugada. Ela me retrucava: “ora, deixe disso, não tem perigo.” No Brasil, principalmente em Recife, não dá pra imaginar uma cena dessas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aliás, falando em cena, semana passada, enquanto estava preso no engarrafamento da Avenida Caxangá, presenciei a chegada de dois homens numa moto Titan 125 preta, à minha frente tinha um Fiat Uno, daqueles antigos, verde-escuro. O carro estava encurralado pelo engarrafamento e pela parada de ônibus do lado esquerdo. O motoqueiro ficou observando a situação e dando cobertura, enquanto seu comparsa desceu com um revólver preto, numa atitude rápida e agressiva, empurrou a arma contra a têmpora do motorista. Eu estava no fusca com a maioria dos meus pertences de valor: computador, mala com roupas e o próprio fusca. Não tenho muita coisa mesmo. O motoqueiro olhou para mim para se aperceber do meu comportamento, se eu estaria anotando a placa ou coisa parecida. Baixei a vista, ainda assustado pela possibilidade do segundo ataque, mas os bandidos fugiram na moto. Foi um minuto de respiração suspensa e adrenalina nas alturas. Mas, não é o assalto em si, o tema desta postagem, mas saber até que ponto a pobreza é motivação para o crime. Duvido que aqueles bandidos estivessem passando fome. O ladrão brasileiro rouba pra ostentar, pra demonstrar poder numa terra sem lei. Na sua favela, ele é o cara, manda e desmanda, e rouba pra ter mais, não pra suprir a necessidade alimentar. Ele rouba pra comprar droga ou uma camisa de marca, jamais para comprar feijão, por exemplo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aí entra um pensamento meu, que não é baseado em teorias ou pesquisas, o que pode até enfraquecer minha idéia, mas é a questão que o brasileiro tem vergonha da pobreza. Mesmo algumas pessoas mais pobres, &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;gostam de ostentar certa imagem de importância, escamotear sua real situação. Na Rússia, as pessoas não tinham vergonha nenhuma em se assumirem pobres. Tive um rápido relacionamento com uma garota (só passei 3 meses lá) e a sua pobreza nunca foi motivo de vergonha, nem de empecilho, nem de qualquer obstáculo à sua nobreza de caráter. A miséria é deprimente, mas a pobreza chega a ser bonita em sua simplicidade. Conversando com meus amigos, Bebeto e Karuna, discutíamos sobre as aspirações financeiras para o futuro. Ter dinheiro para viajar é uma das maiores satisfações da vida, mas eu confessei pros meus amigos que tinha medo de ter muito dinheiro, porque a pobreza te mantém humilde, e este sentimento de humildade é uma das maiores riquezas espirituais possíveis. É lindo quando nos deparamos com uma pessoa muito rica, que não se envergonha de conviver com pobres, ajudar e participar de seu cotidiano. Mas, possuir uma grande quantidade de dinheiro, te deixa desconfiado dos que te rodeiam, te põe numa defensiva paranoia em relação às amizades e a sensação de poder experimentada pode, quase sempre, te levar à arrogância para com os irmãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu me considero pobre, mas tenho casa própria e um fusquinha, me divirto uma vez por semana, mas sou pobre. É preciso que haja a distinção entre a miséria e a pobreza, e que a segunda deixe de ser uma doença social ou um crime, e passe a ser enxergada com uma riqueza espiritual mais abrangente. Ser pobre é ter o básico. Mas, nosso mundo consumista quer nos empurrar para a catástrofe da competição, que coloca a pobreza no mais deplorável dos estados humanos, estimulando os homens a obter, a qualquer custo, a riqueza material dos seus semelhantes. O Brasil precisa ser, moralmente, repensado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-4720914098976860661?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/4720914098976860661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=4720914098976860661&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4720914098976860661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4720914098976860661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/06/notas-sobre-pobreza.html' title='Notas Sobre a Pobreza'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-669762559297174446</id><published>2011-06-27T16:17:00.002-03:00</published><updated>2011-06-27T16:23:44.667-03:00</updated><title type='text'>Vininha, Velho Saravá</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NqGiYzeOQ8g/TgjYbANzSuI/AAAAAAAAAaQ/f1nN4XCV01I/s1600/vinicius_toquinho.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 312px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-NqGiYzeOQ8g/TgjYbANzSuI/AAAAAAAAAaQ/f1nN4XCV01I/s320/vinicius_toquinho.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622982093198019298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Este é o terceiro disco da série de cinco que prometi postar. Não farei muitos adendos pra não ser repetitivo. Mas, esse "disquinho" de 1974 é uma jóia, todas as composições são agradáveis e com aquela majestade boêmia que os autores constroem, como ninguém. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui em mim, está tudo bagunçado, como sempre. Como é duro trabalhar! Mas, no disco, tudo na mais perfeita ordem, tudo na mais santa paz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vinícius &amp;amp; Toquinho (1974): &lt;a href="http://www.4shared.com/file/92202933/831ed801/1974_-_Vinicius__Toquinho__Philips_.html"&gt;http://www.4shared.com/file/92202933/831ed801/1974_-_Vinicius__Toquinho__Philips_.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-669762559297174446?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/669762559297174446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=669762559297174446&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/669762559297174446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/669762559297174446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/06/vininha-velho-sarava.html' title='Vininha, Velho Saravá'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NqGiYzeOQ8g/TgjYbANzSuI/AAAAAAAAAaQ/f1nN4XCV01I/s72-c/vinicius_toquinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-797374945981080929</id><published>2011-06-12T17:32:00.005-03:00</published><updated>2011-07-12T12:36:28.194-03:00</updated><title type='text'>É Muita Chinfra!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6d4l0sIJbvw/TfUpUhfJKCI/AAAAAAAAAaE/BkgYbmw6EI0/s1600/Trio_pouca_chinfra.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-6d4l0sIJbvw/TfUpUhfJKCI/AAAAAAAAAaE/BkgYbmw6EI0/s320/Trio_pouca_chinfra.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617441542777677858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu prometi postar cinco discos que marcaram meus 3 meses na Rússia, pois bem, com um tanto de atraso vou tentar cumprir minha promessa. Ouvir música faz parte do meu viver, como se fosse uma trilha sonora constante de tudo o que faço. Escuto música até pra estudar, pois creio que a música barroca ajuda, tanto quanto um copo de café, na concentração. Hoje, dedico meu segundo disco da série Viagem à Rússia (calma, eu sei que parece que vou viver de um eterno efêmero passado) ao Trio Pouca Chinfra e a Cozinha, grupo de samba de Recife. O mais recente álbum da Chinfra (2010), é uma das melhores pérolas da música recente do Brasil, e confesso que sinto um tantinho de orgulho do sucesso da rapaziada e vou explicar o por que:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenho muita certeza de qual ano foi fundado o citado grupo de samba, mas minha primeira lembrança do nome Pouca Chinfra foi quando meu velho amigo Carlos "Cacau" Holanda, me convidou pra um sambinha na cachaçaria da Rua da Moeda, Recife Antigo, por volta de 2005. Dizia ele: "Dodô, meu irmão Dedeco, tá tocando num grupo de samba que toca vários covers dos Demônios da Garoa, vamo nessa!" E fomos. Bem, das primeiras lembranças o que fica era aquela impressão de que tudo era improvisado e bagunçado, mas muito legal, levado no peito e na raça. Aos poucos, a pequena cachaçaria ficou pequena pra tanta gente que se espremia naquele calor infernal. Sempre com muita gente bonita acompanhando os shows, a Chinfra foi pro primeiro andar do Pina de Copacabana e, pra variar, casa lotada todas as sextas. O negócio começava a ficar sério e a rapaziada também começou a caprichar nas notas e na percussão. Bem, daí pro sucesso na cidade inteira foi um pulo. Hoje, eles apresentam este disco que vou deixar no final desta postagem pra vocês, muito bem elaborado, com letras inteligentes e uma jovialidade muito boa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse disco do Pouca Chinfra me faz lembrar dois momentos em que o escutei enquanto estava na Rússia. O primeiro foi quando eu estava em Chelny, no Tartaristão. Era uma noite de segunda, estava na transição do inverno pra primavera, fazia -2 graus e eu não queria ficar em casa. Peguei o Ipod e decidi comprar cigarro e uma cerveja, enquanto dava uma volta pela vizinhança. Cheguei no mercadinho e pedi um Marlboro e, envolto na brasilidade da música, esqueci de pronunciar como os russos, ou seja, Marlbara (a letra O em russo, quase sempre tem som de A). A mulher disse que não tinha esse produto. E eu mostrava, "olha ele alí, olha ele alí". Pronto, um cigarro e uma Heinekken de meio litro. Caminhei pelo bairro da Zyab naquele frio e como me sentia próximo do Recife ao escutar a voz do meu amigo José "Macaco" Demóstenes. Poxa, chegava a ficar com olhos marejados ao me lembrar que desde o comecinho, naquela bagunça da cachaçaria, o Pouca Chinfra fazia, agora, um disco tão bonito, que merece ser escutado por todo mundo. A segunda lembrança foi mais alegre, estava caminhando na Avenida Niévski em São Petersburgo, distribuindo sorriso para as beldades que passavam, cheio de auto-confiança. Destaco as músicas "traseirando", "carmelita", "rainha da bateria" e "finarmente". Não duvide, meu caro, minha cara, você pode encontrar boas letras no cenário atual!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.poucachinfra.com/blog/discos"&gt;http://www.poucachinfra.com/blog/discos&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-797374945981080929?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/797374945981080929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=797374945981080929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/797374945981080929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/797374945981080929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/06/e-muita-chinfra.html' title='É Muita Chinfra!'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6d4l0sIJbvw/TfUpUhfJKCI/AAAAAAAAAaE/BkgYbmw6EI0/s72-c/Trio_pouca_chinfra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-7104122142925700675</id><published>2011-06-09T02:42:00.001-03:00</published><updated>2011-06-09T02:42:58.997-03:00</updated><title type='text'>Os Negros da Oficina</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Certas imagens que fazem parte do nosso passado se perdem na trivialidade da rotina, mas hoje, ao conduzir meu velho Volkswagen 78 para a biblioteca da universidade, observei naquela rua de barro, cheia de buracos, que o chefe da oficina que fica há dois quarteirões da minha casa e que funciona desde que me entendo por gente, estava velho, de cabelos brancos, e circundava uma Brasília antiga, meneando sua velha carcaça, buscando soluções. Hoje ele trabalhava sozinho, era manhã alta, umas 9 horas, os seus irmãos deveriam se juntar ao trabalho em breve, talvez estivessem dormindo ou não houvesse, simplesmente, trabalho. É uma oficina mecânica familiar, composta por três irmãos, negros fortes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Durante muitos anos, aquela rua onde os irmãos da oficina trabalhavam, com seus carros velhos, a roupa suja de graxa, a casa escondida entre os pés de acerola e pitanga, com suas esposas e filhos a circundarem a garagem da oficina, a música de Roberto Carlos no começo de noite de domingo, representava pra mim um local de segurança em nosso bairro assombrado por bandidos espertos. Sempre que voltava da faculdade, tarde da noite, entrava naquela rua mal iluminada, apenas por confiar que naquela casa existiam homens fortes e valentes, que nenhum ladrão ou bandido consentiria em traquinar numa rua onde aqueles trabalhadores faziam a defesa do território. Eles eram os paladinos do bairro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Minha visão sobre os negros da oficina tem uma explicação: quando eu era criança, meu pai tinha um pequeno comércio, que infelizmente, nunca deslanchava, mas estava sempre aberto no horário comercial. Passava as manhãs de férias com meu pai e, numa daquelas bem quentes de um dia qualquer, ouvimos um alarido na rua do lado. Uma gritaragem, um escarcéu provocado por uma voz feminina: ladrão, ladrão! O meliante tinha fugido com a bolsa e o relógio da mulher. Meu pai, sempre curioso com esses casos, precipitou-se pra rua e ordenou-me ficar tomando conta do pequeno comércio. Não tive dúvidas, desobedeci e fui atrás do velho. Quando dobrei a esquina, avistei o ladrão caído no chão a ser aporreado, como um cavalo atropelado na estrada é degustado pelos urubus, pelos negros da oficina. O ladrão ficou caído no chão, a polícia foi chamada. Os pertences da mulher foram restituídos. O bandido foi-se no camburão. A população agradecia aos irmãos mecânicos. Eles foram os heróis de uma manhã monótona no subúrbio do Recife.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Minha mãe, mesmo depois de crescido, sempre me orientava: “Vá pela rua da oficina que é mais segura.” Involuntariamente, faço este percurso, como o fiz hoje, embora os negros da oficina já estejam velhos, de cabelos brancos e não se acordem mais tão cedo pra trabalhar.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-7104122142925700675?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/7104122142925700675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=7104122142925700675&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7104122142925700675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7104122142925700675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/06/os-negros-da-oficina.html' title='Os Negros da Oficina'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-5428034529431161061</id><published>2011-04-13T16:39:00.003-03:00</published><updated>2011-04-13T17:02:40.818-03:00</updated><title type='text'>Sleeping with Ghosts</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FwHRfBA6fFc/TaYBTm4zpnI/AAAAAAAAAZY/CjUPTaIarx0/s1600/cover-242219.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 300px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5595161023422375538" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-FwHRfBA6fFc/TaYBTm4zpnI/AAAAAAAAAZY/CjUPTaIarx0/s320/cover-242219.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu começo a postar uma série de cinco discos que são a trilha sonora desses meus últimos meses. Peço perdão a quem costuma visitar o blog, mas nesses três meses de Rússia não tenho tido tempo para refletir. Até as leituras estão deficitárias. Comprei três livros e acho que só &lt;em&gt;Palomar&lt;/em&gt; de Italo Calvino vai voltar pro Brasil com o carimbo de finalizado. A boa notícia é que estou falando russo muito bem, quer dizer, falo de tudo, mas gramaticalmente ainda erro bastante. O russo não é uma língua fácil. Bem, mas esse não é tema da postagem. Na verdade, por falta de assunto e de tempo para refletir, quero dividir alguns discos com vocês que, de certa maneira, estiveram comigo nesses últimos meses. Para começar, escolhi esse do Placebo. Acho que foi o disco que mais ouvi no Ipod. Um disco cheio de energia, de arranque e de chegada. Talvez o melhor disco do Placebo, certamente o mais jovial e agressivo. No meu segundo dia em Naberezhnye Chelny, resolvi fazer uma caminhada inóspita. Andar do shopping Torgovyi Kvartal até meu apartamento, apenas 40 minutos, nada de impossível se não fosse a temperatura de menos 36 graus no termômetro oficial da Prefeitura. Era cinco da tarde e já estava escuro, muito escuro, um vento malvado queimava o pequeno pedaço de pele que ficava descoberto que ia da metade da testa até o queixo. Ardia, ardia demais. Eu usava duas calças e uma cueca e os testículos doíam como se quisessem buscar abrigo dentro do corpo. Os ossos da perna caminhavam cada vez mais rápido para se aquecerem. Na verdade, eles tremiam. Mas, eu estava decidido a enfrentar o frio. Quando li &lt;em&gt;Senhores e Servos&lt;/em&gt; de Lev Tolstói, me inquietava desconhecer aquele frio assassino que fustigava os homens no alto inverno russo. O corpo dóia, a pele do rosto ficava dura e enrugada. "Mas mesmo assim eu vou, eu vou." E me embalava esse disco do Placebo, uma música decidida, triste e raivosa como a aparência do inverno. E cheguei em casa, quarenta minutos depois, e pensei: que discaço! E passei a escutá-lo com frequência. Taí o recado, quem quiser baixar, segue o link abaixo:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;http://www.4shared.com/file/250045058/301ac77/Sleeping_With_Ghosts__2003_.html&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-5428034529431161061?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/5428034529431161061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=5428034529431161061&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5428034529431161061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5428034529431161061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/04/sleeping-with-ghosts.html' title='Sleeping with Ghosts'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-FwHRfBA6fFc/TaYBTm4zpnI/AAAAAAAAAZY/CjUPTaIarx0/s72-c/cover-242219.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1738675942121798486</id><published>2011-03-31T11:02:00.003-03:00</published><updated>2011-03-31T11:14:27.177-03:00</updated><title type='text'>Sossuil'ka</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MF9yF45IJUE/TZSKLSKraUI/AAAAAAAAAZQ/yYi2IFjzoc0/s1600/100_0324.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590244963933448514" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-MF9yF45IJUE/TZSKLSKraUI/AAAAAAAAAZQ/yYi2IFjzoc0/s400/100_0324.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:'Times New Roman', 'serif';" &gt;Oficialmente, estamos na primavera há mais de uma semana. Mas aqui, na Rússia, o inverno é forte e tarda a findar. Um amigo me escreve da cidade de Colônia, na Alemanha, e anuncia que a primavera é linda e que de dia, aconchegantes quinze graus são sentidos no caminhar pelas ruas ensolaradas da primeira semana da primavera. Aqui, ainda agora enquanto escrevo, neva. Aliás, desde que o tempo esquentou, neva quase todos os dias. Quando fazia -36 graus, no final de fevereiro, não nevava, aliás, nada caía do céu, apenas a secura intolerável do ar que queimava a pele com rudeza e obstinação. Mas agora, é tempo de transição, de meio-dia faz +3 e de noite -3, e nesse esquenta-esfria, também o gelo entra na dança e se mostra através da Sossuil’ka.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:'Times New Roman', 'serif';" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:'Times New Roman', 'serif';" &gt;A Sossuil’ka é uma espécie de estalactite de gelo facilmente encontrada em qualquer telhado de qualquer cidade russa. É resultado do derretimento do gelo quando o sol aparece de dia e do esfriamento do tempo, do fim da tarde até a manhã seguinte. Surgem belíssimas formas de estalactites penduradas sobre os telhados. As crianças adoram chupar Sossuil’ka. Mas, a palavra de nome inofensivo, amiga das crianças, é, na verdade, um grande perigo aos moradores das cidades. Enquanto andamos preocupados olhando para o chão, com medo de levarmos um escorregão nas placas de gelo que ficam sobre a calçada, a Sossuil’ka está sobre nossas cabeças, muitas vezes tomando proporções inimagináveis. Na semana passada, na cidade de Tver, uma senhora estava sentada num banquinho de praça quando uma imensa Sossuil’ka caiu do telhado de um prédio e lhe afundou o crânio. A pobre senhora faleceu na hora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:'Times New Roman', 'serif';" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:'Times New Roman', 'serif';" &gt;Esse mês de abril será um mês de mudanças profundas no cenário russo. O gelo, finalmente, vai derreter e dará espaço para o tímido surgimento dos primeiros brotos nas árvores, já pela última semana de Abril. Amanhã inicia-se o mês e ainda temos temperatura abaixo de zero, temos muita mokra (lama), neve e Sossuil’ka. Mas, ao final do mês, teremos o renascimento do verde e a ampliação dos dias. Quando cheguei aqui no Tartaristão, o sol se punha às 15:45, hoje ele se põe depois das 18h, isso num intervalo de um mês e meio. No começo de maio, os dias findarão mais tarde, o sol se porá às 22, 23 horas. É no final de maio que teremos as famosas Noites Brancas em Petersburgo. Pena que não estarei mais aqui. Minha passagem pela Rússia é curta, como a Sossuil'ka,’mas espero que perene, e que eu cá esteja noutra oportunidade. Estou planejando uma última viagem pela Rússia. Tenho medo do dinheiro não ser suficiente, mas mesmo assim eu vou. A viagem se iniciará em 18 de abril, saindo daqui de Naberezhnye Chelny e indo pra belíssima cidade de Samara, onde pretendo ficar uma semana. No dia 24, pego um trem para o norte, ainda não me decidi pra onde, mas meu coração chama por Velikyi Novgorod, a cidade mais antiga de todas as Rússia. Lá, posso encontrar lindos conventos e monastérios. A cidade é conhecida como a capital ortodoxa da Rússia. Novgorod é caminho para São Petersburgo, onde já tenho hospedagem na casa de uma amiga entre 30 de abril e 5 de maio. Após isso, posso ficar mais dois dias na capital de Pedro ou partir para o centro do país, em direção à Moscou, ao fim da viagem, à volta pro Brasil, ao derretimento final deste sonho, Sossuil’ka.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1738675942121798486?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1738675942121798486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1738675942121798486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1738675942121798486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1738675942121798486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/03/sossuilka.html' title='Sossuil&apos;ka'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MF9yF45IJUE/TZSKLSKraUI/AAAAAAAAAZQ/yYi2IFjzoc0/s72-c/100_0324.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3923717703850607557</id><published>2011-03-09T02:26:00.003-03:00</published><updated>2011-03-09T02:34:07.458-03:00</updated><title type='text'>A Volta de Kazan</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Nevou, insistentemente, durante todo o fim de semana em que estive em Kazan. As ruas se cobriram de um branco novo, recém-chegado dos céus. Mas, é fim de inverno, a neve é molhada, quente, pedindo pra virar chuva, e transforma as ruas da cidade em deslizante lamaçal. Ainda assim, para o olhar de um nordestino, tudo se afigura em novidade e deleite por um inverno antes apenas imaginado. As calçadas se cobrem, ora de uma tímida camada escorregadia de gelo, ora de um fofo tapete branco, e a milenar cidade se traveste de sonho, moldando suas arquiteturas na onipresente neblina.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;As cidades são corpos imensos, e como corpos, movem-se pela presença de um espírito, a alma da cidade. A alma de Kazan, se posso me arriscar a conhecer apenas por ter visitado por três dias em que a mesma se encontrava debaixo do branco véu, é harmoniosa. Diferente de Moscou, não possui tanto tráfego, multidão apressada, minhocas de aço a amaciar suavemente o subsolo de sua morada. Kazan é grande e pequena, naquilo que os adjetivos podem alargar de mais positivo. Ao andar por suas ruas, meu coração palpitou, assanhado, que aquele era o lugar desejado pra se viver por um bom tempo. Mas, em respeito à atmosfera onírica da capital tártara, vou-me embora antes que a realidade desfaça o sonho, e já escrevo de um ônibus velho que, cambaleante, atravessa o sertão gelado da minha solidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Entrego minha vida às mãos de um motorista pitoresco, com os dedos da mão direita tatuados, provavelmente indicando que o mesmo fez/faz parte dessa ou daquela máfia russa. O homem nã&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-abqDQotPbqU/TXcQMojp6tI/AAAAAAAAAZI/-p3dxTztrrw/s1600/100_0530.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581948072380459730" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-abqDQotPbqU/TXcQMojp6tI/AAAAAAAAAZI/-p3dxTztrrw/s400/100_0530.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;o tinha sequer um dente natural, todos de prata. Imaginei que aquele homem, talvez, tenha perdido os dentes numa briga de gangues e se afastara da vida bandida e hoje era motorista de ônibus, entre Kazan e Naberezhnye Chelny. A idéia se esvaiu quando tive que concordar com o sujeito, em seu prateado sorriso, que Pelé e Ronaldo eram brasileiros. Eu já estava dentro do ônibus velho, sentado ao lado de uma babushka espaçosa, torcendo pra que o motorista pitoresco fizesse as curvas mais devagar naquela pista alva e escorregadia. Lá fora, árvores sem vida, campos sem grama, a natureza hibernante e silenciosa. Aqui dentro, uma multidão quente de cidades, lembranças, soluços. E tudo o que escrevo é um inatingível esforço pra construir uma imagem perdida, marejada, de um intraduzível presente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3923717703850607557?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3923717703850607557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3923717703850607557&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3923717703850607557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3923717703850607557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/03/volta-de-kazan.html' title='A Volta de Kazan'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-abqDQotPbqU/TXcQMojp6tI/AAAAAAAAAZI/-p3dxTztrrw/s72-c/100_0530.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6354630259526288638</id><published>2011-03-02T06:22:00.000-03:00</published><updated>2011-03-02T06:23:49.321-03:00</updated><title type='text'>12 dias</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Após doze dias na Rússia, hoje pela manhã, tive a gratificante surpresa de me deparar com uma neve fininha, quase como uma garoa de algodão. As ruas cobertas de um veludo branco vislumbraram-se mais bonitas. Vinícius de Morais e Toquinho no ouvido e não havia habitante mais feliz naquela cidade tão óbvia. Escrevo de um shopping. Nunca frequentei tanto esse espaço na vida, como aqui na Rússia. É difícil ficar mais do que 30 minutos caminhando na rua. Os primeiros dez minutos são agradáveis, mas a constância do frio maltrata a pele.Acordei cedo pra ir na rodoviária comprar minha passagem para a antiga cidade de Kazan, capital do Tartaristão. Kazan é um cidade de longa história e tradição. Todos dizem que é uma cidade muito bonita, diferente da cidade em que vivo, Naberezhnye Chelny. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Naberezhnye Chelny é uma cidade projetada na era soviética. É uma imensa COHAB. No período soviético chamava-se Brezhnev. A cidade é dividida em complexos, todos com quatro, cinco ou seis prédios, todos iguais. Apesar de não ser uma cidade grande, tem quase 600 mil pessoas, mas eu me sinto mais perdido aqui do que em São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo. As ruas são todas iguais e os prédios também. A única construção que se destaca na paisagem é a torre de negócios chamada Tubiteika, que para minha imensa sorte, fica do lado do apartamento onde&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;moro, então sempre me posiciono pela torre. Como a cidade não oferece atrações turísticas, devido à obviedade de sua existência, quando as pessoas me encontram na rua, me transformo num estrangeiro numa cidade de interior. Desta constatação, resultam duas possibilidades: ou as pessoas são muito amáveis, ou são chatas e mal-educadas. Na grande maioria das vezes, as pessoas são extremamente gentis e bem educadas, apenas um bêbado ficou gargalhando comigo quando me escutou pedir uma água mineral num barzinho perto de casa. Sua risada era provocadora e ele queria confusão. Mas, cá entre nós, a última coisa que quero num país distante é parar na polícia por causa de briga, coisa que nunca aconteceu nem no Brasil. Deixei passar. Para se ter uma idéia da excentricidade que minha estadia aqui representa, anteontem, concedi uma entrevista para a TV local! Eles queriam saber o que um brasileiro estava fazendo em Chelny, porque escolheram aquela cidade que nenhum estrangeiro escolhe. Contei um pouco da minha vida pra eles. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Tenho muita vontade de ficar aqui na Rússia, mas não em Chelny. Vou terminar meu estágio de dois meses e já estou correndo atrás de algum emprego em algum lugar. Gosto do frio, gosto do inverno, das pessoas. Meu russo melhora a cada dia, progressivamente. Tinha medo de não me adaptar ao clima, mas já me sinto triste pelo ocaso próximo do inverno. É muito gostoso andar aquecido no frio, as noites de sono são pacíficas e sem pesadelos. A maior dificuldade é andar. No meu segundo dia eu levei quatro quedas na rua. Há 8 dias eu não caio porque aprendi que em certos trechos não se deve andar, mas patinar. Se quiser andar com dureza, certamente vai cair. O caminhar tem que ser leve e escorregadio. As coisas aqui são mais baratas que no Brasil, mas só aqui em Chelny. Em Moscou, tudo foi muito caro, desde a compra de um chapka (chapéu típico de inverno) até os lanchinhos numa cafeteria. Às vezes, bate uma tristeza, mas é normal. Não é tristeza de saudade, ainda, mas é uma solidão de algo inexplicável, talvez a falta de alguém que aqueça o coração. Não sei. Paro por aqui, esse foi meu 12º dia, é bom escrever em português porque até quando sonho tem sido em língua estrangeira, só falo inglês e russo, o tempo todo. Sem mais, um abraço a todos e vamos trocando notícias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Do Zvedanya, druz’ya!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6354630259526288638?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6354630259526288638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6354630259526288638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6354630259526288638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6354630259526288638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/03/12-dias.html' title='12 dias'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1688579731688799523</id><published>2011-02-28T16:10:00.004-03:00</published><updated>2011-03-01T04:54:45.549-03:00</updated><title type='text'>Agradecimentos da Disssertação</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;Em primeiro lugar, agradeço este trabalho a minha mãe, Francisca Alvino de Lima Barreiro, que nunca se esquivou das dificuldades e agruras financeiras para nos proporcionar (para mim e minha irmã, Maria Ercília) uma educação de boa qualidade. Minha mãe é a pessoa mais presente e minha maior incentivadora. Também agradeço ao meu pai, Odomiro Barreiro Fonseca, homem sertanejo, o mais velho dos cinco filhos de José Barreiro, e por ter tido esta sina primogênita, teve que cuidar da roça e não pôde estudar mais do que até o ginásio. Mas, se orgulha de ter financiado os estudos dos irmãos mais novos com o suor de seu trabalho campesino. Meu pai é uma fonte inesgotável de sabedoria popular e das lendas que habitavam o cotidiano dos moradores do Vale do Piancó, no sertão paraibano. Também não posso deixar de citar meu avô materno, Emílio Martins de Lima, o meu “Ulisses”, que não pensava duas vezes em juntar uma família de quatorze filhos e lançar-se mundo afora em busca de dias melhores. Ele, que naquele “sertão brabo” sempre ouvia piadinhas do tipo: “Escola é pra filho de rico, homem!” E não havia maior riqueza do que aprender com os livros, onde a palavra era alimento imperecível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;Também quero agradecer a professora Christine Dabat do Departamento de História da UFPE, por ter acreditado em mim quando eu mesmo duvidava da possibilidade de engatar minha pesquisa. Com sua freqüente doçura e sinceridade, disse-me que não poderia ajudar-me, mas indicou um professor que talvez o pudesse. Numa tarde de quinta-feira, bati pela primeira vez à porta do professor Lourival Holanda. Porta sempre aberta, escancarada, porque seu espírito tem fome de comunhão, sua sabedoria é desapegada e com imensa facilidade transformava os mais hermético dos temas em suave poesia em sala de aula. Quando por longa e desconhecida estrada andamos, norteamo-nos pelos signos de segurança. O professor Lourival orienta por sua simples presença. E, entre nós, norte e oriente só nos podem levar à Rússia. Obrigado, Professor!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Também quero dedicar homenagem aos meus amigos, especialmente Rodrigo Acioly Peixoto e Daniel Oliveira Breda, com quem aprendi muito, fosse numa discussão séria ou numas de nossas jornadas carnavalescas. Também quero deixar registrada a importância de Mariana Azevedo, Danielle Camelo, Daniel Duarte, Antonioni “Spengler” Martins, Hugo José, Janaína Guimarães, Manuela Oliveira, Tiago e Hugo Perez, Bruno Vila Cruz, Ricardo Hermes, Manuel Souto Maior, Cristiano Randau, Tiago Peixoto, Alberto Rio, Karuna Sindhu, Henrique Viana Brandão, Yuri Holanda, Ursulla Machado, Mariana e Patrícia do Amaral, Marcela Vieira, Carlos “Cacau” Holanda, Michely Peres, Diogo Luna, Hannah Lima, Edson Alvino, Paulo Emilio Lima Cirilo, José&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Alvino, Emilio Melo... Ainda tantos merecem destaque, mas os que não citei hão de me perdoar e se espelharão certamente noutros que aqui foram citados. Uma ressalva a Juliana Pinheiro, a “culpada” de ter colocado Dostoiévski no meu caminho e aos colegas do mestrado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;Agradeço aos professores que me inspiraram desde a infância até a universidade. Não quero terminar esse trabalho sem lembrar do professor Michel Zaidan Filho, Antônio Paulo Rezende, Marcus Carvalho, José Maria, Anco Márcio Tenório, Ermelinda Ferreira, Saulo Neiva, Roland Walther e todos os outros da PG Letras, alguns dos quais não tive oportunidade de ter aulas e me aprofundar em seus conhecimentos. Com todo carinho, registro a importância da professora Larissa Shevchenko, minha professora de russo, por me aproximar a cada semana do universo da cultura russa. Também agradeço a professora Elena Vássina, pelo suporte, mesmo de longe, às minhas pesquisas e pelos convites para participar dos congressos. Agradeço aos órgãos fomentadores de bolsas para os estudantes, pelo suporte financeiro nessa difícil jornada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 150%; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial', 'sans-serif';color:black;"&gt;Quero finalizar, agradecendo a um escritor que há 130 anos não está entre nós. Pode parecer estranho homenagear o objeto da pesquisa. Mas, se não fosse o amor que dedico à obra de Dostoiévski não sei se suportaria conviver oito, às vezes dez horas por dia, com sua densa escrita e sua presença de chumbo. O que mais me admira na personalidade do escritor é o seu sincero amor e entrega na execução de sua arte. Abandonou uma vida segura de engenheiro militar para criar um coral de vozes atormentadas, que em seu sofrimento e aflição, nos ensinam verdadeiras lições à respeito da vida. Obrigado, Mestre e mestres!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1688579731688799523?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1688579731688799523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1688579731688799523&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1688579731688799523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1688579731688799523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/02/agradecimentos-da-disssertacao.html' title='Agradecimentos da Disssertação'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2600311612722433588</id><published>2011-02-21T19:04:00.003-03:00</published><updated>2011-02-21T19:34:31.587-03:00</updated><title type='text'>Próxima Estação: Esperança</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Pois bem, as grandes cidades se parecem demais umas com as outras: muito trânsito, corre-corre e a distância contratual da coletividade. Desembarquei em Moscou às 2 da madrugada do dia 18 de fevereiro. Fazia menos 24 graus. As ruas escorregadias por causa do gelo eram o primeiro obstáculo, o frio incendeava o rosto. Cheguei na casa das gentis Anna Voronkova e Cecília Rosas e fui imensamente bem tratado. Parti para o centro, sempre escorregando nas calçadas até chegar na Biblioteca Lênin. Adivinhem quem estava à porta? Ele mesmo, totalmente por acaso, me deparei com a estátua, imensa, de Dostoiévski. Subi no montante de neve para me aproximar da estátua do Mestre e, simbolicamente, escorreguei. Embora nas conversas coloquiais os russos não afirmem dar tanta importância aos clássicos da literatura, eles estão em todo lugar, como estátuas, est&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;ações de metrô, avenidas e museus. A companhia das anfitriãs, acrescidas de Ilona Elufimova e Nikita Kuldiushev, tornaram o passeio agradabilíssimo, apesar dos quase menos 30 graus. Hoje eu entendo o porque do aspecto espectral, fantasmagórico, de São Petersburgo nas novelas de Gógol e Dostoiévski: o frio deixa as luzes dos carros, dos postes e das casas borradas. Parece que estamos dentro de um sonho...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nesse momento em que escrevo sâo 03:42 da madrugada, estou no trem que cruza a província de Vladímir. A paisagem é monótona, neve e árvores delgadas com as copas brancas. O maquinista disse que está fazendo menos 35 graus. Estou viajando no mais barato&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;compartimento do trem, no último vagão. Num pequeno espaço existe uma família de homens (avô, filho e dois netos de aproximadamente 9 e 11 anos). Além deles, uma senhora com olhar triste e que não puxou conversa em momento algum. Quando disse que era brasileiro, o filho de 32 anos, à moda russa, encheu um copo de vodca, pegou um pedaço de pão preto, uma linguiça de bode e um dente de alho, e me ofereceu. Não pude negar, era um tratado de amizade, além do mais vamos passar ainda 20 horas nesse cubículo, dividido em seis camas, três beliches. Minha cama fica na parte de cima de um beliche e só cabe minhas malas. Por isso escrevo, mesmo após três viagens de avião, um dia agitado e congelado em Moscou, não consigo dormir por cima das malas. O espaço é realmente pequeno, menor do qualquer cozinha no Brasil. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Para mim, apesar desse “infortúnio”, está sendo a melhor parte da viagem. Ninguém aqui fala inglês e todos querem falar comigo, me escutar com meu sotaque diferente, saber o que estou indo fazer no Tartaristão... O trem é antigo, com todo o jeitão soviético: tudo parece ter ao menos quarenta anos de utilização. Está muito frio, de verdade. No meu netbook são 21:56, ainda está no horário da terra natal. No Brasil, em Recife, meus amigos estão partindo para alguma curtição pré-carnavalesca. Mas, me sinto tão entusiasmado que não há comparação. Estou cercado de pessoas muito simples, num cubículo, mas eles fazem questão de dividir suas comidas, histórias e explicar que aquilo é típico de tal lugar e falam de suas vidas, assim como nós, brasileiros. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No final do trem tem a área de fumantes e lá não tem aquecimento, faz um frio de congelar e endurecer o corpo. As paredes de metal, absorvem o frio que está lá fora, de forma que este cubículo, o derradeiro espaço do trem, parece muito mais um frigorífico do que uma área de &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-77w-Vp20To0/TWLmEEmAd7I/AAAAAAAAAZA/93fvIzw1Cak/s1600/183492_1839179708916_1523232960_32021940_8353841_n.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-77w-Vp20To0/TWLmEEmAd7I/AAAAAAAAAZA/93fvIzw1Cak/s400/183492_1839179708916_1523232960_32021940_8353841_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576272246265116594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;fumantes. O limite tolerável é fumar um cigarro e sair. Há uma pequena janela, toda coberta de gelo, com a mão e o isqueiro faço um buraco no gelo e consigo visualizar a estrada que fica para trás. A lua cheia e a neve branca formam um cenário límpido, encantador. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;No meio da madrugada, sozinho, frequentei este lugar inóspito e hostil e eis que foi o lugar que mais gostei. A todo tempo trens carregados de vagões cheios de minerais e gás passam na direção contrária, em direção à Moscou. Os comunistas criaram uma organização ferroviária que a Rússia atual dificilmente conseguiria igualar. Os brasileiros socialistas criticam a União Soviética, mas se vissem a estrutura organizacional das ferrovias e os destinos que conseguem dar à suas riquezas minerais, toda a organização do país é da época do exército vermelho. Aliás, a Rússia querendo ser ocidental é a parte mais chata desse processo de conhecimento. A música pop russa, aquela que toca nas rádios, shoppings e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;bares, é insuportável. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vou abandonar esta escrita, minhas costas já estão doendo. Todos estão dormindo no trem, em seus cubículos entupidos de gente e malas. Estou escrevendo da entrada do banheiro, o penúltimo cubículo deste último vagão, o último vocês já sabem qual é. Fico a imaginar os soldados russos partindo para a guerra, na época não tinham aquecedor no trem, a velocidade do trem faz com que o frio seja ainda maior. A bateria do netbook também está no fim, tenho tantas coisas pra dizer da viagem de trem, mas vou deixar pra outra ocasião. Estar entre as pessoas simples me faz feliz aqui, apesar das adversidades. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Consigo conversar com eles. Em três horas bebendo vodca, petiscando e conhecendo a família que vive comigo no cubículo, aprendi mais russo do que um ano inteiro no Brasil. O melhor é que estou entendendo suas conversas e me fazendo entender. Depois eu conto mais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Do Zvedanye, Brazilya!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2600311612722433588?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2600311612722433588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2600311612722433588&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2600311612722433588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2600311612722433588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/02/proxima-estacao-esperanca.html' title='Próxima Estação: Esperança'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-77w-Vp20To0/TWLmEEmAd7I/AAAAAAAAAZA/93fvIzw1Cak/s72-c/183492_1839179708916_1523232960_32021940_8353841_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6729513573490742191</id><published>2011-01-18T20:24:00.002-03:00</published><updated>2011-01-18T20:33:34.215-03:00</updated><title type='text'>Allegro Molto e Vivace</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Reconhecidamente desconhecedor da música erudita em sua forma, embora apreciador dos seus estímulos sonoros, posso compreender que o movimento &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Allegro&lt;/i&gt; se diferencia do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Adagio &lt;/i&gt;pela velocidade mais acelerada de execução dos músicos, por exemplo. Pois bem, escolhi esse movimento para dividir com vocês, leitores do blog, minha atual condição de euforia, júbilo e esperança. O novo ano é como uma primavera aguardada por longos meses de solidão. Sinto a chegada do frescor primaveril e do desabrochar de sua existência. Então, vamos celebrar a abertura de uma nova jornada! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Neste mês de fevereiro, mais precisamente no dia 14, estarei defendendo minha dissertação de mestrado, sob o título “A Cidade de São Petersburgo na Obra do Jovem Dostoiévski”, onde tratei do conflito entre a tradição idealista alemã, da literatura fantástica, com o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;recente&lt;/i&gt; fervor socialista baseado nas idéias francesas utópicas de Saint-Simon, Fourier e Proudhon, na literatura naturalista. Este confronto de idéias e de formas e estruturas literárias formularam um turbulento e agressivo choque de convicções na cabeça do jovem, intempestivo e promissor escritor. A dissertação, a meu ver, poderia ter ficado mais esmerada, mais alongada, mas esta necessidade de entregar no prazo é o maior obstáculo que todo estudante de pós-graduação encontra. Reconheço que haverão falhas, talvez em demasia, ausências. Mas, também tenho certeza que a execução desta obra se deu de maneira integral, com amor e dedicação. Ficar, às vezes mais de dez horas por dia, na companhia de Dostoiévski não é uma tarefa divertida ou gáudia, mas um exercício de amor à sua literatura e de respeito aos seus ensinamentos, embora discordemos de seu afã religioso. Tenho certeza que a defesa desta dissertação não será um ponto final na minha relação com o escritor, mas uma vírgula, rápida, na tomada de novas perspectivas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Estudar um escritor estrangeiro sem conhecer sua língua materna de modo profundo, é uma deficiência que o pesquisador deve se imbuir em dissipar. Na língua original, o autor demonstra sua rudeza ou suavidade de seus personagens, aproxima-nos de seu cotidiano contextual através do uso da palavra. Há quase sete anos, tenho, lentamente, me aproximado deste universo linguístico da obra de Dostoiévski através dos meus estudos da língua russa com o auxílio da excelente professora Larissa Chevtchenko, aqui em Recife. Mas, sempre me faltou uma experiência de convivência com a língua, escutar diferentes vozes, gírias, dialetos, neologismos e provérbios. Aproximar-me mesmo do povo, estar lá, conhecer a cultura de perto, interferir e deixar-se impactar. Pois bem, essa hora chegou! No dia 17 de fevereiro, três dias após a defesa do mestrado, estarei viajando para a Rússia, para trabalhar durante quase três meses numa ONG internacional chamada AIESEC. Lá, junto com mais nove estudantes de&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TTYi4TpsaBI/AAAAAAAAAWc/0qv_J4tKvoY/s400/800px-Naberezhnye_Tchelny_1.JPG" style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 400px; height: 225px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563672740405995538" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;diferentes regiões do mundo, vamos assumir as aulas de inglês da rede pública de ensino e seremos embaixadores culturais de nossos países e continentes. A Rússia é um país que, recentemente, tem mostrado uma triste face xenófoba, agressiva e repugnante. O projeto em que estaremos envolvidos tem a intenção de levar conhecimento aos jovens das escolas públicas, para que enxerguem nos negros, latinos, chineses, paquistaneses e etc, irmãos da mesma espécie, da mesma raça humana.&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Estarei em breve me mudando para uma região de uma impressionante riqueza cultural. Não vou para Moscou ou São Petersburgo, metrópoles mundiais, mas para a cidade de Naberezhnye Chelny, na República do Tartaristão, o país dos tártaros. Quando meu avião desembarcar em Moscou (assim espero!), enfrentarei uma viagem de 22 horas de trem em direção ao oriente, ao leste, em direção aos Montes Urais, passarei pela antiga e importante cidade de Kazan, capital-mãe dos tártaros, e chegarei 250 km depois, a cidade de Chelny, com seus quase 600 mil habitantes, seis vezes menor do que Recife. Esta semana que passou, a temperatura alternou entre -22 e -12º celsius. Mas, para ser sincero, quero mesmo sentir este frio agressivo na pele. No seu conto &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Senhores e Servos&lt;/i&gt;, Lev Tolstói pinta de forma magistral a convivência do povo com o frio extremo e, ir na Rússia e não sentir o frio a machucar, queimar a pele, não seria a mesma coisa. Também preferi viajar de trem, mesmo sabendo que a viagem para Chelny de avião poderia durar apenas 1 hora e meia, eu ainda prefiro ver o país pelas brancas imagens que se afigurarão pela janela do rápido que me levará ao país dos tártaros. Quando partiu de Varsóvia para Petersburgo, o príncipe Míchkin via pela janela do trem essa mesma monótona paisagem gelada... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Mas, estar no Tartaristão será diferente de estar noutras regiões da Rússia. É uma região dividida entre a cultura muçulmana e o cristianismo ortodoxo, de um povo de etnia miscigenada, parte otomana, parte mongol e parte eslava. Dizem que dessa mistura, surgem as mais belas moças russas. Certas opiniões só poderei conferir de perto, ainda bem! Esta região é antiga, era território dos Búlgaros do Volga no século IX d.C. Este povo nada tem a ver com o atual país localizado no Mar Negro. Estarei no limite entre a placa européia e a placa asiática. Os Montes Urais são consequência desse encontro de placas tectônicas. Certamente, terei muitas histórias para contar e espero dividi-las com vocês, não como um diário de viagem ou um álbum de fotos, mas contar um pouco da História dessa região, dos lugares onde passarei, daquilo que julgar relevante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;Estou viajando de peito aberto, mas consciente que tenho que voltar para cá, para o Brasil. Tenho família, grande amigos, laços culturais e perspectivas aqui. Ainda quero voltar a estudar a obra de Dostoiévski, desta vez com um novo tema que não posso dividir ainda com vocês, mas hei de fazer quando as coisas estiverem bem encaminhadas. Confesso que se houver a possibilidade de ficar mais um tempo, vou tentar ficar mais uns meses, quem sabe... Quero agradecer aos meus familiares e amigos, pois sem vocês e suas ajudas financeiras e motivacionais, essa viagem seria impossível, com absoluta certeza. A vida segue, fazemos planos e projeções, mas sem a garantia de que realizaremos. A primavera está aí, outra sessão se inicia, o eterno retorno das vontades humanas. Eu apenas quero viver um pouco mais, adiar o xeque-mate inevitável da morte nesta angustiante partida de xadrez. Allegro!&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6729513573490742191?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6729513573490742191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6729513573490742191&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6729513573490742191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6729513573490742191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2011/01/allegro-molto-e-vivace.html' title='Allegro Molto e Vivace'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TTYi4TpsaBI/AAAAAAAAAWc/0qv_J4tKvoY/s72-c/800px-Naberezhnye_Tchelny_1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2052740148397683706</id><published>2010-12-27T21:46:00.005-03:00</published><updated>2011-01-02T22:07:52.263-03:00</updated><title type='text'>Cosmos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Viver sem questionar a existência e a localização de nosso espírito no universo que nos circunda, deve ser uma maneira um tanto vazia de atravessar a vida, creio eu. Estamos cercados pelo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;desconhecido&lt;/i&gt;, e sua presença oculta nos leva a formular as mais diversas formas de superstição, mitos e lendas religiosas em torno daquilo que não podemos explicar, das coisas que extrapolam nosso alcance, da metafísica. Uma ida ao jardim de casa, lugar habitual, pode revelar a grandeza de um universo nunca antes explorado por nossos olhares descuidados. As raízes das plantas sugando alimento da terra, circulando por seus galhos, as formigas carregando folhas, as gotas da chuva a revirar o solo, misturando os elementos. Eu passei toda a vida a andar pelo jardim, mas apenas recentemente me apercebi do volume de vida existente naquele pequeno espaço do universo. E, ainda assim, não consigo formar mais que um minúsculo panorama dos acontecimentos que se desenvolvem naquele pequeno espaço o tempo todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TRkz8OM_0-I/AAAAAAAAAWU/l3Iv0uHxRyY/s320/Stalker-laydown.gif" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 241px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555528725035996130" /&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;No filme &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Stalker&lt;/i&gt;, de Andrei Tarkovsky, o protagonista, ao chegar na Zona, abraça a terra, agarrando-a entre seus dedos, esfrega o rosto contra o chão. Parece buscar uma relação com a natureza, justamente num local proibido aos homens, já que a Zona tem suas fronteiras vigiadas. A vida moderna nos proporcionou um distanciamento da natureza, do contato direto com a matéria viva que nos circunda. Trancados em nossos prédios e repartições, esquecemos que os nichos ecológicos, florestas e oceanos, estão em atividade constante e que dependem de nossas atitudes para que continuem existindo. Na grande cidade, motivado pela busca incessante do lucro, da racionalidade e oprimido pela burocracia, achamos que a vida só se dá no curto intervalo de tempo em que somos adultos gananciosos. Estados brasileiros como Tocantins e Mato Grosso, por exemplo, estão sendo avassaladoramente devastados por fazendeiros de soja e criadores de gado, aleijando assim, o mais importante centro de equilíbrio da parte não submersa do planeta. Tudo em nome do lucro de uma geração, desses agricultores do presente, que pouco se importam com o futuro dos que estão por vir, nossos filhos. &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Recentemente, me deparei com uma série que foi ao ar na televisão nos anos 1980, chamada Cosmos, comandada e idealizada por Carl Sagan. Seus treze capítulos desnudam o universo em que vivemos desde o surgimento da primeira molécula até a mais remota e inimaginável esquina do espaço sideral. Nossa época é um período de crise, de tensão. Sei que é batido repetir esse tema: crise, pós-modernidade, morte do homem... Mas, desde a Segunda Guerra Mundial, ficou claro que chegamos num limiar de tecnologia destrutiva que, se mal utilizado, pode decretar o fim da raça humana. Carl Sagan nos mostra em sua série, o quão milagrosa é a vida no nosso planeta, se comparada com tudo o que nos circunda, principalmente com os planetas mais próximos: o abrasador Vênus, e o poeirento e frio, Marte. O desenvolvimento das eras geológicas, dos desdobramentos da biologia e da química natural, proporcionaram o aprimoramento das constituições genéticas, as adaptações climáticas, até que chegássemos em nós, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;homo sapiens&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;, que escrevemos e pensamos nossa existência, que projetamos o futuro, que contamos histórias de tempos quase esquecidos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Mais do que qualquer religião ou pregador fanático, essa série desnudou aos meus olhos o milagre da vida, desde o mais microscópico elemento que circula pelos meus vasos capilares, até o mais distante dos milhões de sóis que existem nas galáxias mais distantes das infindáveis raias celestiais. O nosso planeta é pequenino. Mas, ao observarmos as imagens e condições dos outros, como ele se torna maternal, aconchegante, vital. É o único pontinho miúdo neste oceano infinito do céu em que a vida pode desabrochar. Poxa, nesses últimos três dias, surgiu em mim um carinho diferente pela Terra. Por isso, quero dividir essa experiência com vocês. Baixem os episódios e assistam. O cosmos é uma palavra tão abrangente que não me arrisco a explicá-lo em rápidas palavras. Carl Sagan precisou de treze episódios para transmitir a importância deste conjunto de forças visíveis e invisíveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Guerra e Paz (Voyná i Mir)&lt;/i&gt;, Tolstói escreve um longo enlace da relação do povo com o solo materno. Quando os russos expulsam Napoleão, não estavam reconquistando apenas o território onde dormiam e plantavam e viviam, mas algo ainda mais grandioso. A palavra &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Mir&lt;/i&gt;, que também é o nome do projeto espacial russo, significa, na realidade, cosmos, em russo. Sua tradução como “paz” é correta. Mas, na língua original, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Mir&lt;/i&gt; tem um significado de amplitude maior do que a própria paz (que, certamente, é o significado mais próximo se tratando de um período de guerra), também é harmonia com o solo-mãe, com as práticas culturais, com o universo. Hoje, num período de avanço tecnológico tão acentuado, descobrimos curas para doenças antes terminais, somos capazes de viajar o mundo de um dia pro outro com nossas fabulosas máquinas, comunicamo-nos com o mundo inteiro conectados pela internet, é importante lembrar o significado da palavra Cosmos, da sua implicância em nossa sobrevivência enquanto espécie. Para mim, leigo em astrofísica, Carl Sagan explanou de maneira agradável e inteligente a aventura da vida através das eras. Espero que para vocês também. Vamos cuidar da nossa casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Cosmos – parte 1: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/12/cosmos-parte-1-1980.html"&gt;http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/12/cosmos-parte-1-1980.html&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Cosmos – parte 2&lt;/span&gt;: &lt;a href="http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/12/cosmos-parte-2-1980.html"&gt;http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/12/cosmos-parte-2-1980.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Cosmos – parte 3: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/12/cosmos-parte-3-1980.html"&gt;http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/12/cosmos-parte-3-1980.html&lt;/a&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2052740148397683706?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2052740148397683706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2052740148397683706&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2052740148397683706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2052740148397683706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/12/cosmos.html' title='Cosmos'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TRkz8OM_0-I/AAAAAAAAAWU/l3Iv0uHxRyY/s72-c/Stalker-laydown.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-7675478937894226978</id><published>2010-12-20T23:18:00.007-03:00</published><updated>2010-12-21T08:45:19.004-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Vida Após a Morte</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Tem dias que a desilusão apossa-se do nosso espírito, prostrado diante de tantas inexplicáveis respostas, da incerteza do futuro e do iminente e inevitável contato com a morte, perguntamos a nós mesmos: Para quê viver? Qual a função do trabalho se numa seqüência rápida de algumas dezenas de meses, estarei soterrado pelo que me sustentava? O que motiva uma mente dotada de força poética a questionar esta finitude? O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que a morte era a musa da filosofia! O poeta, mortal, perdura na espécie, na futura geração que o lerá e o consagrará. O que nos motiva a viver neste tão curto intervalo que nos é oferecido é a possibilidade de alargar, imortalizar a espécie humana, onde cada um de nós oferece, como voluntariosas formigas, sua carga de experiência. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;O escritor e poeta russo Igor Volguin, presidente da Fundação Internacional Dostoiévski, sugeriu em palestra realizada no dia 01 de dezembro de 2009, que o Mestre de Petersburgo nunca poderia imaginar que no início do século XXI, tantos congressos e palestras fossem proferidos para debater sua obra. Ele que passou toda a vida com dívidas e lutando para sobreviver, é, há muito tempo, um sucesso de vendas em todo o mundo e motivo de discussão e inspiração para todos que o lêem. Para o crítico Harold Bloom, o grande escritor/poeta só faz crescer com o tempo: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;“A força desses fantasmas – que é sua beleza – aumenta na medida em que a distância do poeta concorrente cresce no tempo. Homero, um poeta maior no Iluminismo do que foi entre os helenos, é ainda maior agora em nosso Pós-Iluminismo.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;A influência poética, diz Bloom, é uma luta pela Eternidade, ou seja, o autor quer prolongar sua existência nos textos escritos. Quando Schopenhauer profere que a morte é a musa da filosofia, está sugerindo que o poeta/filósofo tem consciência de sua curta jornada, mas sua projeção na continuidade da espécie humana o motiva a pensar num tempo muito mais abrangente que sua vida natural. Assim, o grande escritor vive noutra geração que o deslê, como diz Bloom, e o revive noutra linguagem adaptada à outra realidade de outro presente, adiante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Esta influência não se demonstra necessariamente na manutenção da linguagem, mas principalmente, no universo das idéias, da experiência. Quando fazemos uma leitura de Montaigne, nos surpreendemos, de início, com a incalculável quantidade de citações que o escritor da Gasconha apresenta de textos antigos, da retórica clássica. O universo clássico povoa sua visão do século XVI, servindo de suporte para sua interpretação do presente. Assim, a tradição/influência de Sêneca, Virgílio, Teócrito, Cícero, Lucrécio e outros, mantêm-se viva através de centenas de anos, sobrepujando inclusive, a consistência do granito, do mármore e do concreto. O pensamento mostra-se mais forte que qualquer monolítico monumental, e o poeta torna-se perpétuo em seus versos, mesmo contra sua vontade: salve o desobediente Max Brod!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-7675478937894226978?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/7675478937894226978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=7675478937894226978&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7675478937894226978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7675478937894226978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/12/vida-apos-morte.html' title='Vida Após a Morte'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1828616749554311350</id><published>2010-12-15T10:30:00.004-03:00</published><updated>2010-12-16T23:42:17.487-03:00</updated><title type='text'>O Prédio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;Como descrever com precisão a imagem de um lugar onde não se sabe ao certo se estive ou não dentro dele? Não é minha função buscar respostas, ao que parece, mas, ainda assim, é minha tarefa tentar explicar alguma coisa. Há uma estranha névoa aqui também donde escrevo. O certo era que o lugar era amplo, como uma infinita enfermaria de um hospital sucateado. Talvez o local se parecesse com uma imensa universidade. Talvez fosse mesmo uma grande cidade que vivia ali, dentro daquele vasto prédio. Um vulto passa perto de mim e inquire: “Não seria um desses moderníssimos prédios chineses ou tailandeses de cento e vinte andares? Uma cidade inteira caberia neles.” Mas não. Era um lugar bem decadente, quase uma repartição instalada num labirinto pré-digital: cheios de prontuários, receitas médicas, senhas e contas; que caiam em câmera lenta de um teto abobadado, cuja estranha claridade parecia impedir qualquer definição. Talvez o deus do prédio vivesse lá...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;Olhando com mais atenção, observamos uma grande escada de ferro que range ao passar das subidas e descidas de seus transeuntes. Estou inclinado a afirmar que toda uma cidade vive dentro deste prédio que, em algumas paredes, possui um azulejo azul celeste parecido com os dos hospitais. Mas, pelo andar frenético dos passantes, assemelhasse mais a uma portentosa e antiga universidade. Ou talvez, seja mesmo uma cidade, por que não definimos assim de tal modo... Está difícil delimitar as coisas. Se tivesse mais janelas, poderíamos ver o exterior, mas não vejo nenhuma daqui, tampouco me recordo de ter passado perto de alguma janela. Há uma imensa escada no centro deste prédio, larga, onde não cessa a multidão de se movimentar. E range sua estrutura de ferro corroído. Nas periferias da grande escada central, curtos corredores conduzem a novas escadas, mais estreitas, onde a multidão se avoluma mais e quase se toca e se cumprimenta. Quanto mais próximos da escada central, mais denso se torna o nevoeiro. Que danado de lugar é este? À primeira impressão pensei se tratar de um imenso prédio dividido em vinte andares, talvez, Mas, subindo uma das escadas laterais da direita, cheguei à conclusão que todas as escadas laterais encontravam-se conectadas à grande escada central, de maneira que essa grande escada central era o próprio sustentáculo e caminho vital deste enorme prédio de um único andar, mas de altura incalculável aos nebulosos olhos. Eu próprio já não tinha certeza. E como pude afirmar que estava na escada da direita se o tal prédio não tinha referências exteriores?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;Assim como quem acorda de um sonho, toda a multidão precipitou-se a andar ainda mais obstinada e uma grande ação coletiva estava prestes a irromper daquele ambiente. Uma voz de locutor de televisão principiou-se a narrar o itinerário de dois grupos de rebeldes rivais que começavam a se caçar dentro da estrutura labiríntica do imenso prédio. Eram centenas de jovens vestidos com as camisas pretas que indicavam um grupo e do outro lado, os de camisa vermelha, ambos se caçando dentro do prédio. Eles passavam em grandes grupos portando porretes, tacos de beisebol, serrotes, paus com pregos na ponta, marretas e muitos martelos de variados tamanhos. Quando se encontravam em algumas das escadas laterais, toda a multidão neutra corria e se atropelava. Alguns mesmos caíam no precipício. Assim como o céu era de uma claridade inexplicável, o fundo do prédio era escuro como um espelho sem luz. Até então, toda a multidão se locomovia em silêncio, mas quando a voz narrativa, locutora, passou a narrar o andamento da disputa entre os grupos rivais, um alvoroço e algazarra passaram a tomar conta de todas as escadarias. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;Do fundo da escada central, mais e mais rebeldes com camisas alvinegras subiam as escadas e outros tantos na mesma proporção desciam do alto da escada central com as camisas coloradas. De repente, pareceu-me que toda a multidão tomava partido para um dos lados e me preocupava a neutralidade de minha posição, que parecia encontrar coro apenas na voz locutora que surgia sabe-se lá de onde! A voz narrava em tom de desespero, gritava e quase chorava de tanta comoção: “Minha Nossa Senhora, que absurdo! Alguém tome uma providência, o rapaz está abrindo a cabeça do outro com o martelo! Que cena lamentável!” Eu corria atrás de uma pequena multidão que se espremia numa apertada escada lateral onde as pessoas subiam e tentavam alcançar outra escada que daria em algum lugar-nenhum. Enquanto eu empurrava e era empurrado, o locutor conclamava alguém que fizesse parar a guerra entre os vândalos ensandecidos que arremessavam seus martelos uns contra os outros. A escada central e as laterais começavam a se encher de corpos mutilados e o sangue descia pelos cantos enferrujados delas. “Estão batendo nesse rapaz, na cabeça dele com um martelo. Façam alguma coisa, pelo amor de Deus!” Pranteava a voz narrativa. Uma moça chorava em desespero numa escada que passava perto. Eu quase alcancei sua mão clemente da escada onde estava. Eu temia perguntar algo, apenas fugia da multidão de rebeldes que se enfrentava bravamente e se buscavam obstinadamente nas escadas laterais. Todas as mortes se davam por espancamento incessante e persistente. E se alguém achasse que eu pertencia a algum grupo? Empurrava as pessoas que subiam as escadas enquanto a narração dos espancamentos tornava-se ainda mais comovente. Estava prestes a acreditar que quanto mais reprovativa era a locução, mais obstinada era a batalha selvagem. Não havia quem impedisse tamanha barbaridade e brutalidade? Deixei-me acocorar numa escada à procura de sair de interminável tormento. Onde estariam as portas e janelas? Eu apenas quero sair daqui!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;O cachorro está latindo. Busco o relógio ao lado da cama. Ainda vai demorar umas duas horas para amanhecer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1828616749554311350?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1828616749554311350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1828616749554311350&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1828616749554311350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1828616749554311350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/12/o-predio.html' title='O Prédio'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-747187410664590718</id><published>2010-11-23T23:35:00.006-03:00</published><updated>2010-11-24T22:29:42.611-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia?'/><title type='text'>Tristeza</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="  color: rgb(51, 51, 51); font-family:'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif;font-size:11px;"&gt;&lt;h3 class="UIIntentionalStory_Message" ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:&amp;quot;msg&amp;quot;}"  style=" color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-weight: normal; font-size:13px;"&gt;&lt;span class="UIStory_Message"&gt;Lágrimas suspensas sobre o&lt;br /&gt;papel&lt;br /&gt;Como nuvens sobre a cidade&lt;br /&gt;projetada&lt;br /&gt;Prontas para borrarem teu&lt;br /&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="display: inline; "&gt;nome.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-747187410664590718?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/747187410664590718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=747187410664590718&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/747187410664590718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/747187410664590718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/11/petersburgo.html' title='Tristeza'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-8546651779030716539</id><published>2010-11-16T00:52:00.005-03:00</published><updated>2010-11-16T09:47:46.018-03:00</updated><title type='text'>Da Experiência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A premonição do que será, a partir do que se foi, encontra-se maravilhosamente ilustrada por uma história, tirada de Heródoto, e relatada por Michelet em seu curso inaugural na Sorbonne (1834): quando, outrora, foi prometida a coroa de um reino na Ásia àquele que, em primeiro lugar, visse a aurora, 'todos olharam para o nascente; uma só pessoa, mais advertida, voltou-se para o lado oposto; e, com efeito, enquanto o oriente ainda estava soterrado na sombra, essa pessoa viu do lado do poente os clarões da aurora que já iam iluminando a cúpula de uma torre!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-8546651779030716539?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/8546651779030716539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=8546651779030716539&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8546651779030716539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8546651779030716539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/11/da-experiencia.html' title='Da Experiência'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-4183316544997632204</id><published>2010-11-12T19:14:00.003-03:00</published><updated>2010-11-22T20:16:48.654-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Fogo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Título: Fogo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Autor: Odomiro Barreiro Fonseca Filho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Era uma terça-feira normal na cidade do Recife. Os estabelecimentos comerciais e burocráticos funcionavam a todo vapor. Os engarrafamentos no trânsito, os horários escolares e as obras da construção civil seguiam seu ritmo natural, corriqueiro. Numa rua do centro da cidade, um homem caminhava nervoso. Ele não atentava às pedras desajustadas na calçada, mas por imprimir um ritmo de caminhada cada vez mais veloz, atropelava o próprio desequilíbrio. Os infortúnios de sua vida tinham chegado a um estado de calamidade tão agravado que nesse dia resolvera sair de casa portando seu revólver calibre 38. Estava disposto a dar cabo de alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Este homem que aparentava seus trinta e cinco anos tinha sido abandonado pela esposa que, levara consigo os dois meninos do casal. Estava a sete anos trabalhando na empresa de abastecimento de água do Estado, um trabalho maçante e extenuante. Amanhecera de ressaca, tinha bebido uma garrafa de vodca de meia-qualidade na noite anterior, presente que um amigo que estudava russo havia dado no último natal, quando ainda vivia com a família, embora num estado de deterioração das faculdades morais do matrimônio. O homem acordara nessa terça-feira com uma tremenda dor de cabeça. Sorveu dois copos d’água gelada, vestiu a mesma roupa do dia anterior e chegaria muito atrasado ao trabalho. Não o preocupavam as possíveis represálias do chefe da seção, um Dr. Nogueira qualquer. Resolvera sair de casa portando seu revólver 38. Estava disposto a dar cabo de alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Não muito longe daquela rua do centro, dois jovens encontravam-se sentados embaixo de uma árvore, num banco de praça, aproveitando a formosa sombra que sobre eles se espraiava. Os jovens eram estudantes de uma universidade que ficava ali próximo de onde o nosso herói caminhava. Os mancebos, embriagados pelo fulgor juvenil, desatavam a rir de qualquer coisa, do formato de busto feminino numa árvore, dos desenhos multiformes que os galhos do pé de coração-de-nego faziam. Quando avistaram aquele homem do outro lado da calçada, tropeçando nas pedras desajustadas, a roupa desengomada, num contraste com o que sentiam os jovens rapazolas, passaram a observá-lo com maior curiosidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Ao trespassar a porta de casa, o homem carregava uma pasta na mão direita e o revólver na parte de trás da calça, por dentro da camisa que catingava o suor de ontem. Era tarde. Na verdade, eram 13:00 e ele ia pegar o segundo expediente. Sentia fome, mas não queria comer. O calor estava intolerável. Era mês de março, começo de março, e a cidade do Recife enfrentava uma onda de calor insuportável, até os ventos resolveram abandonar a cidade, deixando aos moradores apenas o mormaço como companhia. Mal deu quinze passos, o homem sentiu o bafo quente das ruas, quase ninguém se arriscava a andar sob o sol. Sua testa estava molhada de suor, sua face pálida por conta da ressaca, nem uma brisinha vinha ao seu socorro. Em sua cabeça, a imagem da mulher girava sem parar, desconfiava que ela iniciara um &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;affair&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; com um colega dos tempos de faculdade. Sentia vontade de acabar com tudo. Estava disposto a dar cabo de alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;A confusão se apossava cada vez mais de seu espírito. A mulher beijando o colega da faculdade, as frases mecânicas que haveria de dizer na repartição, o embrulho no estômago, o calor, que calor miserável! Pensou em tomar uma coca-cola, mas não avistava nenhuma barraquinha ali perto da rua do Aragão, teria que andar uns duzentos metros até a Praça Maciel Pinheiro. Estava muito quente, sua camisa já estava empapada de suor. O fedor do dia anterior reaparecia. Cheirou o sovaco e não gostou do que sentiu. Deveria parar e fazer um lanche? Imaginou aqueles enroladinhos que se vendem nas cantinas sujas do centro e seu estômago embrulhou outra vez. Ah, maldita! Se outro cara estiver te comendo, mato os dois! Estava olhando pro chão, tinha ciência do calibre 38. Há poucos passos da Praça Maciel Pinheiro, parou. Sentiu uma confusão no espírito. Várias imagens circundavam-no. Vou dar cabo da minha vida, pensou. Apalpou o revólver. Não tinha certeza de muita coisa. Apenas do incômodo existencial, um buraco irremediável na alma. Tudo se apresentava sem saída. Mas, tinha medo de se precipitar. E se amanhã se sentisse menos indisposto? Era como o suicida que do alto do prédio, em sua confusão, olhava para baixo e ao se atirar do penhasco de concreto, num derradeiro pensamento, dizia para si próprio: meu Deus o que é que eu fiz?! Tinha lido essa história em algum lugar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;O homem se encontrava parado no meio da rua. Os jovens, com curiosidade, o observavam. Naquele calor infernal, um homem parado, todo suado, olhando para um bueiro no chão, apalpando as costas, distante do cotidiano que o circunda. De repente, os jovens observam o homem a retirar uma arma, negra, uma máquina de matar. Ele aponta para o seu rosto. Os jovens não se arriscam a se levantar, observam aquela cena rápida, inquietante. O homem fica a observar o cano da máquina. Aqueles rápidos segundos ganham proporções arrastadas, todo movimento é pausado. O homem aponta a arma para a lateral da testa, no meio da rua, naquele calor, ele é o centro do mundo. Tudo está em suspenso aguardando o momento definitivo em que seu corpo rígido desfalecerá sobre a rua de paralelepípedos cálidos. Alguém mais estaria presenciando aquela cena por uma janela? Na rua, ninguém se aventurava. Os rapazes na sombra. O silêncio da morte. De repente, num gesto difuso, retira a máquina de matar da cabeça e atira pra cima, em direção ao sol. Um barulho seco é ouvido na cidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;O homem estava no meio da rua, com o braço esquerdo retesado para cima, o rosto apontando para o chão. Não tinha consciência do presente. Teria atentado contra si próprio? Sua vista enrubescia. Será o sangue jorrando pelos meus olhos, pensou por um instante. Olhava o dia, afogueado, deixara cair-se no chão. Caiu com as costas no paralelepípedo quente, a mão esquerda com o revólver, o olhar mirando o céu. E que céu! Vermelho como Roma nos sonhos de Nero. Tinha certeza que aquilo era a morte. O destino dos suicidas. O inferno era realmente vermelho. Mas, ele não tinha medo. Que espetáculo belo é a passagem para os subterrâneos do tormento. Era como na vida normal, com a diferença que a luz era rubra, o sol uma bola nitidamente vermelha, estendendo seus raios encarnados. Abriu um discreto sorriso. Percebeu que havia vida após a morte. Não sabia se era esse o fim que almejava. Sentiria as mesmas preocupações de antes?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt:auto;mso-margin-bottom-alt:auto; text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Antes que pudesse esboçar um pensamento mais articulado sobre a morte, uma jovem senhora gritava pela rua: é o fim do mundo! Logo, as ruas se encheram de gente que saía dos escritórios, das lojas de móveis, dos guichês de bilhetes de passagem de ônibus. Uma algazarra pavorosa de perguntas desconexas. O céu tornara-se vermelho de repente. Um homem com uma bíblia embaixo do braço eleva-se no umbral da fonte d’água que fica na Praça Maciel Pinheiro e inicia a narrativa do livro do Apocalipse. Sua expressão facial adquire modos altaneiros, um transe, o momento mais esperado de sua vida, o discurso mais importante. Jovens moças saídas de uma escola pública invadiram uma loja de moda e carregaram o que puderam nos braços. O homem causador de tal embaraço saía atônito pelo meio da multidão. Os mancebos sentados no banco da praça permaneciam no mesmo local, perguntando-se se tudo aquilo era efeito da alucinação de suas mentes. Os aparelhos eletrônicos pararam de funcionar, assim como os telefones. Uma balbúrdia nunca vista. Homens tentavam ligar seus carros, sem sucesso. Todos corriam de um lado pro outro buscando respostas e a palavra que se ouvia era que o mundo estava se acabando. Um estudante interessado nessas revistas de ciências ocultas, dizia com precisão que um asteróide de fogo estava colidindo com a Terra. As moças perdiam as últimas fagulhas de pudor e se entregavam para o primeiro que aparecesse. O nosso herói encostou-se ao pastor e tentava dizer que ele tinha atirado no sol, mas o pastor sequer podia ouvir as vozes da multidão, inflava o peito e declamava as palavras sagradas. Alguém gritava que um tsunami invadiria a cidade a qualquer momento, pessoas corriam para os prédios altos, outros tentavam voltar para casa em disparada. Vidraças quebradas, tudo estava vermelho como se um óculos de papel celofane caísse sobre as retinas. Nosso herói perdido na multidão enlouquecida, tentava advertir aos cidadãos que ele tinha matado o sol. Pedia desculpas a todos. Ninguém o ouvia. Embriagado pelo fulgor do presente, correu de volta pra casa. Jogou a arma no bueiro. Amanhã alguém haveria de culpá-lo pela morte do sol. Pior se fosse Deus que não haveria de se esquecer de tamanha injúria. Aos prantos atravessou a porta de casa, cerrou as janelas, um som de gritos distantes o atormentava. O que os pacatos homens estariam fazendo no centro da cidade? O crepúsculo arroxeado consumia a urbe maurícia. Quando as trevas baixassem, quem seria por nós? Como estariam sua mulher e seus filhos? Nesse turbilhão de idéias, tomou consciência da fraqueza de sua razão. Chorava e amaldiçoava sua existência. Após longo período na escuridão de casa, encostou-se no sofá rasgado e dormiu. No outro dia, pela manhã, o sol levantou-se como habitualmente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-4183316544997632204?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/4183316544997632204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=4183316544997632204&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4183316544997632204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4183316544997632204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/11/fogo.html' title='Fogo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2598881664140299555</id><published>2010-10-26T17:43:00.005-03:00</published><updated>2011-01-06T08:52:02.916-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Dostoiévski e Turgueniev: Ímpetos Juvenis</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;Durante o segundo semestre de 1845, iniciou-se em São Petersburgo uma amizade entre dois dos maiores escritores russos de todos os tempos, os jovens Ivan Turgueniev, então com 25 anos e Fiódor Dostoiévski, com 24. Ambos respaldados pelo carinho e proteção do crítico Vissarion Bielinski. Dostoiévski estava vivendo a glória que todo o jovem escritor sonha, havia escrito seu primeiro romance, Pobre Gente, e era convidado para os mais importantes e respeitados bailes da capital. Os condes Odoiévski e Solugob, escritores da nobreza russa, disputavam sua presença em suas reuniões e saraus. O tímido escritor mergulhava num universo de sonhos e glórias. Turgueniev também lançava suas primeiras novelas no &lt;i&gt;Almanaque de Petersburgo&lt;/i&gt; e causou uma impressão formidável no impressionável Dostoiévski, conforme podemos observar em carta redigida ao seu irmão mais velho, Mikhail Dostoiévski:&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;“O poeta Turgueniev regressou de Paris há pouco (você deve ter ouvido falar disso), e tomou-se de amores por mim à primeira vista, com tanta dedicação, que Bielinski diz que ele se apaixonou por mim! E que homem ele é, irmão! Quase me apaixono por ele também. Poeta, aristocrata, talentoso, simpático, rico, inteligente, bem-educado e com 25 anos de idade. E, para completar, um caráter nobre, extremamente direto e franco, e formado em boa escola. Leia seu conto &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;Andrei Kolóssov&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt; nos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;Anais da Pátria&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;; é a cara dele, embora ele não estivesse pensando em fazer um auto-retrato.” (FRANK, 2008;215)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;A nova amizade, tão promissora, começou a dar espaço para a imensa vaidade de ambos, especialmente de Dostoiévski. Por trás de toda sua timidez e doença nervosa (primeiros sinais da epilepsia), Dostoiévski escondia uma vaidade profunda. Os outros literatos de seu tempo, do grupo de Bielinski, começaram a se incomodar com suas opiniões extremadas, quase sempre coléricas, suas defesas de que o socialismo nascente na França, nada mais era do que uma vertente do cristianismo. Dostoiévski cria que os ideais legítimos do cristianismo antes de ser corrompido pela igreja, de amor-mútuo e divisão dos bens, era o sustentáculo da nova fé européia, o socialismo de Fourier, Saint-Simon e Proudhon. &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;O comportamento excêntrico e doentio de Dostoiévski começou a afastá-lo de seus novos amigos. A esposa do escritor Panaiev, a senhora Avdótia Panaieva, dá um importante relato da figura do jovem Dostoiévski numa das reuniões no salão de sua magnífica residência:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;“Dostoiévski visitou-nos pela primeira vez à noite, com Nekrassov e Grigorovitch, ambos começando suas carreiras literárias. Percebia-se logo que Dostoiévski era uma pessoa extremamente nervosa e impressionável. Era magro, baixo, cabelos claros, uma pele macilenta; seus olhos pequenos e cinzentos corriam inquietos de um objeto a outro, e seus lábios pálidos contorciam-se nervosamente. Ele já conhecia a maioria dos convidados, mas estava visivelmente embaraçado e esquivou-se das conversas. Todos procuraram integrá-lo na conversação, para ajudá-lo a vencer a timidez e fazê-lo sentir-se um membro do círculo.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;E continua o relato:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;“Por causa de sua juventude e timidez ele não sabia se comportar, e dava claras demonstrações de presunção como escritor e da alta conta em que tinha seu talento literário. Transtornado pelo inesperado brilho dos primeiros passos na carreira, coberto pelos elogios de críticos literários de renome, e impressionável como era, não conseguia esconder seu orgulho diante dos outros jovens escritores que então se iniciavam modestamente na mesma carreira. Com a entrada de novos escritores no círculo, poderiam surgir problemas se eles se sentissem ofendidos, e Dostoiévski, como se fosse de propósito, ofendia-os com sua irritabilidade e seu tom arrogante, deixando claro que se achava imensamente superior aos demais.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Como expressado pela senhora Panaieva, o círculo se sentia incomodado com a presença arrogante de Dostoiévski, mas não sabia como expurgar aquele homem, cuja alma pesava como chumbo no ambiente frequentado pela elite intelectual russa dos anos 1840. Coube ao ex-amigo Turgueniev a tarefa de chegar aos olhos e ouvidos e Dostoiévski que ele não mais era bem quisto. E assim como acontece em muitas cenas de sua longa carreira literária, a sua humilhação foi pública e dolorosa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;“As coisas chegaram ao auge no outono de 1846 quando, certo dia, Turgueniev excedeu-se nas zombarias. Mme. Panaiev descreve a cena da seguinte maneira: 'Certa noite, Turgueniev descreveu, na frente de Dostoiévski, um encontro que tinha tido na província com uma pessoa que se imaginava um gênio, e pintou com maestria o lado ridículo dessa pessoa. Dostoiévski ficou branco como uma folha de papel e, tremendo da cabeça aos pés, retirou-se apressadamente sem esperar pelo resto da história. Eu então comentei diante de todos: mas por que deixar Dostoiévski furioso dessa maneira? Mas Turgueniev estava muito inspirado, monopolizava a atenção de todos, de modo que ninguém percebeu a súbita retirada de Dostoiévski. […] Dessa noite em diante ele nunca mais nos visitou e até procurou evitar encontrar-se na rua com qualquer membro do nosso grupo. […] Só esteve com Grigorovitch que nos disse que Dostoiévski nos tinha insultado veementemente […], e dizia que tinha-se sentido muito decepcionado conosco e que nós éramos invejosos, cruéis e desprezíveis'. Em novembro de 1846, numa carta dirigida a Mikhail, Dostoiévski afirmou: 'Eles [a Plêiade] são todos uns patifes mortos de inveja.'” (FRANK, 2008; 216-217) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;O rompimento de Dostoiévski com o círculo de Bielinski trouxe prejuízos incalculáveis para sua vida de escritor na década de 1840. Por ter sido quase que expulso do grupo por causa da pilhéria de Turgueniev, passou a freqüentar outros grupos, de pessoas mais radicais, até que chegasse no círculo de Petrachevski, onde todos os membros foram enviados para a Sibéria, inclusive Dostoiévski. Outro dano, talvez o pior, foi que a crítica literária, centralizada com toda a força na opinião de Vissarion Bielinski e seus membros do círculo, passaram a denegrir as novas obras de Dostoiévski que surgiam. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;O Duplo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;, ou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;O Sósia&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;, segundo romance do escritor, foi recebido como uma obra comum, ou até pior do que isso. Nos dias de hoje, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;O Dupl&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;o&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt; é uma obra estudada, debatida e bem recebida pela crítica internacional. Muitos dos membros do círculo não são conhecidos nem na Rússia, hoje em dia, embora esse não seja o caso de Turgueniev e Bielinski. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Décadas depois, os dois escritores voltaram a se encontrar, na Alemanha. Turgueniev sempre foi conhecido como o mais ocidental dos escritores russos do período. O crítico Leonid Grossman chega a afirmar que tinha vergonha de ser russo. Um certo dia da década de 1860, quando Dostoiévski estava na Alemanha, no encalço da atriz Paulina Suslova, gastando todo seu parco dinheiro com hotéis e jogatina na roleta, foi ter com Turgueniev. Foi pedir-lhe dinheiro, pois havia perdido tudo na roleta. A atriz havia ido para a França e ele não tinha dinheiro nem para comer. Turgueniev lhe empresta algum dinheiro. Duas semanas depois, Dostoiévski volta à casa de Turgueniev para pedir-lhe mais dinheiro, pois havia perdido tudo novamente. Turgueniev nega-lhe o dinheiro e lhe expulsa de sua residência. Dostoiévski fica no hotel sem dinheiro nem para o chá. Essa nova cena de humilhação está descrita nas páginas do romance autobiográfico &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;O Jogador&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;Turgueniev influenciou Dostoiévski profundamente na década de 1860. Suas principais obras nesse período, &lt;i&gt;Crime e Castigo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Notas do Subsolo&lt;/i&gt;, são respostas ou tentativas de interpretação do personagem niilista Evgueni Bazárov, do livro &lt;i&gt;Pais e Filhos &lt;/i&gt;de Ivan Turgueniev. Este escritor criou a palavra niilista e introduziu este tipo de personagem na literatura russa. &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Turgueniev e Dostoiévski, dois escritores contemporâneos, dois gênios do seu tempo, que começaram como amigos fraternos, depois deixaram-se envolver pela vaidade da fama literária, mas não podiam morrer sem que as questões ignóbeis de suas vidas fossem reelaboradas e esquecidas. Em junho de 1880, seis meses antes do próprio ocaso, Dostoiévski discursou no aniversário da morte de Púchkin e encantou toda a platéia, apesar de sua voz baixa e rouca de doente terminal. Dizem os jornais da época que o emotivo discurso fez jovens estudantes desmaiarem na platéia e uma onda de aplausos incansáveis foi escutada por vários minutos. Quando Dostoiévski desce do púlpito, Ivan Turgueniev o espera. Ambos se abraçam e fazem as pazes. E a literatura agradece ao gênio de ambos que ajudaram a construir e alicerçar a fabulosa pirâmide do romantismo russo.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2598881664140299555?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2598881664140299555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2598881664140299555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2598881664140299555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2598881664140299555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/dostoievski-eturgueniev-impetos-juvenis.html' title='Dostoiévski e Turgueniev: Ímpetos Juvenis'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-4496671438244003763</id><published>2010-10-23T10:18:00.003-03:00</published><updated>2010-10-23T10:31:32.255-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esportes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Câncer do Futebol Brasileiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TMLhbOHfeEI/AAAAAAAAAVw/kvy3gPTs7XM/s1600/CLUBE-DOS-13-logo.png"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 310px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TMLhbOHfeEI/AAAAAAAAAVw/kvy3gPTs7XM/s320/CLUBE-DOS-13-logo.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531231150126626882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;No último domingo, a maioria dos pernambucanos comemorou avidamente o acesso do Salgueiro, clube do sertão pernambucano, da cidade homônima de menos de 60 mil pessoas, para a série B do futebol nacional. Sem dúvida, um feito espetacular. E essa é a grande magia do futebol. No ano de 1983, o escocês Aberdeen bateu o poderoso Real Madrid na final da Recopa européia na cidade de Gotemburgo, com um escrete formado exclusivamente de jogadores locais, capitaneados pelo então desconhecido treinador Alex Ferguson. E muitos outros exemplos poderemos encontrar de clubes pequenos que alcançaram sua glória no mundo futebolístico. Mas, a vitória do Salgueiro sobre o Paysandu traz consigo um fantasma que há longa data assusta alguns grandes clubes do Brasil, especialmente do Norte e Nordeste, o sucateamento do futebol.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;O futebol brasileiro é um produto de incalculável valor, poderíamos afirmar. O mundo inteiro se rende aos nossos dribles, aos nossos craques, aos nossos títulos em todas as modalidades. Porém, esse nosso produto não é bem vendido para um mundo sedento de consumi-lo. Para se ter uma idéia, o campeonato turco arrecada mais do que o brasileiro com direitos de transmissão. Os turcos vendem seus jogos para a Alemanha, Rússia e países árabes. Arrecadam uma boa bolada e podem manter os bons jogadores, além de contratar craques brasileiros para incrementar o nível futebolístico. Até o campeonato mexicano arrecada mais que o brasileiro! Na última Copa, exceto dois ou três jogadores, todos os jogadores da seleção mexicana atuavam dentro do seu próprio país. Mas, o Brasil, pentacampeão mundial, que possui clubes tradicionais e com imensas torcidas apaixonadas, não consegue vender seu campeonato para a Europa, nem para o Japão, muito menos para os países árabes, nem latinos. Vendemos apenas para a Globo. Consumo interno. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Será que ninguém se interessa pelo futebol brasileiro? Será que o campeonato turco é mais interessante que o nosso?! Para mim, é um problema de administração do alto escalão do futebol brasileiro. Lá em cima do Castelo de Kafka, onde ninguém consegue chegar nem saber o que acontece nas altas torres, os poderosos estão satisfeito com o “pouco” que recebem. Talvez porque se os americanos vierem a comprar esse produto, queiram colocar auditorias sobre a distribuição do dinheiro, ou então, se os ingleses comprarem, trarão os repórteres da BBC para fazer matérias de espionagem dentro de suas secretíssimas salas. Então, é melhor ficar com o consumo nacional, afinal de contas, a gente já é acostumado com as travessuras dos mandatários mesmo! E assim, o futebol brasileiro fica nesse descaso, as torcidas se acostumaram ao baixo nível dos espetáculos, jogador bom, só acima dos 30 anos ou com menos de 19. Mais de mil jogadores profissionais estão atuando fora do Brasil porque não conseguimos manter nossos craques. Para mim, só há duas possíveis respostas: ou o Clube dos 13 não sabe vender um produto que já faz a propaganda por si só, ou não quer se ver na companhia ingrata da imprensa internacional, a pesquisar suas contas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;No Brasil, o futebol é dividido: a CBF cuida da seleção, e o Clube dos 13 cuida do campeonato nacional. A CBF quase não tem trabalho, apenas engorda, pois vende todos os amistosos da seleção para uma empresa que põe o Brasil jogando lá pela Europa mesmo. Já o Clube dos 13, esse pinta e borda dentro do território nacional: divide as cotas de televisionamento do jeito que quer; marca jogos que terminam de madrugada; faz campanha com árbitros para que medalhões do seu elenco não sejam rebaixados e por aí vai. Quem está dentro desse quadro, conta com um mínimo de estabilidade, pois recebe um dinheirinho certo por ano. Quem está fora... Ah, quem está fora está comendo o pão que o diabo amassou! O Clube dos 13 divide as cotas de dinheiro do jeito que quer, entre eles, nas suas reuniões que acontecem pelas bandas do sul e sudeste, nas sedes de seus grandes clubes. E lá, definem: fulano vai ganhar X milhões, beltrano vai ganhar só Y. Fora do eixo sul-sudeste, apenas 4 clubes fazem parte do seleto e importante cenário do Clube dos 13: o Goiás, único clube do centro-oeste; o Sport, o Bahia e o Vitória, no nordeste. O Goiás, mesmo recebendo uma quantia pequena, mas perene, está sempre satisfeito. De vez em quando é rebaixado, mas logo sobe de novo para a Série A. Pode manter uma folha salarial de 800 mil reais, pagando em dia, mesmo que a torcida não compareça ou que nenhum patrocinador se interesse em aparecer junto à sua marca. Seus adversários goianos, coitados. Não possuem do mesmo privilégio. Eles precisam da torcida em massa, dos patrocinadores fortes e até da sorte, para competir com o afortunado adversário. E assim, o Goiás está sempre satisfeito e o Clube dos 13 se defende das críticas de ser “sulista”, dizendo: “olhe lá, temos representante no centro-oeste e no nordeste!”&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;O Paysandu vai ficar outro ano na terceira divisão. Acho que fui o único pernambucano que estava torcendo pelo Papão da Curuzu no último domingo. Eu que já estive em Belém e pude comprovar de perto, o amor que os paraenses alimentam pelos seus pobres clubes, esquecidos pelos poderosos do Clube dos 13. O Clube do Remo vai passar mais um ano na quarta divisão! E o Santa Cruz? Colocou mais de 50 mil pessoas num jogo contra o Guarany de Sobral e foi eliminado. Os times de torcida que jogam a série C e D, terão muita dificuldade em voltar para as séries A e B, porque eles possuem a ansiedade de seus torcedores, da imprensa, pouco dinheiro, patrimônio material caindo aos pedaços. Enquanto seus adversários: Guaratinguetá, Grêmio Barueri, São Caetano... são clubes de empresários, sem pressão, franco atiradores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;O dinheiro do Clube dos 13 fica preso nas torres do alto castelo. Enquanto isso, estamos a observar o desaparecimento gradual, lento, agonizante, do futebol norte-nordestino. É isso o que o Clube dos 13 quer: os paraibanos, potiguares, amazonenses, matogrossenses... torcendo pelos times do eixo Rio-São Paulo, além dos mineiros e gaúchos. O futebol para esses quatro estados apenas. E assim, o futebol brasileiro que poderia ser altamente rentável, ter cinco, seis divisões fortes, bancadas pela venda do campeonato para os países de todo o mundo, fica a mercê de uma esmola dada pela Globo, dividida por um pequeno grupo de clubes e o resto... o resto que se exploda! &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-4496671438244003763?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/4496671438244003763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=4496671438244003763&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4496671438244003763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4496671438244003763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/o-cancer-do-futebol-brasileiro.html' title='O Câncer do Futebol Brasileiro'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TMLhbOHfeEI/AAAAAAAAAVw/kvy3gPTs7XM/s72-c/CLUBE-DOS-13-logo.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2947020300317133641</id><published>2010-10-10T21:43:00.007-03:00</published><updated>2010-10-11T07:47:33.895-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O Dia das Crianças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TLJp-8XzBkI/AAAAAAAAAVo/nXWQNQSOUzU/s1600/chihiro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 308px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TLJp-8XzBkI/AAAAAAAAAVo/nXWQNQSOUzU/s320/chihiro.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526596222815766082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;O comércio criou uma data comemorativa para celebrar a infância, é o famoso dia 12 de outubro, dia das crianças. Não por acaso, fatura-se tanto com a venda de produtos para os infantes. A imaginação de uma criança é preciosa. Uma menina é capaz de ficar um longo tempo brincando com uma boneca e naquela relação homem x objeto, um universo de criações e fantasias se estabelecem. Os pequenos carrinhos de corrida ziguezagueam pelos obstáculos da casa, entretendo a mente por um longo tempo. Porém, quando crescemos e nos vemos diante dos encargos repressores da realidade, o mundo da fantasia é relegado ao status de coadjuvante de nossas atividades mentais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Como não posso presentear as crianças que conheço ao mesmo tempo, tampouco imagino que muitas delas visitem este espaço, quero repartir com os adultos que por aqui passam, um pouco do sentimento que a infância deixa em nossas vidas e que, tantas vezes, ofusca-se nas atitudes estúpidas que tomamos quando envoltos estamos no mundo da realidade burocrática. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Hoje resolvi assistir pela segunda vez o filme A Viagem de Chihiro (Spirited Away) do diretor japonês &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Hayao Miyazaki, e senti-me assaltado de tantos desejos de dividir o que durante o filme ficou tão latente no espírito. Decerto, não retomarei a emoção do momento em que assistia, mas uma cena em especial me fez refletir sobre a infância e sobre a nossa relação com o tempo: quando a garotinha reencontra os pais no final do filme. O escritor argentino Jorge Luis Borges, tantas vezes nos joga num universo em que o tempo e o espaço adquirem uma sensação de inconformidade em relação ao presente ao qual estamos habituados. Assim, o momento em que a gota da chuva escorre por nossa testa pode ser suficiente para que um escritor finalize e revise todo um romance que há "tempo" havia planejado. Também os espaços adquirem formas enormes, esfumaçadas ou até límpidas demais, que se contrastarmos com o nosso arquivo real, não encontraremos parâmetro satisfatório. No livro IX das suas Confissões,  Santo Agostinho diz sobre o tempo: "O que é afinal o tempo? Se ninguém me pergunta, sei; se alguém me pergunta e quero explicar, não sei mais." Santo Agostinho coloca-se diante do problema de se medir aquilo que não é. Após questionar-se a maior parte da vida sobre o tema, reelaborando os conceitos de Aristóteles e Plotino, Agostinho encerra que o passado e o futuro encontram-se no presente, o chamado Tríplice Presente. O tempo, resumidamente, para Santo Agostinho é medido dentro de nós. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Na Viagem de Chihiro, a garotinha empreende uma excursão por um universo mágico, cuja comparação com nosso mundo de monóxido de carbono e bolsas de valores não é possível de ser realizada. Tanto que enquanto ela esteve envolvida em suas aventuras, para seus pais, o tempo transcorrerá o suficiente para que a menina se perdesse no alto de um barranco e voltasse. Nesse caso, o tempo não foi o mesmo para Chihiro e para seus pais, embora no relógio tenha-se transcorrido o tempo habitual. Enquanto desaparece, a menina penetra num universo mágico, em que a imaginação distende-se até que um novo mundo se construa. Quando observamos uma criança a brincar com sua boneca ou com um carrinho, entre tantos tipos de brinquedo, não podemos supor que tipo de interação ficcional está ocorrendo naquela relação homem x objeto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Hoje, após terminar de assistir o filme da garotinha Chihiro, uma onda de desolação me atingiu de modo profundo. Uma saudade inconsolável de ver o mundo com olhos de criança, distante da amarga e insensível relação de sociabilidade que nos torna homens sem rostos, nervosos em engarrafamentos, agressivos na fila do banco ou mentirosos na saciedade de nossos desejos libidinosos... Era uma tarde solitária de domingo neste bairro de subúrbio, quando a história da mocinha japonesa mudou minha relação com o tempo e o espaço. Fez-me renascer o espírito mágico da infância e transportou-me para um mundo de sonhos, ainda que a duração deste sentimento não se prolongue por muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;video da música final com tradução: &lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Z-Dr3IeTbrY"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Z-Dr3IeTbrY&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;link pra baixar o filme: &lt;a href="http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/09/viagem-de-chihiro-2001.html"&gt;http://laranjapsicodelica.blogspot.com/2010/09/viagem-de-chihiro-2001.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2947020300317133641?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2947020300317133641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2947020300317133641&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2947020300317133641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2947020300317133641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/o-dia-das-criancas.html' title='O Dia das Crianças'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TLJp-8XzBkI/AAAAAAAAAVo/nXWQNQSOUzU/s72-c/chihiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-9117585624941375284</id><published>2010-10-07T10:36:00.005-03:00</published><updated>2010-10-07T10:50:38.706-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Walter Benjamin em Moscou</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Na década de 1930, o filósofo judeu-alemão Walter Benjamin empreendeu uma viagem por várias cidades da Europa, entre elas, a capital do Império Soviético, Moscou. Para um morador de Berlin, a experiência de se conhecer um país que, originalmente sempre foi tão diferente culturalmente, agora também no campo político, pois tratava-se de um modelo de governo que chamava a atenção de todos os outros governos no mundo que cultivavam com suspeita o olhar curioso sobre o Kremlin moscovita. Mas, para a surpresa de Benjamin, conhecer a Rússia, ou melhor, a União Soviética, foi um grande aprendizado para que pudesse entender a sua familiar Europa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O fotógrafo, o pintor, o literato, o arquiteto... ambos, contam a história da cidade. Cada um carrega sua vivência urbana. Assim, como os milhares de olhares que se cruzam na multidão, as “visões” da cidade por parte das diferentes formas de &lt;i&gt;contar&lt;/i&gt; a experiência vivida se entrecruzam nas ciências que estudam a sociedade. O relato desses intérpretes das cidades acaba por nos inserir em suas realidades e, assim, nos tornamos viajantes de uma experiência ficcional. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O nosso cotidiano espacial só pode ser interpretado após um estranhamento do mesmo, um mal-estar em relação ao ambiente vivido. Sem a experiência do contraste e da oposição, a análise empobrece-se. Quando Walter Benjamin afirma que “por meio de Moscou se aprende a ver Berlin mais rapidamente que a própria Moscou”, ele está reforçando essa imagem. Mais adiante, ele afirma: “Só quem, na decisão, fez com o mundo a sua própria dialética pode apreender o concreto.” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O morador de Berlin só vai se sentir apto a conhecer sua cidade quando em outra realidade se encontrava. A Moscou comunista da década de 1930, com suas ruas apinhadas de gente, num corre-corre contínuo, com o barulho da multidão, vai recriar a imagem da cidade em que morava. Não por acaso, a historiadora Sandra Jatahy Pesavento vai utilizar-se das técnicas do próprio Benjamin para justificar a transcendência do olhar do escritor:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;“A idéia de contraste, produzindo a revelação ou a descoberta, seria desenvolvida por Walter Benjamin, ele próprio leitor de Baudelaire e amante de Paris. Cortando os vínculos genéticos passado/presente, o que Benjamin postula é a criação de contra-imagens que rompam o contínuo da história, oportunizando o que se chamaria 'o salto do tigre', que daria margem à inteligibilidade pelo contraste.”&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;Para Benjamin, o cruzamento de imagens contrárias são necessárias para que se possa obter uma imagem coerente do sentido de uma época, presente ou passada. Porém, essas cidades não necessariamente precisam ser reais. Nas Cidades Invisíveis, Italo Calvino tornou “visível”&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;cidades que só existiam no mundo ficcional. O &lt;i&gt;topos uranos&lt;/i&gt; de Jorge Luis Borges é outro estilo típico de criação de cidades de sonho e poesia. Mas, no caso de Benjamin, a viagem para Moscou fez com que a própria Alemanha passasse a ter outro significado em sua visão de mundo. As ruas de Berlin&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;lembravam os desenhos de Grosz: silenciosas, vazias, limpas, maquetes. Uma oposição a Moscou, que pela narrativa do autor parece-se quase com certos recantos de cidades brasileiras, caso não fosse a presença da neve. Observemos:&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;“Em Moscou, as mercadorias irrompem por toda a parte das casas, se penduram nas cercas, se apóiam às cancelas, jazem no calçamento. A cada cinqüenta passos se encontram vendedoras de cigarros, de frutas, de doces. Ao lado tem um cesto de roupas com as mercadorias, às vezes também um pequeno trenó. Um pano de lã colorido proteje maçãs ou laranjas contra o frio; duas amostras ficam por cima. Ao lado, bonecos de açúcar, nozes, bombons. Faz pensar numa avozinha que, antes de sair de casa, olhou ao redor em busca de tudo com que pudesse surpreender seus netos. Agora, a caminho, estão na rua para repousar um pouco. As ruas de Berlin não conhecem tais sentinelas com trenós, sacos, carrinhos e cestas. Comparadas com a de Moscou, são como um velódromo vazio e recém-varrido, no qual avança uma pista de corredores de uma prova ciclística de seis dias.”&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Um convite para entrecruzar caminhos e reconhecer-se noutras perspectivas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-9117585624941375284?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/9117585624941375284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=9117585624941375284&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/9117585624941375284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/9117585624941375284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/walter-benjamin-em-moscou.html' title='Walter Benjamin em Moscou'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3319569477806217171</id><published>2010-10-06T19:54:00.002-03:00</published><updated>2010-10-06T22:11:03.678-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Uma Tarde no Centro de Artes</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Passava das duas horas da tarde de um dia ensolarado. No Centro de Artes de uma conhecida universidade, um homem surge do escuro painel de vidro. Vestido de maneira decente, pára embaixo da marquise do prédio. Retira do bolso da camisa pólo a carteira de cigarros. Acende. Olha para o dia embrasado, poucas nuvens no céu. Não carrega muita coisa consigo, apenas um pequeno livro de bolso. Termina o cigarro e se dirige a uma pequena praça, onde jovens conversam embaixo da sombra de uma árvore. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O homem toma acento no banco, desprotegido das árvores, sofrendo com os raios quase perpendiculares do sol. Abre o livro de bolso. Entre o grupo de jovens que estavam conversando, um deles observa o homem a suar embaixo do sol úmido de Recife. Reconhece o título do livro: O Nariz, de Nicolai Gógol. Volta a conversar com seus parceiros, enquanto o homem com pinta de professor desconhecido fica lendo seu livro tranqüilamente, dourando. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;De repente, o homem com pinta de professor irrompe numa gargalhada falsa, estrondosa. Ri cada vez mais alto, quase um grito bestial. Abre sua enorme boca, com dentes amarelos. Seu gesto toma formas caricaturais. Joga-se no chão, arremessa o livro contra uma árvore. Sua risada se torna mais nervosa. Passa a rolar no chão, como um doente em crise nervosa. As pessoas, por perto, se assustaram no primeiro movimento do louco. Seus trejeitos eram desarticulados, o que tornava imensamente bizarro o seu ato. Mas, com a continuidade da sua falsamente majestosa gargalhada, as pessoas passaram a rir, não pelo prazer do ato, mas como se quisessem ridicularizar o homem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quando as pessoas passaram a gargalhar do homem com pinta de professor, ele retomou a postura. Tomou o livro arremessado nas mãos. Fechou o semblante. Iniciou-se numa caminhada pontual, marchante. Em pouco tempo já não era visto nem lembrado. Terminou-se outra performance no Centro de Artes.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3319569477806217171?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3319569477806217171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3319569477806217171&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3319569477806217171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3319569477806217171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/uma-tarde-no-centro-de-artes.html' title='Uma Tarde no Centro de Artes'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-5910982724981997834</id><published>2010-10-05T22:37:00.004-03:00</published><updated>2010-10-07T08:29:02.659-03:00</updated><title type='text'>André, A Cara e a Coragem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKvW_VuKGPI/AAAAAAAAAVg/rb6A_bgXJD4/s1600/andre.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKvW_VuKGPI/AAAAAAAAAVg/rb6A_bgXJD4/s320/andre.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524745751550892274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o título desse filme do diretor Xavier de Oliveira que esteve em cartaz nos cinemas brasileiros no ano de 1971. No papel principal encontramos o ator Stepan Nercessian, ainda muito jovem, na pele do rapaz André, um mineiro de Carangola, de 17 anos, que foi tentar a sorte na cidade grande, mais precisamente, no Rio de Janeiro. Até aí, um roteiro bastante conhecido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um filme simples, de linguajar comum, de brasileiros pobres. Mostra um Rio de Janeiro de 40 anos atrás. Diferente em suas construções, nos carros, na fala das pessoas... André é um rapaz que passa o filme buscando um emprego pra se manter no Rio. Não quer voltar pro interior de Minas com o estigma de quem saiu e não se deu bem. O orgulho que tanta gente carrega consigo pelos caminhos das grandes cidades brasileiras. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assisti esse filme pela primeira vez numa noite de sábado na TV Cultura. Naquela noite de sábado em que as pessoas saíam para se divertir, senti a alma confortada e sensibilizada pelo drama do jovem no filme. À época, procurei o filme pra baixar e não encontrei. Tampouco o achei nas locadoras. Certo dia, encontrei um site onde disponibilizavam o filme pra download. Baixei, mas apenas hoje à noite assisti o filme novamente. E me emocionei de novo. O cinema brasileiro tem aquele estigma de querer fazer filmes naturalistas, com palavrões chulos e discursos pseudo-intelectuais cheios de clichê. Não duvido que este filme também o tenha. Mas, há uma simplicidade que encanta. O rapaz é um sonhador, tantas vezes em silêncio. Destaque para a bela atriz Angêla Valério e para a cena em que eles saem para passear pela zona sul carioca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assistam e comentem as vossas opiniões. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;download do filme: &lt;a href="http://www.megaupload.com/?d=NEQ2LYO5"&gt;http://www.megaupload.com/?d=NEQ2LYO5&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-5910982724981997834?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/5910982724981997834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=5910982724981997834&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5910982724981997834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5910982724981997834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/andre-cara-e-coragem.html' title='André, A Cara e a Coragem'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKvW_VuKGPI/AAAAAAAAAVg/rb6A_bgXJD4/s72-c/andre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-7878579848995795931</id><published>2010-10-05T17:41:00.006-03:00</published><updated>2010-10-07T08:28:37.176-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Human Conditions</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKuQjvo9WOI/AAAAAAAAAVY/Hshenfu0WFs/s1600/HumanConditionsRichardAshcroft20027353f.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKuQjvo9WOI/AAAAAAAAAVY/Hshenfu0WFs/s400/HumanConditionsRichardAshcroft20027353f.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524668311658125538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olá amigos do blog. Como de praxe, eu sempre tento dividir algum tipo de música com vocês. Entre os mais diferenciados estilos e lugares, já deixei artistas da Armênia, Cabo Verde, Angola, Polônia, Noruega, Ceará e Paraíba. Meu maior gosto é compartilhar artistas desconhecidos, como se fosse um trabalho de garimpeiro, no intuito de encontrar uma jóia de grande beleza. Enfim, desta vez, o artista é bem conhecido e atuante no universo da pop music. Mas, mesmo assim, por quê não sugerir?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Richard Ashcroft tem uma consolidada carreira-solo, bem referendada pela mídia especializada do seu país, a velha Inglaterra. Mas, mesmo que você ainda não saiba de quem se trata essa postagem, certamente você conhece aquela música do grupo The Verve, bittersweet simphony, onde o vocalista sai esbarrando em todo mundo na calçada, no clipe. Devidamente apresentado, o moço nesse disco, faz um prato cheio para quem curte baladas de rocknroll. Eu destaco "Buy it in the Bottles", "Paradise", "Science of Silence" e "Man on a Mission". Mas, não impede que vocês se identifiquem com outras. Ashcroft tinha tudo pra ser o grande artista da música pop inglesa, mas acabou sempre ofuscado pelo sucesso de bandas como Radiohead e Oasis, sua Verve ficava ocultada, apesar do jeitão meio jaggeriano de se apresentar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu recomendo esse disco. É bom pra ouvir no mp3 durante os malditos engarrafamentos, bom pra namorar, pra acordar... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;baixar o disco aqui: &lt;a href="http://rapidshare.com/#!download|366|137526919|Richard_Ashcroft_-_Human_Conditions_-_2002.zip|129538"&gt;http://rapidshare.com/#!download|366|137526919|Richard_Ashcroft_-_Human_Conditions_-_2002.zip|129538&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se você não sabe quem é o cara em questão, talvez esse video facilite: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Zx3m4e45bTo"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Zx3m4e45bTo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-7878579848995795931?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/7878579848995795931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=7878579848995795931&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7878579848995795931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/7878579848995795931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/10/human-conditions.html' title='Human Conditions'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKuQjvo9WOI/AAAAAAAAAVY/Hshenfu0WFs/s72-c/HumanConditionsRichardAshcroft20027353f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3757697530252464503</id><published>2010-09-30T19:51:00.002-03:00</published><updated>2010-09-30T20:08:42.508-03:00</updated><title type='text'>Na Fronteira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKUU6iSC2eI/AAAAAAAAAVI/kxiOQBLymyo/s1600/ir%C3%A3-turcomenist%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKUU6iSC2eI/AAAAAAAAAVI/kxiOQBLymyo/s400/ir%C3%A3-turcomenist%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522843513907239394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem pode dizer que estrada é esta na foto ao lado? Em que país se localiza este montanhoso terreno cujo caminho se abre para a passagem humana?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Noutras oportunidades já tive a chance de dizer-vos do prazer que sinto em observar as imagens de lugares distantes, das paisagens longínquas. Na casa do meu avô, Emílio, tinha uma coleção completa da Enciclopédia Mirador, e sempre ficava a admirar os países: fazia relatórios sobre as principais cidades, montanhas, rios, mares e tudo que uma enciclopédia por fornecer de material para uma criança curiosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não por acaso, o título do blog é Céu Sem Fronteiras. Tento, na medida do possível, aproximar o mais distante dos recantos para o cotidiano dos visitantes. Gostaria de viajar para longe, visitar os lugares que admiro apenas por fotografias e informações de leituras que variam dos romances às revistas geográficas. Confesso que Paris, Londres, Berlin, Nova Iorque... não são lugares que me atraem. Gostaria mesmo era de conhecer a Armênia, Geórgia, Tadjiquistão, Mongólia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um belo dia resolvi, através do Google Earth seguir uma estrada que cruzava todo o Turcomenistão até chegar na belíssima capital, Ashgabat, com seus minaretes de ouro e palácios suntuosos. A capital dos turcomenos fica na divisa com o Irã. Não pensei duas vezes e resolvi continuar a viagem, recolhendo fotos e informações sobre a geografia acidentada do local. Assim que saímos do Turcomenistão e entramos no Irã entramos numa cadeia abrupta de montanhas que, certamente, no decorrer dos séculos, serviu de fronteira entre os iranianos e os tártaros. A estrada é belíssima e continua até chegar ao planalto e encontrar outras estradas e cidades. Parei de acompanhar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A foto exibida acima é de uma estrada logo que se passa da fronteira turcomena e chega-se nas montanhas iranianas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3757697530252464503?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3757697530252464503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3757697530252464503&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3757697530252464503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3757697530252464503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/09/na-fronteira.html' title='Na Fronteira'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKUU6iSC2eI/AAAAAAAAAVI/kxiOQBLymyo/s72-c/ir%C3%A3-turcomenist%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3667749892970287534</id><published>2010-09-29T20:07:00.004-03:00</published><updated>2010-12-17T00:14:44.221-03:00</updated><title type='text'>Os Herdeiros de Lampião</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKPHBiHr5wI/AAAAAAAAAVA/TQa6pO71aiI/s1600/lampi%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 291px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKPHBiHr5wI/AAAAAAAAAVA/TQa6pO71aiI/s320/lampi%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522476397239199490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Jornais e periódicos representam a circulação da verdade numa metrópole. Eles difundem os acontecimentos banais, os programas de governo, as ações policiais e os mais variados temas da sociedade, desde os buxixos da high society até as empresas armistícias das superpotências internacionais. Mas, nos últimos dias, surpreendeu-me a ausência de uma notícia nos grandes jornais de nossa cidade. Excepto pela veiculação em um pequeno periódico de um bairro da zona zul, não teríamos acesso a tão questionadora notícia. Trata-se do espancamento de um turista paulista na nossa cidade, ocorrido no último sábado à noite, mais precisamente no bairro de Boa Viagem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; Segundo o periódico de pequena circulação, um jovem de 17 anos, oriundo da capital paulista, estava no Recife a passeio, estava com os pais num hotel localizado na beira-mar do bairro de Piedade, quando resolvera que visitaria uma das boates da zona sul recifense. O rapazola resolvera ir caminhando pela orla para apreciar a brisa noturna, já havia percorrido cerca de dois quilômetros, quando foi surpreendido por uma kombi branca donde desceram três homens encapuzados e o colocaram dentro do veículo, rodando consigo por cerca de 40 minutos. Ainda na kombi, o jovem teve sua boca vedada por esparadrapo usado para ligar materias como madeira e alumínio. Ainda dentro do veículo, começou a ser torturado, sendo colocado no chão do veículo e tendo o rosto pisado por três homens que encontravam-se na parte da trás do carro, que ainda contava com o motorista, obviamente.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; Ao final do macabro passeio, o mancebo foi levado para uma humilde residência com os olhos vendados. Colocaram-no numa cadeira e iniciaram uma sessão de tortura que entre outras coisas, contava com perfurações na barriga e nas costas, por objetos cortantes como faca peixeira, alicates e chaves de fenda. O rapaz contorcia-se de dor. Pequenos rios de sangue corriam de seu corpo. Todos&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;os movimentos dos algozes eram desferidos com tranquilidade e maestria, de maneira que o rapaz não viesse a desfalecer pela dor, tendo em vista que estivera durante todo o tempo, com a boca selada. O rapaz olhava sem entender os carrascos que deixavam à mostra apenas os olhos. O jovem ainda levou uma pancada na boca com uma frigideira velha, começou a engasgar-se. Tiraram-lhe a venda da boca com a promessa de que se fizesse qualquer barulho seria morto ali mesmo, na hora, que nem caldo de cana.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; A boca do rapaz estava toda vermelha de sangue, deve ter perdido os dentes dianteiros. Chorava como uma criança pequena, escorrendo aquela baba vermelha em seu peito branco. Clamava que parassem e era atendido com mais bofetadas de frigideira, contra a boca, contra o nariz e os olhos. No canto da casa de taipa, um fogo improvisado ardia há cerca de meia hora. Dourando em sua flama, uma colher de pedreiro. O jovem rapaz teve novamente a boca amarrada com força. Um dos algozes retirou a colher de pedreiro em brasa e dirigiu-se em direção ao turista. Sussurrou ao seu ouvido: “Você vai dizer na sua terra que toda vez que um nordestino for torturado no sul, os turistas receberão castigo dobrado aqui.” O rapaz com os olhos esbugalhados de medo, chorava silenciosamente enquanto a colher de pedreiro se aproximava de seu delicado peito. Ao encostar, um chiado de carne queimando foi escutado.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;O terrorista rapidamente tatuou no peito do moço as iniciais "HL". Ao final, o rapaz estava desfalecido.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Colocaram-no na kombi. O rapaz respirava, mas estava desacordado. A kombi seguiu pela madrugada silenciosa, os homens vestidos de quimonos pretos não foram importunados pela policia ou qualquer tipo de agente burocrático. Deixaram o moço desfalecido num terreno baldio próximo ao Hospital da Aeronáutica. Seguiram viagem. No outro dia, o delegado reuniu-se com o desesperado governador e a família do mancebo, procurando uma maneira de abafar o caso, pois traria prejuízos inimagináveis para a política turística do Estado. O delegado colocou todas as viaturas nas ruas a procurar por pistas e vestígios sobre os Herdeiros de Lampião.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3667749892970287534?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3667749892970287534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3667749892970287534&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3667749892970287534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3667749892970287534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/09/jornais-e-periodicos-representam.html' title='Os Herdeiros de Lampião'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TKPHBiHr5wI/AAAAAAAAAVA/TQa6pO71aiI/s72-c/lampi%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3725111335474687943</id><published>2010-09-28T15:26:00.001-03:00</published><updated>2010-09-29T09:31:23.506-03:00</updated><title type='text'>Eleição e Democracia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;No próximo domingo ocorrerá a grande festa da democracia, motivo pelo qual nossos governos se inflam e se assanham em discursos calorosos na defesa dos ideais da maioria, pelo bem estar social e pelo direito dos cidadãos desfavorecidos. Realmente, parece que nos meses que antecedem as eleições democráticas, uma onda cristã de igualdade e amor toma conta dos nossos espirituosos políticos. Eles concedem espaço para os mais humildes dos seres humanos se pronunciarem, abraçam crianças doentes em hospitais, velhos leprosos e beijam a face putrefata da miséria com o mais ardoroso carinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Assim como os pastores em suas igrejas comerciais, os políticos também se agarram a um deus salvador, o deus da democracia. Mas, que tipo de vantagem pode encontrar um ser que por essência é vaidoso e egoísta em dividir os direitos do poder com a população em geral? Não por acaso, o maior desafio de Cristo na Terra foi pregar a igualdade entre os seres, sabendo que nós somos os mais sovinas e invejosos dos seres vivos. Sua missão até hoje é um mistério, visto o número de pessoas que se apossam de suas palavras para aumentar a gordura de vaidade social. Os políticos não amam os pobres e a democracia laica simplesmente por uma nova interpretação da doutrina cristã, mas porque o povo, em sua imensa maioria, é uma massa ignorante e carente, tornando-se assim, isca fácil para as promessas e as ilusões vendidas. O povo atende com fulgor aos chamados de carreatas, passeatas e caminhadas pelas ruas dos bairros pobres ou do centro. Não porque acreditem na palavra salvadora do político, mas porque sentem um inefável prazer em estar próximo, caminhando lado-a-lado ao poderoso homem que todos os dias ocupa um espaço importante no horário nobre de suas vidas. Até que chegue o dia da eleição, o político seja eleito, e a promessa se torne, apenas, promessa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;O que vemos na política brasileira, a tão badalada Maior Democracia do Mundo, é uma única ideologia: do poder. Não se sabe o que é esquerda, nem direita, imagina-se que quem bota uma bandeira vermelha seja da esquerda, uma bandeira azul, da direita. Mas, os personagens que compõe esse quadro estão constantemente trocando de camisa. A única ideologia é a da vitória nas urnas e do desvio das verbas. Eu não quero participar desse espetáculo, embora seja obrigado a me deslocar da minha tranqüila residência, atravessar a rua entre milhares de pessoas desconhecidas e repugnantes, com falsos sorrisos nos lábios a pedir o voto para aquele candidato legal, com sorriso maquiado no santinho, colando no seu corpo durante a caminhada e mesmo você dizendo que já tem candidato ou que não vai votar em ninguém, muitos desses militantes insolentes ainda se sentem no direito de colar um adesivo no teu carro ou na tua camisa. Como os odeio! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Esse maldito voto obrigatório. Fico imaginando aquele cidadão exemplar, um jurisconsulto. Todos os meses entra no site da Câmara para verificar se seu bom candidato compareceu às sessões, se respondeu às suas expectativas, se votou aquilo que prometeu. Ao final de quase quatro anos, estabelece um rigoroso compêndio de anotações e decide que vai renovar seu voto naquele honesto deputado que honrou com o prometido na campanha anterior e é digno da sua confiança. Esse cidadão honesto, cumpridor dos seus deveres, conhecedor dos rigores da lei, respeitador da moral social, terá seu voto igualado com aquela senhora gorda e peituda que aprendeu a contar e a ler o número e o nome do candidato numa escolinha improvisada pelo parlamentar na semana anterior, onde a urna eletrônica fazia a vez de caderno e livro. Ganhou sete camisas com a foto e o número do candidato, para ela, o marido bêbado e desempregado e para cinco dos nove filhos que cria em seu barraco. No dia da eleição, arroxa contra o corpo adiposo aquela camisa e vai pedir voto, incomodar-me com seu palavreado escasso, sujar a rua com os santinhos arremessados contra os carros, gritar e fazer algazarra nas ruas. Os dois votos tem o mesmo peso. E acreditem, para muita gente entendida essa é a grande vitória da democracia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Democracia esta que teve início com os gregos, mas que para aquele povo tão sábio não representava o direito para toda e qualquer pessoa, mas para aqueles que fossem capazes e provassem que tinham condições de escolher. Em São Paulo, acredita-se que o palhaço Tiririca será o deputado mais votado com quase 1 milhão de votos e levará consigo mais 5 deputados do escroto partido que o lança. Eu torço muito pra que isso aconteça! Que o inferno se instale! O palhaço Tiririca é o mais honesto dos candidatos: não sabe o que vai fazer, tampouco tem projeto, mas quer ser deputado para empregar seus parentes pobres que migraram do Ceará para “SumPalo”. Vejo as pessoas desesperadas fazendo campanha contra o palhaço, mas foram vocês que abriram a brecha pra ele e agora estão pedindo arrego. Não duvido que na próxima eleição saia candidato à presidência da República das Bananas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;"&gt;Domingo é dia de darmos viva à democracia, dos amigos comunistas encontrarem o povo nas ruas, pois estes só sabem quem é o povo através dos livros ultrapassados e utópicos do velho marxismo. Será o dia de elegermos os palhaços de máscara e os travestidos de homens sérios. Sairei de casa para participar dessa festa porque sou obrigado, infelizmente, e sou um sujeito pobre que não pode se dar ao luxo de estar em desconformidade com a lei. Votarei nulo, pois é a única coisa que posso fazer por mim, já que pelos outros tem muita gente esperta querendo fazer.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3725111335474687943?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3725111335474687943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3725111335474687943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3725111335474687943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3725111335474687943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/09/eleicao-e-democracia.html' title='Eleição e Democracia'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2118413401716922060</id><published>2010-09-17T00:17:00.000-03:00</published><updated>2010-09-17T00:18:04.236-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trechos de Livros'/><title type='text'>Três Momentos de Aleksandr Herzen</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Aleksandr Herzen foi um pensador russo de meados do século XIX que passou sua vida lutando pela independência de suas idéias, esquivando-se dos idealismos, tão em voga no esperançoso século XIX, tentando alertar a humanidade dos perigos de se entregar a teorias de libertação do espírito aprisionando-os noutro sistema tão opressor quanto. Fugitivo do governo russo, suas cartas e discursos entravam clandestinamente no país e eram motivos de debates acalorados por parte da intelectualidade da época. Sem abrigo em seu país e vendo a nau ocidental sacolejar por ventos desnorteados, nunca encontrou residência em ideologias utópicas, fazendo de sua independência intelectual, a única morada. Deixar-vos-ei com três passagens de Herzen, as quais me identifico por completo, razão pela qual divido com vocês, nesses tempos inflamados de eleição em que se costuma cair em cada conto de vigário...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sobre as Massas:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“As massas querem manter a mão que descaradamente rouba-lhes o pão que adquiriram. (...) Elas são indiferentes à liberdade individual, à liberdade de expressão; as massas amam a autoridade. Ainda estão ofuscadas pelo brilho arrogante do poder, sentem-se insultadas pelos que ficam sozinhos. Por igualdade, elas entendem igualdade de opressão (...) querem um governo social que aja em seu benefício e não, como o atual, contra ele. Mas, governarem-se a si mesmas não lhes entra na cabeça.” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sobre os Franceses:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“Não existe uma nação no mundo que tenha derramado tanto sangue pela liberdade quanto a francesa, e não existe&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;povo que a entenda menos, que menos tente dar-lhe realidade (...) nas ruas, nos tribunais, em suas casas. Os franceses são o povo mais abstrato e religioso do mundo; o fanatismo das idéias entre eles vem acompanhado pela falta de respeito pelas pessoas, do desprezo pelos seus vizinhos – os franceses convertem tudo em ídolo do momento. Os franceses lutam como heróis pela liberdade e, sem pensar muito, arrastam a pessoa para a cadeia, se ela não concordar com a opinião deles. (...) O despótico &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;salus populi &lt;/i&gt;e o sanguinário e inquisitorial &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;pereat mundus et fiat justitia&lt;/i&gt; estão gravados da mesma forma na consciência dos monarquistas e dos democratas, (...) leia George Sand, Pierre Leroux, Louis Blanc, Michelet, e você vai encontrar por toda a parte o cristianismo e o romantismo adaptados à nossa própria moral, por toda a parte o dualismo, a abstração, o dever abstrato, virtudes impostas e uma moral oficial e retórica sem nenhuma relação com vida real.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sobre a História:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“Parece desnecessário citar exemplos, existem milhões deles. Abra qualquer história que quiser e o que é impressionante (...) é que, ao invés de interesses reais, tudo é governado por fantasias e interesses imaginários. Olhe o tipo de causas pelas quais derrama-se sangue, pelas quais as pessoas suportam sofrimentos imensos, olhe o que é louvado e o que é censurado, e você se convencerá de uma verdade à primeira vista triste – uma verdade que, após reflexão, é plenamente consoladora, a de que tudo é resultado de um intelecto perturbado. Onde quer que se olhe no mundo antigo, a loucura se encontrará quase tão generalizada como em nosso mundo. Aqui está Curtius atirando-se dentro de um poço para salvar a cidade. Ali um pai sacrifica sua filha para conseguir ventos favoráveis, tendo encontrado um velho idiota para matar a pobre menina para ele, e esse lunático não foi trancafiado, não foi levado para um hospício, mas foi reconhecido como sumo sacerdote. Acolá o rei da Pérsia manda açoitar o oceano, sem entender o absurdo do seu gesto, como tampouco seus inimigos atenienses, que queriam curar o intelecto e o entendimento dos seres humanos usando a cicuta. Que febre pavorosa foi a que levou os imperadores a perseguirem o cristianismo? (...)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E depois que os cristãos foram dilacerados e torturados por animais ferozes, eles mesmos, por sua vez, começaram a se perseguir e se torturar entre eles com mais fúria do que tinham sido perseguidos. Quantos alemães e franceses inocentes morreram assim, sem absolutamente nenhuma razão, enquanto seus juízes dementes achavam que estavam simplesmente cumprindo seu dever, e dormiam tranquilamente a poucos passos do local onde os hereges estavam sendo queimados até à morte.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“A história é a autobiografia de um louco.” Herzen.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2118413401716922060?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2118413401716922060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2118413401716922060&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2118413401716922060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2118413401716922060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/09/tres-momentos-de-aleksandr-herzen.html' title='Três Momentos de Aleksandr Herzen'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-5563777169045832102</id><published>2010-09-09T01:51:00.007-03:00</published><updated>2010-09-09T02:07:15.959-03:00</updated><title type='text'>Uma Lembrança Furtiva</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Isaiah Berlin falava da relação de Tolstói com Schopenhauer, de como o segundo havia influenciado o escritor russo, autor do monumental &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Guerra e Paz&lt;/i&gt;. Que o choque da ilusão do livre-arbítrio com a realidade das leis irretorquíveis que governam o mundo, constituem a maior tragédia da vida humana para ambos os escritores. A leitura prossegue em direção a Stendhal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Há umas cinco linhas já não compreendo nada. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;O ventilador, mau contactado na tomada, liga e desliga de quando em vez. Antes que o mormaço me incomode, o motor dá um solavanco e volta a funcionar. O barulho produzido pela volta do funcionamento do aparelho eletrodoméstico me faz lembrar, não sei por que razão, do motor de um ônibus de viagem, trocando de marcha na madrugada, numa região indeterminável do interior da Bahia, entre Jequié e Vitória da Conquista. O ônibus cheio, num quase silêncio, às três horas da madrugada. Apenas o barulho de uma marcha de força. Provavelmente estamos atrás de um caminhão subindo um aclive qualquer de estrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Da janela, um espetáculo irresistível para o olhar recém despertado. Uma multidão de estrelas, infinita constelação. Com o rosto grudado na janela do ônibus, observo algumas quase a descer e tocar o chão. Estrelas de todos os tamanhos, brilhos, agrupadas. Como alguém pode identificar um desenho entre tantas? Como não criar desenhos entre tantas? Nunca tinha visto uma quantidade tão grande. E o que mais me impressionava era que algumas pareciam descer, como se fossem lâmpadas penduradas por uma haste invisível vindas do céu. Por um instante, pensei em reproduzir aquele espetáculo num imenso galpão de majestosas proporções, completamente escuro, com um teto altíssimo e hastes de diferentes tamanhos dependurando-se até próximo do chão, num simulacro do firmamento, onde nessa madrugada mesmo, eu pudesse abrir a porta do quintal de casa e me abrigar naquele galpão...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Assim como Rousseau, Tolstói costumava idealizar a terra e seus cultivadores. O mito do “bom selvagem” e o valor da vida familiar, a superioridade da emoção sobre a razão e uma vitória da moral sobre a virtude estética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-5563777169045832102?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/5563777169045832102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=5563777169045832102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5563777169045832102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5563777169045832102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/09/uma-lembranca.html' title='Uma Lembrança Furtiva'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-8573607230376774562</id><published>2010-09-05T00:29:00.004-03:00</published><updated>2010-09-05T00:38:37.817-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Stalker</title><content type='html'>"Que se cumpra o idealizado.&lt;div&gt;Que acreditem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que riam das suas paixões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque o que consideram paixão, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;na realidade, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;não é energia espiritual...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas apenas fricção entre a alma e o mundo externo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mais importante é que acreditem neles próprios&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e se tornem indefesos como crianças.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque a fraqueza é grande,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;enquanto a força é nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando o homem nasce, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;é fraco e flexível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando morre,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é impassível e duro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando uma árvore cresce,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é tenra e flexível. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando se torna seca e dura, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;ela morre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A dureza e a força são atributos da morte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso, quem endurece, nunca vencerá."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-8573607230376774562?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/8573607230376774562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=8573607230376774562&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8573607230376774562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8573607230376774562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/09/stalker.html' title='Stalker'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3932774748272558906</id><published>2010-08-22T14:51:00.004-03:00</published><updated>2010-08-22T14:57:05.611-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Amargo Remédio do Governo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;color:black;"&gt;“Realmente, em nenhum momento a compaixão se apossa tanto de nós como quando vemos a beleza tocada pelo hálito putrefato da devassidão.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;color:black;"&gt;Nikolai Gógol&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;O que posso falar sobre música erudita para vocês, amigos leitores do blog? Muito pouca coisa, certamente. Nunca estudei teoria musical, tampouco possuo talento para envergar um violino, um clarinete, ou o mais popular dos instrumentos, o violão. A natureza não me beneficiou com seus dotes artísticos. Tenho a mão dura dos brutamontes e a impaciência dos ansiosos. Isso também vale para a escrita. Quantas vezes não desejei desenvolver um pensamento com maior destreza e desenvoltura e me vejo encarcerado pelos paredões da norma culta. A grande arte, seja qual for, é para corações e mentes sensíveis, no sentido mais amplo que esta palavra carrega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;O que tenho a dizer pode machucar os corações esquerdistas, os que se acham solidários e beneficentes, os que sonham com utopias socialistas e delírios democráticos. Não, não vou defender a elitização da sociedade. Que a sociedade ofereça mais e mais privilégios de equiparação social e lute contra a pobreza degenerante dos que sentem fome e não possuem o básico. Hei de defender essa idéia sã e justa. Ou não, talvez eu minta. Minta para agradar o leitor que me visita, meus amigos cheios de cartilhas partidárias. Não defendo nada que escape as minhas forças, nem nada que exija de mim a coletividade. Aprendi a dançar, mesmo que canhestramente, conforme&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;a música.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Nesse agradável mês de agosto, aqui pela planície litorânea do Recife, desembarcou o Festival Chopin-Schumann dedicado aos 200 anos de nascimento desses dois compositores do século do Romantismo. Uma oportunidade para reunir grandiosos músicos do nosso país em devoção à arte maior da música. E tudo foi tão bem arquitetado! Escolheram dois excelentes teatros para as apresentações: o antigo e majestoso Santa Isabel e o aconchegante e acústico Teatro da UFPE. Os ingressos eram gratuitos, graças à contribuição de grandes empresas fomentadoras de maravilhosos eventos como este, além do apoio do Governo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Apoiar a cultura, seja regional ou não, tem sido uma das tarefas mais festejadas pelos cidadãos no período eleitoral. O sempre necessário pão e circo. Acredito que até o ego de uma cidade pode ficar mais enaltecido quando os moradores observam, cotidianamente, o circular das mais variadas formas de arte. E o recifense, depois da geração manguebeat até a “nação multicultural” de hoje, é o maior exemplo. Depois dos cariocas, não conheço outro povo que se orgulhe mais de sua cultura popular. Mas, isso é outro assunto. Voltemos ao Festival Chopin-Schumann. No dia 12 de Agosto dirigi-me até o Teatro da UFPE na intenção de acompanhar o solo da pianista Andréia da Costa Carvalho. Cheguei uma hora antes e pude retirar o ingresso e acompanhar a chegada do público. Pois bem, de repente, quinze ônibus cheios de adolescentes, alunos das escolas públicas do Recife, começaram a chegar. Ao estacionar, já se ouvia a algazarra que faziam dentro do coletivo fretado pela Prefeitura. Vinham cantando músicas de brega e funk. Pensei comigo: “Eles devem ter selecionado os alunos mais interessados.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Antes mesmo da pianista adentrar a algazarra era completa. O apresentador, José Mário Austregésilo, pedia silêncio para a juventude que respondia com gracejos, aproveitando-se do ocultismo da penumbra. Nem mesmo a pianista iniciara seu trabalho, ouvia-se “fiu-fiu”, “Tereza, rapariga!” e outras baixezas que só são permitidas em estádio de futebol. Levantei-me com um ódio profundo e voltei pra casa. Era pra ser uma noite de divertimento e devoção à música e terminou numa profunda dor de cabeça e reflexão sobre a promoção desse tipo de evento. Não se trata de preconceito contra alunos de escolas públicas. Se fossem alunos dos mais “respeitados” colégios do Recife, fariam o mesmo, ou parecido. O que me irrita é essa necessidade de casa cheia, de inserir a população na arte da música erudita como se fosse um remédio que se toma goela abaixo e fosse limpar a mazela social em que estão inseridos. Ora, não duvido que para alguns poucos alunos, aquele momento tenha sido sublime, mas para a grande maioria só deve ter feito aumentar o abismo interno em que se sentem em relação à classe culta. Mesmo gracejando, eles tinham consciência do quanto estavam incomodando, do desprezo da maioria da platéia por suas atitudes. Será que os organizadores desses eventos não percebem a agressão que estão cometendo para com o público, a artista que estudou a vida toda para atingir aquele grau de perfectibilidade, e o espírito dos compositores homenageados?! Ou estão cada vez mais interessados nas gordas verbas do Estado que exige apenas a participação popular? A grande arte não foi feita para a maioria e, não estou separando por classes sociais, mas por grau de sensibilidade. Faço côro ao filósofo Nietzsche quando põe na boca de Zaratustra que “a vida é um manancial de alegrias, mas onde quer que o populacho vá beber, todas as fontes se encontram envenenadas.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3932774748272558906?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3932774748272558906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3932774748272558906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3932774748272558906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3932774748272558906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/08/o-amargo-remedio-do-governo.html' title='O Amargo Remédio do Governo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-551710761695844507</id><published>2010-08-17T11:35:00.003-03:00</published><updated>2010-08-22T14:57:37.031-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Dedo no Cu da História</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Vou relatar uma história que aconteceu em outubro de 2005, na cidade de Aracaju, capital do Estado de Sergipe. Aquele que se predispõe a contar uma história assina um acordo com o leitor, partindo do princípio que o segundo haverá de acreditar na veracidade dos fatos por ele narrados. Ainda bem, que para dar o veredicto sobre minha história, dois mil historiadores são testemunhas. Até me sinto num dos contos de Borges ou Kafka: “dois mil historiadores testemunharam o fato!” Que evento maravilhoso poderia dispor de tão nobre e reconhecida platéia! Ah, mas o dia em questão, ou melhor, a noite, foi da abertura de um encontro de estudantes, o ENEH, Encontro Nacional dos Estudantes de História. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Quem já foi a um encontro de estudantes sabe como o negócio funciona. Um monte de jovens aglomerados, dormindo em barracas, chapando de hora em hora, fazendo ou desejando o sexo e dando vazão aos mais voluptuosos desejos. Assim, cada dia desta semana, vale mais do que um mês inteiro no cotidiano de um cidadão comum. Era o primeiro dia do ENEH de Aracaju. A delegação de Pernambuco resolveu colocar as barracas no fundão do acampamento, cercados pelos cariocas da UFF e da UFRJ. Lá no final, embaixo de uma marquise, fizemos uma favelinha muito disputada. Eu, com minha barraca quebrada, O Monstro dormindo numa rede a semana toda e O Baga num papelão. Imaginem, que visão! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Chegara a noite de abertura do Encontro. Haveria um show de música popular no centro de Aracaju, num lugar parecido com um mercado aberto de rua. Mas, calma. Chegaremos na festa. É preciso se deslocar primeiro. Durante todo o dia estivemos entretidos em nos bacantearmos. Beber, fazer escambo com os cariocas, ficar doido de verdade. À época, sempre que viajava, levava uma cachacinha pra vender, chamada Meladinha, uma mistura de cana de cabeça com canela, anis estrelado e melaço. Essa cachacinha era meu sustento durante o encontro. Levei o suficiente pra vender e pra beber. Nos deslocamos para o centro da cidade, só Deus sabe como. No meio do caminho, ainda uma 20 horas, talvez. Algum engraçadinho teve a idéia de adentrarmos num cabaré, cujas portas sempre convidativas se escancaravam no caminho do mercado. Paramos, assistimos uns shows. Moças mui talentosas. Mas, ninguém tinha dinheiro. Ficamos um tempo e o olhar ansioso das profissionais nos enxotava silenciosamente. Voltamos ao centro de Aracaju. Sim, porque apesar do cabaré ficar no centro da cidade, todos eles se parecem entre si. Voltamos para a rua, para o centro, e cada um se perdeu na sua intenção. Sai com a bolsa nas costas, cheia de garrafinhas de meladinha. Eu nem oferecia, a clientela se apressava em perguntar: “Você é de onde? O que é isso que você ta bebendo?” E qualquer conversa mole resolve a peleja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Daqui a pouco, estou eu a convescotear com uma bela moça de Curitiba. Ela provou a cachaça e ficou chamando todo mundo da sua delegação pra experimentar. Ali mesmo, já tinha feito meu serviço. Fiquei ali, conversando com a moça, de esverdeado olhar, aquele sotaque diferente que inebria mutuamente o encontro. Na confusão dos meus olhos, via aquela senhorita como o desenrolar perfeito da minha noite. A gente ali conversando, olho no olho. Um forrozinho pé-de-serra tocando no palco. Todo mundo naquele clima de se conhecer e interagir. Sorrisos fartos distribuídos para todos os lados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;De repente, um grupo de pessoas forma um círculo no meio do “salão” e com doçura, observam um homem que aparentava seus 40 e poucos anos a dançar como uma bailarina no meio da multidão. Era um homem magro, com a camisa de botão aberta. Certamente, um morador do centro de Aracaju. Estava ali, rodando como uma bailarina, sendo saudado pela multidão de jovens embebedados de felicidade. O homem se empolga, começa por tirar a camisa de botão, depois o cinto da calça jeans, até que ficasse completamente nu. Aquele cidadão, do jeito que veio ao mundo, com o sorriso estampado abaixo do bigode, rodando como uma bailarina, despertou a atenção de todos. Todos aplaudiam-no. Ninguém queria mais prestar atenção à música. Apenas admirar aquele sujeito que fazia performances para a multidão. De repente, o homem rodando que nem uma bailarina, abaixa uma das mãos e enfia no seu ânus. A multidão foi ao delírio! Risadas e gritaragem irrompiam por todos os lados. Quem ainda não tinha visto a cena, corria para não perder o show. Enciumada, a cantora da banda de forró, ao constatar que ninguém dançava mais, pediu ao policiamento que retirassem aquele sujeito inconveniente da praça, pois estava atrapalhando o andamento do seu forrobodó.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Até então, apenas dois policias faziam a segurança da tranqüila e festiva praça. Os jovens policiais, encostados na viatura, provavelmente a observar o movimento de vistosas moças num cardápio variadíssimo, apressaram-se em deter o homem que fazia sua performance com o dedo no oiti-coró. Arrastaram-no da multidão e conduziam-no para a viatura. A platéia que se avolumava em torno do homem, começou a vaiar a atitude dos jovens policiais. Vocês sabem como são os historiadores, né? Entre o variado ramo dos estudantes, esses possuem a fama de serem os mais arredios. De tanto ouvirem falar em revoluções, sempre alimentam o sonho de encarar as forças repressoras e blá, blá, blá. A multidão começou a gritar, cantar: “ão, ão, ão, abaixo a repressão!” &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Os dois policiais ficaram atônitos com aquela massa que se deslocava em direção a eles, a gritar, cada vez mais alto. Seus globos oculares saltavam da face, de medo, eram jovens. Um estudante da UFF se aproximou pra conversar com um dos policiais e pedir que soltasse aquele pobre homem. Quando conseguiu chegar perto do miliciano, levou uma coronhada na testa que espirrou sangue por toda sua camisa. O policial ficou ainda mais atabalhoado. Os colegas de universidade do rapaz, acrescidos da multidão, até então, pacífica, arrodearam a viatura e começaram a atirar garrafas, cadeiras, pedras. Os policias colocaram os rapazes dentro do carro e enquanto um corre para o rádio, o outro protege-se atrás da porta e mira sua pistola contra a multidão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Em poucos minutos começam a chegar várias viaturas nervosas. Entravam na rua dando cavalo de pau. Os homens desciam dos carros e já atiravam pra cima. Um policial desceu do carro e atirou-se ao primeiro jovem que estava à sua frente, deitou-o no chão, mirou a pistola frente o seu rosto. Nessa hora, eu já tinha me perdido da curitibana de olhos verdes, preferi não observar, apenas escutei o barulho seco do disparo. O policial, há poucos centímetros do rosto do rapaz caído, atirou-lhe perto da cabeça, o projétil disparou contra o chão. Quem pode imaginar o quanto durou esse momento pra esse aspirante a historiador? Mais e mais viaturas chegavam, o batalhão de choque foi acionado. A rua se transformou numa praça de guerra. Os policiais fizeram uma barreira e ninguém conseguia sair de dentro do mercado. Acuados, os estudantes só podiam gritar palavras de ordem, do tipo: “Puta que o pariu, essa polícia é a vergonha do Brasil.” Nesse momento, pelas minhas contas nada confiáveis, estimo que uns quinhentos policias, todos armados até os dentes, faziam um corredor polonês contra a multidão. Colocavam mais gente dentro das viaturas. E quanto mais a multidão gritava contra eles, mais o ódio lhes insuflava a face. Depois de um tempo, uma fileira de batedores de choque partiu contra a multidão, batendo em quem estivesse pela frente, sem distinguir qualquer pessoa ou gênero. Eu mesmo levei duas cacetadas, uma na coxa esquerda e outra na cabeça que me fez ver o mundo rodar definitivamente. Para minha sorte, um cara da universidade de São João del Rey me tirou da linha do policial, senão iria apanhar até Deus sabe quando! Fiquei caído no chão uns 15 segundos enquanto não conseguia distinguir o céu do inferno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Após aplicarem uma sova nos estudantes, os policiais prepararam um corredor e obrigaram todos a se dirigirem para os ônibus que levaria a multidão de duas mil pessoas, talvez, de volta para a universidade. Ao chegarmos na UFSE, cada um tinha uma versão pra contar, uma zoada geral que se perpetrou até o dia raiar. Eu também tenho minha versão pra contar. Mas, o que mais me espanta, são os motivos que geram os grandes tumultos. Muita gente perde a vida por se estressar com situações banais: uma vaga no estacionamento, um discussão por causa de futebol e, naquela noite, todo esse imbróglio por mim narrado só se deu porque um cidadão resolveu enfiar o dedo no cu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-551710761695844507?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/551710761695844507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=551710761695844507&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/551710761695844507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/551710761695844507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/08/o-dedo-no-cu.html' title='O Dedo no Cu da História'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3545800801203983275</id><published>2010-08-16T15:00:00.001-03:00</published><updated>2010-08-16T15:03:28.570-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trechos de Livros'/><title type='text'>A Queda</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;“Olhe, sabe por que crucificaram o outro, aquele em quem neste momento talvez o senhor pense? Bem, havia muitas razões para isso. Há sempre razões para matar um homem. Inversamente, é impossível justificar que viva. É por isso que o crime encontra sempre advogados, e a inocência, apenas às vezes. Mas, além das razões que muito bem nos explicaram durante dois mil anos, havia uma grande para esta horrível agonia, e não sei por que a escondem tão cuidadosamente. A verdadeira razão é que ele próprio sabia que não era completamente inocente. Se não carregava o peso do erro de que o acusavam, tinha cometido outros, ainda que ignorasse quais fossem. Ignoraria mesmo, aliás? Ele representava a origem, afinal, deve ter ouvido falar de um certo massacre dos inocentes. As crianças da Judéia massacradas, enquanto seus pais o levavam para um lugar seguro; por que teriam sido mortas, senão por sua causa? Ele não o desejara, é certo. Esses soldados sangrentos, aquelas crianças cortadas ao meio causavam-lhe horror. Mas, sendo como era, tenho certeza de que não conseguia esquecê-los. E essa tristeza que se adivinha em todos os seus atos não seria a melancolia incurável de quem ouvia ao longo das noites a voz de Raquel, gemendo sobre os seus filhos e recusando qualquer consolo? O lamento ecoava na noite, Raquel chamava os filhos mortos por sua causa e ele estava vivo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;Sabendo o que sabia, conhecendo tudo sobre o homem – Ah, quem pensaria que o crime não é tanto fazer morrer, mas não se deixar morrer! – confrontado dia e noite com o seu crime inocente, tornava-se muito difícil manter o equilíbrio e continuar. Mais valia terminar, não se defender, morrer, para não mais estar sozinho na vida e para ir-se embora para onde talvez pudesse ser amparado. Não foi amparado, disso se queixou e, para cúmulo, censuraram-no. Sim, foi o terceiro evangelista, creio, que começou a suprimir sua queixa. ‘Por que me abandonaste?’ era um grito subversivo, não acha? Então, tesouras! Note-se, aliás, que se Lucas nada houvesse cortado, a coisa mal teria sido notada; não teria ocupado tanto espaço, em todo caso. Mas o censor é a propaganda do que proscreve. Também a ordem do mundo é ambígua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;O certo é que o próprio censurado não pôde continuar. E eu sei, meu caro, do que falo. Houve um tempo em que eu ignorava a cada minuto como poderia chegar ao seguinte. Sim, pode-se fazer a guerra neste mundo, macaquear o amor, torturar o semelhante, freqüentar as colunas dos jornais ou, simplesmente, falar mal do vizinho enquanto se tricota. Mas, em certos casos, continuar, apenas continuar, eis o que é sobre-humano. E ele não era sobre-humano, pode acreditar. Gritou a sua agonia, e eis por que o amo, meu amigo, ele que morreu sem saber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;A desgraça é que nos deixou sós, para continuarmos, aconteça o que acontecer, mesmo quando nos aninhamos no desconforto, sabendo o que ele sabia, mas incapazes de fazer o que ele fez e de morrer como ele. Tentamos, naturalmente, socorrer-nos um pouco com sua morte. Afinal, era uma idéia genial dizer: ‘Não sois brilhantes, bem, é um fato. Ora, não entremos em pormenores. Terminemos com isto de uma vez, na cruz!’ Mas muitos alçam-se, agora, à cruz, somente para serem vistos por nós de mais longe, ainda que para isso seja preciso espezinhar um pouco o que lá se encontra há tanto tempo. Demasiados decidiram deixar de lado a generosidade para praticar a caridade. Oh, a injustiça, a injustiça que lhe fizeram e que me aperta o coração!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;É isso, volto à minha vocação, vou advogar. Desculpe-me, compreenda que tenho as minhas razões. Olhe, a poucos quarteirões daqui há um museu com o nome de Nosso Senhor do Sótão. Naquela época, tinham colocado as catacumbas nos sótãos. Era de se esperar, aqui os subterrâneos são inundados. Mas, sossegue, hoje o Senhor deles não está mais no sótão, nem no porão. No íntimo de seus corações, eles o empoleiraram num Tribunal e o agridem, sobretudo julgam, julgam em seu nome. Ele dizia docemente à pecadora: ‘Eu também, eu também não te condeno!’, o que nada impede, eles condenam, não absolvem ninguém. Em nome do Senhor, esta é a tua pena. Senhor? Ele não pedia tanto, meu amigo. Ele queria que o amassem, nada mais. É bem verdade que há pessoas, mesmo entre os cristãos, que o amam. Mas são muito poucos. Ele havia previsto isso, aliás, tinha senso de humor. Pedro, como sabe, o covarde, Pedro, portanto, o renega: ‘Não conheço este homem... Não sei o que queres dizer...’ etc. Realmente, ele exagerava! E fez um jogo de palavras: ‘Sobre esta pedra edificarei minha Igreja.’ Não se podia levar mais longe a ironia, não acha? Mas não, eles ainda triunfam! ‘Como vocês vêem, Ele tinha dito!’ Ele tinha dito, de fato, ele conhecia bem a questão. E, a seguir, partiu para sempre, deixando-os julgar e condenar, com o perdão nos lábios e a sentença no coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:#333333"&gt;Porque não se pode dizer que não há mais piedade, não, protesto com veemência, não cessamos de falar nela. Simplesmente, já não se absolve ninguém. Sobre a inocência morta, pululam os juízes, os juízes de todas as raças, os de Cristo e os do Anticristo, que são, aliás, os mesmos, reconciliados no desconforto. Isto porque não devemos atacar apenas os cristãos. Os outros também estão comprometidos. Sabe em que se transformou, nesta cidade, uma das casas que abrigou Descartes? Em asilo de alienados. Sim, é o delírio geral e a perseguição. Nós também, naturalmente, somos forçados a nos envolver. O senhor teve ocasião de notar que eu não poupo nada e, do seu lado, sei que pensa o mesmo. A partir daí, uma vez que somos todos juízes, somos todos culpados uns perante os outros, todos cristãos à nossa maneira vil, crucificados um por um, e sempre sem saber. Poderíamos sê-lo pelo menos, se eu, Clamence, não tivesse encontrado a saída, a única solução, a verdade, enfim...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"    style="font-family:Tahoma, sans-serif;font-size:100%;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; line-height: 14px;"&gt;Albert Camus, A Queda.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3545800801203983275?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3545800801203983275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3545800801203983275&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3545800801203983275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3545800801203983275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/08/queda.html' title='A Queda'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6525932401217731447</id><published>2010-08-15T20:10:00.003-03:00</published><updated>2010-08-16T13:01:30.350-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre uma Palestra com Boris Schnaiderman em São Paulo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TGh0ViIy9uI/AAAAAAAAAUg/uXhgbxH6Z7A/s1600/eu+e+boris.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TGh0ViIy9uI/AAAAAAAAAUg/uXhgbxH6Z7A/s320/eu+e+boris.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505778457750206178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Em Dezembro de 2009, tive a oportunidade de participar de um seminário sobre a obra e pensamento do escritor russo Dostoiévski. Naquela ocasião, entre tão brilhantes palestrantes, pude conhecer o professor Boris Schnaiderman, o grande pioneiro nos estudos sobre literatura russa no Brasil. Antes dele, Otto Maria Carpeaux e Hamilton Nogueira, entre outros, haviam escrito brilhantes ensaios à respeito do escritor russo. Mas, Schnaiderman institucionalizou o estudo da língua e cultura russa no Brasil, quando capitaneou o Departamento de Língua e Cultura Russa na Universidade de São Paulo nos anos 1960. De lá pra cá, o aumento no interesse pelo pensamento de um povo tão longínquo do nosso, tem atraído dezenas de pesquisadores que se dividem na missão de criticar, traduzir e ensaiar as obras de diferentes escritores russos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;As quatro noites em que se debateu a obra de Dostoiévski em São Paulo, a platéia estava repleta de estudantes e admiradores da obra do escritor. Na primeira noite, cercado pelos competentíssimos pesquisadores: Bruno Gomide, Manuel Costa Pinto e Igor Volguin; Boris Schnaiderman pontuou sua palestra no embate entre razão e fé. Sua voz lenta e baixa, fez-se ecoar pela sala, numa demonstração de respeito por parte da platéia à sua contribuição cultural que resultou em várias traduções, livros e artigos. Sua fala foi concisa, em quinze minutos havia terminado seu colóquio, sendo reverenciado pelos presentes. Hoje, estive relendo meu caderno de anotações da viagem e encontrei algumas anotações que fiz enquanto o professor Boris palestrava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;A discussão sobre a religiosidade de Dostoiévski é intensa. É certo que ele propagava as idéias do cristianismo ortodoxo. Podemos encontrar indícios de sua pregação religiosa no seu último romance, Os Irmãos Karamazov, bem como em inúmeras crônicas escritas e compiladas nas páginas do Diário de um Escritor. Mas, até que ponto Dostoiévski acreditava no que escrevia? Para Joseph Frank, muitas vezes, Dostoiévski acreditava que a religião era fundamental para o povo, essa massa manobrável e sujeita a crenças muito mais perniciosas, como o socialismo, por exemplo. Schnaiderman então começou a palestra perguntando: “Que tipo de cristão ele era?” Ele responde usando uma expressão do pensador espanhol, Miguel Unamuno, em que dizia que Dostoiévski era um “cristão agônico”, ou seja, aquele que luta consigo mesmo e com os demais. Schnaiderman ainda afirmou que religião é discussão e que a tormenta e a dúvida fazem parte do processo de estruturação do pensamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Que Dostoiévski duvidou em sua fé é uma certeza ratificada por quase todos os críticos. Ivan e Alexei Karamazov representam duas fronteiras no pensamento do escritor russo, as fronteiras da negação e da certeza, respectivamente. Quando Dostoiévski compõe esses dois personagens está expulsando dois demônios que o atormentavam de longa data. E esse enxotamento dos demônios tinha que ser feito no derradeiro romance, pois o escritor tinha consciência que seu tempo de vida estava minguando, embora alimentasse o desejo de um desfecho no imaginário &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;A Vida de um grande Pecador&lt;/i&gt;. Ivan, o racionalista ateu, e Alioscha, o agradável noviço, representam esse choque entre dois mundos: a tormenta e incerteza da razão e o conforto e a placidez da fé. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Schnaiderman citou uma carta escrita por Dostoiévski em fevereiro de 1854, quando ainda se encontrava na Sibéria em que dizia que “gostaria mais de ficar com Cristo do que com a Verdade.” Essa oposição entre Cristo e a Verdade é a aflição que carregará consigo até o fim de sua obra. Também é a mola propulsora de sua criação. Stefan Zweig dizia que Dostoiévski pregava uma fé que ele próprio não acreditava: “Prega a mentira que traz a felicidade, a fé do carvoeiro. (...) Para preservar os homens do tormento de Deus.” É esse tormento que enlouquece e mata Ivan e essa mentira que torna Alioscha um agradável rapaz, um exemplo do homem do futuro. A religiosidade de Dostoiévski, sublinhada por vários críticos e biógrafos, foi aprendida na prisão de Omsk. Seu catecismo foi popular, entre as criaturas mais torpes e bestiais, nos confins de uma Rússia distante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Pontuando sua análise na questão da crença de Dostoiévski e na oposição entre o Cristo e a Verdade, Boris Schnaiderman propiciou aos ouvintes uma discussão fundamental da obra do escritor russo, tocando na chaga ideológica de seu pensamento, agarrando-se na pilastra primordial que separa a crítica religiosa e racionalista da obra de Dostoiévski. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6525932401217731447?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6525932401217731447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6525932401217731447&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6525932401217731447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6525932401217731447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/08/sobre-uma-palestra-com-boris.html' title='Sobre uma Palestra com Boris Schnaiderman em São Paulo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TGh0ViIy9uI/AAAAAAAAAUg/uXhgbxH6Z7A/s72-c/eu+e+boris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6900081269255461579</id><published>2010-08-09T15:43:00.002-03:00</published><updated>2010-08-09T22:37:08.369-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Odomirosidades'/><title type='text'>Pro Curar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;color:black;"&gt;“Digno do céu me sentia quando os terrenos apetites dominava. Mas, quando não o conseguia, um inefável prazer de mim se apoderava.” Provérbio alemão do século XVIII.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;A noite de domingo é um dos momentos mais sublimes da semana. Nem de longe é a mais feliz. Ao contrário, muitas vezes está impregnada de tal melancolia que preenche todo o ar de um saudosismo inconcebível. Assim, tenho percebido nas retrospectivas dos cotidianos semanais, os solavancos de minha alma, a única pela qual posso responder. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Quando o fim de semana se aproxima, de alguma maneira o espírito se assanha, parece estar à procura de um desejo perdido. É a vontade pela vontade, sem nenhuma razão plausível. O linguajar torna-se arredio, esquivo, rebelde. E, no meu caso, raríssimas são as vezes em que consigo dizer “não” ao canto das sereias. Nesses dias, é o palavrão cuspido com vontade no estádio de futebol, o galanteio barato, a selvagem bebedeira, a imundície das ruas noturnas do centro, a busca pela saciedade do prazer mais vil ou o simples contemplar das vicissitudes alheias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Mas, dias de erupção são minorias durante a semana. Em geral, de domingo a quinta, empenho-me em levar uma vida próxima da decência, se assim posso me exprimir. É o treino dedicado de artes marciais, o estudo compenetrado no místico e turbulento universo da literatura russa, a busca pelas paisagens de fronteira. E nunca posso me queixar da solidão nesse apartamento, estou sempre às voltas com meus amigos escritores, cineastas e músicos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Bem, muitos de vocês devem se perguntar: o que danado este homem está querendo dizer com essas palavras? Que sua semana oscila?! Oh, esse não é um privilégio exclusivo seu, meu amigo! Acorde! Não percebes o desenfreado movimento humano ao teu redor?! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Na verdade, se recorro ao desabafo, é que estou farto, empanturrado de coisas dentro de mim, clamando por se livrarem da minha companhia, mas que eu não as liberto. Não, não vou falar do desapego da vida cotidiana, das relações pós-modernas de afetividade. Eu já desisti dessa choradeira. Mas, da minha dissertação mesmo! Ao lado desse computador, mais de cinqüenta páginas de citações, divididas em capítulos. Vários esqueletos esperando pelo preenchimento de suas formas. Há uma semana tento começar a escrever. Escuto o conselho dos amigos: “Escreva, mesmo que fique ruim, depois você conserta.” Tá, vou tentar. Mas, fica sempre muito ruim. Acostumei-me a tal ponto em fichar os textos que não consigo desenvolver o pensamento. É frase e ponto.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;“O surgimento da cidade na História aparece junto com a necessidade de proteção. Uma defesa contra as forças da natureza, contra grupos de inimigos, uma resposta à necessidade de sobrevivência. Para viver em conjunto, o homem antigo teve que criar regras de convivência e de organização militar. Dentro de uma escala macro, a cidade era sua casa...” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Assim, sem conseguir fazer direito, estou diante da necessidade primordial de produzir, perseguido pelo tempo que sempre é mais veloz que nossa vontade, aprisionado pelo sentimento de fraqueza perante o desejo, resta-me continuar a tentar, procurar. Ainda são 23:27. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6900081269255461579?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6900081269255461579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6900081269255461579&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6900081269255461579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6900081269255461579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/08/pro-curar.html' title='Pro Curar'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1054371918532823427</id><published>2010-08-01T23:16:00.004-03:00</published><updated>2010-08-02T10:09:07.392-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trechos de Livros'/><title type='text'>Carta de Proudhon a Marx</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TFYvy990GGI/AAAAAAAAAUY/QFC_MKX_8PM/s1600/proudhon.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 237px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TFYvy990GGI/AAAAAAAAAUY/QFC_MKX_8PM/s320/proudhon.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500636547553433698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marx lera o livro de Proudhon, &lt;i&gt;O que é Propriedade?&lt;/i&gt;, e ficara entusiasmado com a vitalidade das palavras do socialista utópico. Resolvera convidá-lo para participar de uma reunião que visava juntar pensadores socialistas de todos os recantos. Proudhon recebe o convite e envia uma resposta para Marx. Diz o francês na carta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Colaboremos, sim, na tentativa de descobrir as leis da sociedade, a maneira como elas atuam, o melhor método de investigá-las; mas, pelo amor de Deus, depois de demolirmos todos os dogmatismos &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt;, evitemos a todo custo a tentativa de instalar outro tipo de doutrina no povo; não caiamos na contradição de seu compatriota, Martinho Lutero, que, após derrubar a teologia católica, imediatamente dedicou-se à empresa de estabelecer uma teologia protestante, com um grande arsenal de excomunhões e anátemas. Há três séculos que a Alemanha vem se ocupando exclusivamente da tarefa como essa à humanidade. Aplaudo com entusiasmo sua idéia de trazer à luz toda a variedade de opiniões; façamos uma polêmica boa e sincera, mostremos ao mundo um exemplo de tolerância esclarecida e clarividente; mas não nos coloquemos, simplesmente por estarmos à testa de um movimento, na posição de líderes de uma nova intolerância; não nos arvoremos em apóstolos de uma nova religião - ainda que seja esta a religião da lógica, da própria razão. Saibamos receber, saibamos estimular todos os protestos; condenemos todas as exclusões, todos os misticismos; jamais consideremos uma questão encerrada, e, mesmo após esgotarmos nossos últimos argumentos, comecemos de novo, se necessário, com eloqüência e ironia. Com esta condição, terei muito prazer em participar de sua associação - caso contrário, não."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa carta se encontra no livro de Edmund Wilson, Rumo a Estação Finlândia, e infelizmente não tenho a data precisa, mas foi próximo da Revolução de 1848. Após esta resposta, Marx passou a atacar tudo o que Proudhon escrevia e revisou os elogios que fizera anteriormente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1054371918532823427?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1054371918532823427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1054371918532823427&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1054371918532823427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1054371918532823427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/08/carta-de-proudhon-marx.html' title='Carta de Proudhon a Marx'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TFYvy990GGI/AAAAAAAAAUY/QFC_MKX_8PM/s72-c/proudhon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-92359230574633656</id><published>2010-07-26T19:38:00.003-03:00</published><updated>2010-07-26T19:49:54.177-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A Rússia de Dostoiévski *</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;*Artigo escrito por mim, Odomiro Fonseca, para uma disciplina do mestrado no início de 2009. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;Homem do seu tempo, Dostoievski não fugiu do embate político com seus adversários contemporâneos naquilo que mais o importava, o destino que a Rússia designaria no papel de guiar a Humanidade. Enquanto toda a Europa desavergonhadamente subestimava aquela nação saída da barbárie, que carregava orgulhosamente os ideais que os países da Europa ocidental enxotavam como o tsarismo, a ortodoxia, o nacionalismo, o anti-liberalismo, Dostoievski ia se abastecer de todo este arsenal reacionário para disparar em suas obras seu ódio à cultura européia, à religião romana e à modernidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;st1:personname productid="em O Di￡rio" st="on"&gt;Em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O  Diário&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt; de um Escritor&lt;/i&gt;, Dostoievski vai relatar, quase jornalisticamente, sua percepção sobre uma Rússia que se expandia contraditoriamente, ora para a sua face ocidental, ora para sua face asiática. No &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Diário&lt;/i&gt;, Dostoievski parece querer esmiuçar toda sua filosofia e psicologia a respeito de sua religiosidade e cravar na terra suas idéias que vacilaram durante a juventude. Tendo sua própria vida como testemunha, Dostoievski vai afirmar que a salvação do homem e o sentido para a própria vida se encontram na crença inabalável na existência do espírito e na fé do evangelho. Assim como aconteceu consigo próprio, o homem deveria passar por uma transformação, passando de pecador a homem salvo pela graça. Essa transformação seria nacional e internacional. A Rússia haveria de se transformar e retomar sua tradição religiosa ortodoxa e servir de espelho convexo para toda a Europa, e posteriormente, todo o mundo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;O &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Diário de um Escritor&lt;/i&gt; foi escrito enquanto Dostoievski colhia fontes para o seu derradeiro romance, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Os Irmãos Karamazov&lt;/i&gt;, terminado semanas antes de sua morte. Nesse último romance, Dostoievski vai lapidar seus personagens na tentativa de atribuir um sentido para a Rússia e para a humanidade, sendo o jovem Alexei Karamazov, o exemplo a ser seguido, e o starets Zóssima, seu filósofo da nova era. Alexei, esse homem novo, transformado, brando, capaz de amar e de profunda religiosidade, será o personagem que restará desta teodicéia/antropodicéia em que os répteis se devoram mutuamente. Nas páginas do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Diário&lt;/i&gt;, Dostoievski, mais político do que nunca, vai lançar seu grito de ódio à cultura européia, vai defender a tradição russa iniciada com Pushkin e expressará abertamente sua visão reacionária de abarcar o mundo nos braços da igreja ortodoxa. Vejamos o que diz no discurso em homenagem a Pushkin:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left:71.25pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left:71.25pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style=" line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;“Qual o significado para nós da reforma de Pedro, O Grande? Constituiu somente em introduzir entre nós os costumes europeus, a ciência e as invenções? Reflitamos um pouco a respeito. Talvez Pedro, O Grande, o empreendesse, a princípio, somente com um fito inteiramente utilitário; mais tarde, porém, obedeceu com toda certeza a misterioso sentimento que o arrastava a preparar à Rússia imenso futuro. O próprio povo russo somente viu nele, a princípio, o progresso material utilitário, mas não tardou em compreender que o esforço que o obrigavam a compreender devia conduzi-lo mais longe e mais alto. Elevemo-nos para logo à concepção da universal unificação humana. De fato: o destino do russo é pan-europeu e universal. Chegar a ser russo verdadeiro signifique tão-somente ser irmão de todos os homens, homem universal, se assim posso me exprimir. A divisão entre eslavófilos e ocidentais nada mais é do que o resultado de gigantesco mal-entendido. O russo verdadeiro interessa-se tanto pelo destino da Europa, pelo destino de toda a grande raça ariana como pelo da Rússia. Quem quiser aprofundar a história da Rússia, desde Pedro, O Grande, verá que isso não é simples sonho meu. Ficará comprovado o nosso desejo, o desejo de todos, de união com todas as raças européias no caráter de nossas relações com elas, no caráter de nossa política de Estado. O que tem feito a Rússia durante dois séculos senão servir mais à Europa do que a si mesma? E tal não se poderia atribuir a ignorância dos nossos políticos. Os povos da Europa ignoram até que ponto os amamos. Todos os russos do futuro verão que mostrar-se verdadeiramente russo se importa em procurar um terreno de conciliação para todas as contradições européias; e a alma russa o proporcionará, a alma russa universalmente unificadora que pode englobar no mesmo amor todos os povos, nossos irmão e pronunciar, afinal, as palavras das quais resultará a união de todos os homens segundo o evangelho de Cristo. Sei perfeitamente que minhas palavras podem parecer eivadas de exagero e fantasia. Seja; mas não me arrependo de tê-las pronunciado. Tinha de pronunciá-las, sobretudo no momento em que honramos o nosso grande gênio russo, o que soube salientar da melhor maneira a idéia que as ditou.”&lt;a style="mso-footnote-id:ftn1" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character:footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:-5.15pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;Quando Dostoievski fala em abarcar “toda a grande raça ariana” não o diz com o significado preconceituoso que viria a rotular o pensamento fascista, até porque o próprio homenageado do discurso, Pushkin, era descendente de africano (Etíope) e não era, portanto, ariano. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:-5.15pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:-5.15pt;text-align:justify;text-indent: 35.4pt;line-height:150%"&gt;A raiz do pensamento do Dostoievski amadurecido está alicerçada profundamente no pensamento religioso e na crença da imortalidade da alma, sem a qual seria simplesmente impossível tolerar a vida e sustentar o amor à Humanidade. Dois dos mais interessantes personagens de Dostoievski: Ippolit, de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O Idiota&lt;/i&gt;; e Kirilov, de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Os Demônios&lt;/i&gt;, vão justificar o suicídio, porque “o homem é o senhor do próprio destino.”&lt;a style="mso-footnote-id:ftn2" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character:footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language: PT-BR;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Dostoievski cria o suicídio lógico, onde o homem se torna Deus e assume o controle do seu futuro. Esses &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;demônios&lt;/i&gt; revolucionários seriam os comandantes de uma nova era: “quando a noite caísse sobre a Rússia e a terra chorasse por seus antigos deuses.”:&lt;a style="mso-footnote-id:ftn3" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character:footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language: PT-BR;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:-2.45pt;margin-bottom: 0cm;margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;“&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style=" line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;Em resumo: está claro que sem crenças, o suicídio se torna lógico e até inevitável para o homem que apenas se elevou acima das sensações da besta. Ao contrário, a idéia da imortalidade, prometendo a vida eterna, sujeita o homem mais fortemente à Terra. Nisto parece existir contradição. Se, distinta da vida terrestre, temos outra celeste, para que fazer muito caso desta aqui embaixo? Mas é somente pela fé na imortalidade que o homem se inicia no fim razoável da vida sobre a Terra. Sem a convicção na imortalidade da alma, o vínculo do homem em relação ao planeta diminui, e a perda do sentido supremo da vida conduz incontestavelmente ao suicídio. E se a crença na imortalidade da alma é tão necessária à vida humana é por ser o estado normal da Humanidade, provando que a imortalidade existe. Em uma palavra: esta crença é a própria vida e a primeira fonte de verdade e de consciência geral para a Humanidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:-2.45pt;margin-bottom: 0cm;margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style=" line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;Eis o objetivo do meu artigo, eis a conclusão a que desejava que cada um chegasse quando o escrevi.”&lt;a style="mso-footnote-id:ftn4" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn4" name="_ftnref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character:footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:-5.15pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right:-5.15pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;A metamorfose do homem pecador em homem salvo pelas palavras do Cristo é um conceito muito presente na obra de Dostoievski, onde o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Diário de um Escritor&lt;/i&gt; e &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Os Irmãos Karamazov &lt;/i&gt;parecem se completar, onde o primeiro é a explicação da obra de arte que vem &lt;st1:personname productid="em seguida. As" st="on"&gt;em  seguida. As&lt;/st1:personname&gt; resignações de Dimitri Karamazov, e de Raskolnikov também, constituem a mudança de uma nação, que substituirá a paixão pelo jogo, pelo álcool e pela libertinagem, por uma nova vida numa terra distante, a Sibéria, onde a terra será lavrada pelas lágrimas arrependidas e consoladas pela fé conquistada e inabalada. O &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Homem Ridículo&lt;/i&gt; também se encontra no &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Diário&lt;/i&gt; e também passa pelo batizado da fé e pela crença repentina, que acontece num momento de alucinação, num sonho ou numa crise epiléptica. Na sociedade russa, e também nas grandes cidades de todo o mundo, o paradoxo do desejo humano pela compreensão de alguma verdade produz os antagonismos sociais, onde aos querem tudo é dado o crime e aos que nada querem, é dado o suicídio. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:.4pt;margin-bottom:0cm; margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10.0pt;"&gt;“E, não obstante, todos os homens, desde o sábio até o último dos malfeitores, todos querem o mesmo, procurando-o por meios diferentes... Mas não posso equivocar-me demasiado, porque vi a Verdade, sei que todos os homens podem ser belos e felizes sem deixarem de viver sobre a Terra. (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:.4pt;margin-bottom:0cm; margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10.0pt;"&gt;Amai-vos uns aos outros, nada mais. Não seria preciso fazer mais; todo o mundo é capaz de compreender.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:.4pt;margin-bottom:0cm; margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10.0pt;"&gt;Trata-se de verdade antiga, repetida milhões e milhões de vezes, e que, entretanto, não criou raízes em lugar nenhum. É necessário continuar a repeti-la.”&lt;a style="mso-footnote-id:ftn5" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn5" name="_ftnref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language: PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;A fé verdadeira, para Dostoievski, passava distante da Santa Sé romana, onde a figura do papa é retratada como sendo o “satanás de tiara”(ZWEIG, 1935: 142-143), e onde o conto de Ivan Karamazov conhecido como &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O Grande Inquisidor&lt;/i&gt; vai romper definitivamente qualquer ligação de sua fé ortodoxa com a fé romana, quando o inquisidor nonagenário diz ao Cristo: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:-2.45pt;margin-bottom: 0cm;margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;text-indent: -14.25pt;line-height:150%"&gt;“&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;Nós não estamos contigo, mas com o &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;outro, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;desde oito séculos. Há exatamente oito séculos nós aceitamos dele, o que Tu rejeitaste com indignação: o último dom que ele Te ofereceu, mostrando-Te todos os reinos da Terra; nós aceitamos dele Roma e a espada de César, nos declaramos reis terrestres.”&lt;a style="mso-footnote-id:ftn6" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn6" name="_ftnref6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character:footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:-2.45pt;margin-bottom: 0cm;margin-left:71.25pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;text-indent: -14.25pt;line-height:150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;Dostoievski ajoelhava-se perante os ícones da Igreja Ortodoxa e murmurava as rezas redigidas em língua eslava arcaica. Assim como Alioscha Karamazov representava o novo homem russo, missionário, o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;starets&lt;/i&gt; Zóssima era o filósofo do Terceiro Reinado, que pregava a libertação da escravidão do amor-próprio através do amor ao próximo. Ambos os personagens viviam no humilde convento da despercebida cidade de Skotoprigonevsk (Staraya Russa), nos confins da &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;velha&lt;/i&gt; Rússia, onde as tradições e os personagens típicos afloravam suas individualidades. Deste cenário rural e atrasado deveria emanar para a humanidade uma nova visão de mundo, uma missão: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:54.25pt;margin-bottom: 0cm;margin-left:57.0pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style=" line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;“Nossa missão - e os russos começam a ter consciência disto – é grande entre as grandes missões. Deve ser universalmente humana. Deve consagrar-se ao serviço da Humanidade, não só da Rússia, não só do mundo eslavo, do paneslavismo, mas ao serviço da Humanidade inteira. Meditem e convirão em que os eslavófilos assim o reconheceram. Daí nos exortarem a que nos mostremos mais francamente russos, mais escrupulosamente russos, mais conscientes de nossa responsabilidade de russos; visto compreenderem que precisamente a missão característica da Rússia consiste na adoção dos interesses intelectuais de toda a humanidade.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:54.25pt;margin-bottom: 0cm;margin-left:57.0pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height: 150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style=" line-height:150%;font-size:10.0pt;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn7" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftn7" name="_ftnref7" title=""&gt;[7]&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"&gt;O conjunto da obra de Dostoievski não é afetado pelo seu furor religioso nem pelas suas concepções políticas reacionárias. Muitos pensadores subseqüentes, como Nietzsche e Freud, entre tantos outros, declararam a importância deste escritor para a literatura universal e para as ciências humanas, inclusive. Suas declarações são importantes relatos de um homem que viveu e sonhou transformar a realidade de seu país através do que acreditara ser o melhor, verdadeiramente, para seu povo. Dostoievski foi o missionário de uma Rússia que não existe mais, de um sonho ridículo. Espero ter conseguido mostrar como o mito religioso, na última década de sua vida, encontra-se perpetrado em sua literatura, sua relação política face à postura que a literatura russa deveria seguir nos embates com os adversários ocidentalistas. Seus personagens, em suas solidões e acessos de cólera, representam mais do que o simples discurso de si, mas ecoam uma voz nacional, um grito solitário que encontra guarita na universalidade da dor, do desespero e da esperança&lt;/span&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote-list"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;    &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn1" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (DOSTOIEVSKI, 1967: P. 223-224)&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn2" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (NOGUEIRA, 1974: 37)&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn3" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (NOGUEIRA, 1974: 39-41)&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn4"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn4" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref4" name="_ftn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;(DOSTOIEVSKI, 1967 P. 165)&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn5"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn5" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref5" name="_ftn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;(DOSTOIEVSKI, 1967: 193-194)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn6"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn6" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref6" name="_ftn6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;(NOGUEIRA, 1974: 125)&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="mso-element:footnote" id="ftn7"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="mso-footnote-id:ftn7" href="file:///E:/backup%20area%20de%20trabalho/mestrado%20-%20trabalhos/Trabalho%20de%20Anco%20M%C3%A1rcio.doc#_ftnref7" name="_ftn7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;(DOSTOIEVSKI, 1967: P. 103)&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-92359230574633656?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/92359230574633656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=92359230574633656&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/92359230574633656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/92359230574633656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/07/russia-de-dostoievski.html' title='A Rússia de Dostoiévski *'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-8215175814918113753</id><published>2010-07-19T15:49:00.004-03:00</published><updated>2010-07-19T16:47:29.990-03:00</updated><title type='text'>Num Lugar Distante</title><content type='html'>Hoje resolvi fazer minha primeira tradução do russo para o português. Trata-se da composição do multi-instrumentista armeno Mikael Tariverdiev. Chama-se "Где-то далеко", ou seja, "Num lugar distante". Deixarei ao final o link com o vídeo e a música para que possam baixar. Ela é interpretada por um dos maiores cantores soviéticos, o senhor Yossif Kobzon. Espero que gostem, é um letra inspiradora. Em russo, possui uma combinação de letra e melodia perfeita. Vou traduzir sem ter que rimar. Espero que gostem. Passei uma hora fazendo essa tradução com o dicionário!&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: normal; font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;"Где-то далеко"                    "Num Lugar Distante"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Я прошу: хоть ненадолго,           Eu pergunto: mesmo que rapidamente,   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Грусть моя, ты покинь меня,       Minha tristeza, me abandonas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Облаком, сизым облаком            Nuvem, cinzenta nuvem &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ты полети к родному дому,         Dispersa-te pra outra casa,   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Отсюда к родному дому.            Daqui pra outra casa.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Берег мой, покажись вдали,       Orla minha, mostra a distância, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Краешком, тонкой линией,          Linha fina, bordejante &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Берег мой, берег ласковый,        Orla minha, orla querida   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ах до тебя, родной, доплыть бы,   Ah, pra ti, querida, nadam, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Доплыть бы хотя б когда-нибудь.   Nadam embora sem chegar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; Где-то далеко, где-то далеко         Num lugar distante, num lugar distante &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Идут грибные дожди.                    Vai chover cogumelos.    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Прямо у реки в маленьком саду   Perto do rio num pequeno jardim &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Созрели вишни, наклонясь до земли.    Cereja madura caindo no chão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Где-то далеко в памяти моей         Num lugar distante dentro das minhas lembranças    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Сейчас, как в детстве тепло,          Agora, como na aconchegante infância,       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Хоть память укрыта такими большими снегами.  Mesmo que as lembranças estejam cobertas de forte nevasca.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ты гроза, напои меня,               Ó tempestade, dá-me de beber, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Допьяна, да не до смерти.        Embriaga-me até próximo de morrer.         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Вот опять, как в последний раз,    Cá estou, pela última vez, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Я все гляжу куда-то в небо,         A observar um ponto distante no céu, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  white-space: pre-wrap; font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Как будто ищу ответа...               Como quem busca uma resposta...  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: medium; white-space: pre-wrap; "&gt;Я прошу: хоть ненадолго,          Eu pergunto: mesmo que rapidamente, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: medium; white-space: pre-wrap; "&gt;Грусть моя, ты покинь меня,       Minha tristeza, me abandonas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: medium; white-space: pre-wrap; "&gt;Облаком, сизым облаком           Nuvem, cinzenta nuvem &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: medium; white-space: pre-wrap; "&gt;Ты полети к родному дому,          Dispersa-te pra outra casa,   &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: medium; white-space: pre-wrap; "&gt;Отсюда к родному дому.            Daqui pra outra casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" white-space: pre-wrap;font-size:13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" white-space: pre-wrap;font-size:13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" white-space: pre-wrap;font-size:13px;"&gt;video no youtube: &lt;span class="Apple-style-span"   style="  white-space: normal; font-family:Georgia, serif;font-size:16px;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7RsF1Jq94aM"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=7RsF1Jq94aM&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;link para baixar a música: &lt;span class="Apple-style-span"   style="  white-space: pre; font-family:Tahoma;font-size:11px;"&gt;http://www.4shared.com/audio/RzEouOla/02-_-__-__.htm&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-8215175814918113753?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/8215175814918113753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=8215175814918113753&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8215175814918113753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8215175814918113753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/07/hoje-resolvi-fazer-minha-primeira.html' title='Num Lugar Distante'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2256550222286525867</id><published>2010-07-13T09:28:00.001-03:00</published><updated>2010-07-13T09:39:23.208-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Uzyna Uzona</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;Existe dia comum? Eu acho que existe. São aqueles dias em que tudo é planejado: o horário do trabalho, as horas de estudo, o economizar da existência e tantas centenas de possibilidades. Mas, entre os dias comuns, existem dias que fogem um pouco da normalidade: o pneu do carro que fura indo pro trabalho, uma poesia que te joga pra fora da concentração antiga, uma horinha de happy-hour no cotidiano e mais outras tantas probabilidades. Há ainda aquele dia extraordinário, em que tudo fugiu ao controle: um foda-se ao trabalho, o entorpecimento completo pela arte ou o envenenamento dos deuses modernos. Quem foi assistir os quatro dias de encenação das Dionisíacas no matadouro de Peixinhos, certamente não dirá que qualquer uma daquelas noites foi um dia normal em sua vida. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;O Teatro Oficina Uzyna Uzona, capitaneado por Zé Celso Martinez, baixou na cidade de Olinda, no Nascedouro (antigo Matadouro Municipal) de Peixinhos e embriagou o público com seu teatro surrealista, erótico e histórico (definições minhas, não sei se os críticos de teatro classificam desta forma...). Sim, histórico! Nos três dias em que freqüentei o espetáculo (não fui na quarta), tive a oportunidade de mergulhar na história do teatro brasileiro na peça sobre Cacilda Becker. A linguagem do teatro não é a mesma do historiador. É uma linguagem destinada à máxima expansão (ao menos no teatro de Zé Celso). A peça de Cacilda havia me chocado, nunca tinha visto nada parecido, nem na duração da peça que foi acabar às duas horas da madrugada, tendo começado às sete da noite. A atriz-principal comandando uma energia de movimentos &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;tresloucados, corpos que se jogam sobre os abismos de nossas idéias. Voltei pra casa cansado, mas certo que no outro dia não haveria de ficar em casa por hipótese alguma. Era o dia das Bacantes de Eurípedes. Um texto de quase três mil anos. O tempo, por si só, já não é fascinante? Levei vinho e outros propulsores de consciência para assistir o espetáculo. Um misto de medo e desejo. Os atores, vez por outra, arrancam pessoas da platéia e inserem no ritual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;“Ele não sabe que o seu dia é hoje. Ele não sabe que o seu dia é hoje. Ele não sabe que o seu dia é hoje. Ele não sabe que o seu dia é hoje...” Repetindo esta frase, ao som de uma percursão alucinante, os atores armaram a cena para o ritual de sangramento do touro. Eu vi. Eu vi três touros sangrarem até a morte. E eles lutaram pela sobrevivência! Na batalha contra os homens e suas armadilhas, a natureza rendeu-se e o sangue fora derramado para o oferecimento aos deuses mais profanos. E quem disse que não estávamos num matadouro público?! As paredes pesadas, azulejos antigos, sangue, choque, nudez e morte. O matadouro de Peixinhos nunca mais será o mesmo. A comunidade compareceu, entre moleques baderneiros que estavam pra ver os corpos nus, haviam os que nunca mais seriam os mesmos. Dona Rosa, uma senhora de cabelos brancos e corpo de beleza bizarra, passou a integrar o espetáculo desde o momento em que sua nudez foi revelada, gerando uma euforia em todos os moradores de Peixinhos. Talvez, secretamente, desejassem aquela nudez para si. Despir-se de toda a censura corporal, num gesto de liberdade acima de tudo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Peço desculpa por não saber o nome das atrizes. Mas, o corpo em sua liberdade revela mais que o erotismo animal. Em vida, poderei ver corpos femininos tão fascinantes como os de Cacilda e da Pombagira teuto-japonesa? Um sentimento de singeleza e agressividade. Se punham a tremer ardorosamente, para depois revelarem um tímido sorriso quando fora de cena se encontravam... Eu peço que vivam! E que sejam eternos os vossos corpos! A carne foi celebrada. E justo num matadouro!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Diálogos perdidos, visão enegrecida, embriaguez, frases assimiladas, beleza, feiúra, torpeza, sublimidade. Desde sábado queria encontrar algo pra dizer. Pensei em deixar a poeira sentar. Gostaria de ser frio como uma lâmina cabralina. Mas, cá estou, a sentir falta do soco de liberdade, da porrada surrealista. A noite solitária num bairro de subúrbio, silenciosa. A ausência da orgia. Deparo-me com as minhas obrigações mais cacetes, como dizia Graciliano. Bye bye, Brazil! O circo quando passa, arrasta as almas sonhadoras. Nessa noite, desejo sair pelo Brasil atrás desta companhia infernal. Abraçar-me com Pombagira num gozo diabólico e nunca mais voltar à vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2256550222286525867?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2256550222286525867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2256550222286525867&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2256550222286525867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2256550222286525867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/07/uzyna-uzona.html' title='Uzyna Uzona'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-9045563558840727714</id><published>2010-07-08T10:31:00.005-03:00</published><updated>2010-07-08T10:56:11.527-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Ednardo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TDXYX41z6DI/AAAAAAAAATw/6Z0F6WJTjl8/s1600/disco7.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 281px; height: 285px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TDXYX41z6DI/AAAAAAAAATw/6Z0F6WJTjl8/s320/disco7.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491533225554864178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ano de 2006, assisti um dos shows mais marcantes da minha vida, nesses 29 anos de existência. À época, tinha 25 anos, e Belchior cantava: "Tenho 25 anos de sonhos, de sangue e de América do Sul..." Entre uma canção e outra, o cearense Belchior, lembrando o velho Vinícius de Moraes, dava e pedia a benção aos grandes mestres da música nordestina e brasileira. Entre os artistas que ele citava, ele dizia: "Minha gente, escutem Ednardo. A juventude não conhece Ednardo!" E aquele nome que já tinha escutado noutras ocasiões, ficou na minha cabeça. Baixei um disco e nunca escutei. Ficou perdido numa das quatro pastas de música que tenho no meu computador. Há cerca de um ano e meio, resolvi escutar o tal disco de Ednardo, depois de tanto ouvir os pedidos de Belchior. E nessa manhã em que escrevo, amanheci ouvindo as trovas de Belchior e lembrei-me que nunca dediquei uma postagem sequer ao imenso talento de Ednardo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse disco que divido com vocês, chama-se &lt;i&gt;O Romance do Pavão Mysteriozo&lt;/i&gt; (1974). A mais famosa das canções, título do disco, foi gravada por Ney Matograsso. Mas, esse disco é de uma riqueza, de uma brasilidade incomum. Tem músicas de frevo, rock e cantoria. Atabaques e oboés dividem o mesmo espaço em harmonia. A bela voz de Ednardo, aliado às suas composições cheias de ricos significados, preenchem completamente o ambiente. Escuto esse disco há um ano e meio e, tenho certeza, estou muito longe de enjoar. Pra quem conhece, essa minha resenha é inútil. Mas, pra quem nunca se permitiu, taí uma boa oportunidade. Ednardo é cearense e começou a carreira musical junto com Belchior e Amelinha, num projeto chamado &lt;i&gt;Pessoal do Ceará&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre tento compartilhar com os amigos as músicas que gosto. Culpa desse meu espírito de DJ (o espírito de Portanov ainda ronda). É isso, não quero ficar enchendo linguiça. Espero que Ednardo não fique chateado por eu estar colocando suas músicas pra outras pessoas sem que ele ganhe nada com isso. Portanto, se vocês gostarem da música, comprem o CD. E Ednardo, faça um showzinho aqui por Pernambuco!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CD de Ednardo, &lt;i&gt;O Romance do Pavão Mysteriozo&lt;/i&gt; (1974): &lt;a href="http://www.4shared.com/file/9pLW9pw7/Ednardo_-_O_Romance_Do_Pavo_My.htm"&gt;http://www.4shared.com/file/9pLW9pw7/Ednardo_-_O_Romance_Do_Pavo_My.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-9045563558840727714?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/9045563558840727714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=9045563558840727714&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/9045563558840727714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/9045563558840727714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/07/ednardo.html' title='Ednardo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TDXYX41z6DI/AAAAAAAAATw/6Z0F6WJTjl8/s72-c/disco7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6075267010692180461</id><published>2010-07-06T02:07:00.002-03:00</published><updated>2010-07-06T08:10:21.554-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Fronteiras</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Nesses tempos de Copa do Mundo (calma, sei que ninguém agüenta mais falar sobre isso!), é comum grupos de amigos se reunirem e debaterem sobre os países envolvidos na competição. Fazemos escolhas por determinada seleção e, de repente, parece que a Eslováquia ou Gana estão tão próximos de nós. Questionado se torceria pela Alemanha ou a Argentina, declarei-me torcedor da seleção européia, e alguns amigos questionaram que eu não tinha espírito latino-americano. Pois bem, não tenho mesmo! Como morador do Recife, sinto-me mais próximo da cultura africana e ibérica do que dos países do Cone sul. Além do mais, a convivência com outros sulamericanos é acidental. A pessoa mais próxima que tive/tenho contato é o colombiano Castro, uma figura de uma riqueza de personalidade incomum. No mais, se não fosse por Jorge Luís Borges e Julio Cortázar, a Argentina seria tão distante quanto a Mongólia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Com o advento da era pós-moderna, as fronteiras caíram e as peculiaridades tendem a se tornar cada vez mais homogêneas. O cidadão de qualquer metrópole há de se entender, desde que encontre uma língua em comum, nos trâmites culturais com seu interlocutor. E não digo isso apenas em relação a outros países. Recentemente, em visita ao Vale do Piancó, na Paraíba, terra de meus ancestrais, tive a oportunidade de verificar a modernização do cotidiano de uma pequena cidade como Boa Ventura, que consta seus quase dez mil habitantes. Quando era criança e visitava a cidade dos meus pais, era levado para a missa com a melhor roupa, normalmente uma camisa de linho abotoada até o pescoço que me deixava num fricote aperreado. Depois, ia brincar na praça da cidade, onde muita gente se sentava pra assistir o Jornal Nacional na televisão pública. A trilha sonora desses momentos era o forró, que à época nem se chamava pé-de-serra, pois não havia o forró eletrônico naquele vale. Não quero parecer excessivamente romântico, mas hoje, bem ou mal, a missa é freqüentada por uma população senil que olha com desaprovação a indiferença dos jovens que passam o dia nos bares ouvindo em suas camionetas com sons explodindo pra todo lado, músicas que falam de raparigas, cachaça e carros potentes. A televisão pública é dispensável, pois todos têm televisão em casa com antenas parabólicas. Quem sou eu para julgar se estão certos ou errados, se não vivo a realidade deles? Mas, a distância cultural entre um jovem de 25 anos de Boa Ventura e de Recife foi reduzida imensamente, havendo ganhos e perdas nessa constatação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Sinto vontade de afirmar àqueles que esperam alianças com o vizinho apenas pela proximidade de nossas residências, que essas fronteiras me são indiferentes. Há uma nova terra fronteiriça que eriça de minha pele, que escapa aos muros e cercas, mas que constitui o verdadeiro terreno de minha existência (e sei não apenas minha). Um mundo que se apinha e se choca entre a tradição e a modernidade, entre o Engenho do Meio e o planeta, entre o apego e a vivência num mundo de eternas mudanças. Entre o ideal e o real, existe ainda um abrigo seguro para poucas almas, o mundo das artes eternas, onde as fronteiras não levantam as barricadas, a morte não encontra o tempo e o homem sobrepuja a nacionalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6075267010692180461?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6075267010692180461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6075267010692180461&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6075267010692180461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6075267010692180461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/07/fronteiras.html' title='Fronteiras'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-6045318390152143979</id><published>2010-07-01T19:49:00.003-03:00</published><updated>2010-07-06T08:09:49.433-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Odomirosidades'/><title type='text'>Semana Braba</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Hoje completa uma semana que uma seqüência de fatos tem me tirado o juízo. “Esse azar sobre você como uma nuvem que não chove.” Na última quinta dirigia-me para a Ilha de Itamaracá intencionando divertir-me com uma rapaziada que alugou uma bela casa na praia de Enseada dos Golfinhos. Tudo perfeito, carro cheio: ventilador, colchonete, roupas de banho, amig@s. Mas, quando passava por Igarassu, meu fusquinha Jesus resolveu me abandonar. Na realidade, sou o culpado de tudo, pois esqueci de colocar óleo no motor. Tudo bem, já tenho me penitenciado todas as horas por essa idiotice. Resta-me esperar um milagre e que Jesus não tenha batido o motor. Ainda preciso fazer o reboque de Igarassu até a casa do mecânico Zezinho, homem de confiança de toda minha família há uns trinta anos. Ele me deu uma esperança que talvez resolva. Mas, falta-me a grana pra rebocar o abençoado do Fusca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Não satisfeito com esse imbróglio em quatro rodas, minha cadela Lilica faleceu após quase 12 anos de convivência conosco. Uma morte triste e lenta. Tão lenta que tivemos que acelerar pra evitar o sofrimento da nossa amiga. Acredito que ela estava com algum câncer, porque muito rapidamente a pobre cadela definhou. Em cerca de três meses, ela tornou-se muito magra, quase que só com os ossos. Já não escutava nosso chamado, teimava com qualquer coisa. Ela nunca foi uma cadela obediente. Desde a primeira semana em que chegou aqui em casa no ano de 1999, mordia todo mundo com seus dois meses de vida. Minha mãe decretou que ela deveria voltar pra casa dos donos. Levamos, mas na primeira noite, sentimos falta dos seus dentes em nossos calcanhares. Fomos buscá-la no outro dia. Ela fazia companhia a todos. Entendia a linguagem dos homens. Quando a gente dizia a palavra “banho”, ela se emburacava embaixo de alguma cama e mordia quem se aproximasse. Eu fui vítima de suas mordidas umas boas cinco vezes.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Lilica era uma vira-lata muito bonita. Seu pai era um russkie siberiano e sua mãe uma doberman. Sua vida de exclusividade canica ficou ameaçada com a chegada de Bianca, uma pitbull que hoje tem quase quatro anos. Ao contrário do que se possa imaginar a maioria das pessoas pela propaganda negativa que a televisão faz contra essa pobre raça canina, ela é mansa. Sempre foi criada solta, brinca com minha sobrinha de dois anos e é extremamente obediente, muito mais do que a recém-falecida Lilica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Ontem, Lilica amanheceu muito debilitada. Não conseguia se levantar. Minha mãe colocou um pires com leite. Ela bebeu e vomitou. Seus olhos sempre tão espertos, estavam longe, pouco se mexiam. Sua respiração era lenta. Chovia e ela não saia da garoa. Uma situação de cortar qualquer coração. Resolvemos que seria melhor sacrificar a pobre cadela. Fui chamar a veterinária. Ela disse que chegaria em meia hora na nossa casa. Minha irmã começou a chorar. Minha mãe disse que ia embora pra não ver. Eu fiquei olhando pra ela. Deitada no chão. Ela não tinha consciência que aquela era sua última meia hora de vida. Independente da “vontade superior”, nós estávamos delimitando sua vida e sua morte. Aquilo me constrangia deveras. Pensava que poderia ligar pra doutora e cancelar aquele ato fúnebre de caridade. Talvez ela se recuperasse e voltasse a engordar e ter alegria. Trancamos a pitbull no quintal pra que ela não presenciasse o óbito de sua amiga cotidiana. A doutora chegou. Muito educada, tratou de me explicar como seria todo o processo. Reconheceu Lilica. Disse: “Ah, eu me lembro dela lá no consultório!” Lilica nunca teve problema de saúde, era um vira-lata legítimo! Deve ter ido com minha irmã tomar banho e cortar o pêlo. A doutora pegou na sua pata, ela deixou sem resistência. Aplicou a injeção com anestésico. Ela soltou um grito uivado. Levantou a cabeça. Parecia que estava percebendo o que estávamos fazendo. Que estávamos tirando sua vida. Olhava penosamente para mim, à medida que ia descansando sua cabeça no chão, revirou o corpo pela última vez. Naquela manhã, era a primeira vez que a via mudar de posição. A doutora aplicou a segunda injeção com o veneno. Ela tentou esboçar uma reação. Esticou-se, abriu o focinho e esticou a língua, urinou-se deitada no chão. Seus olhos foram ficando cada vez mais distantes. Naquele momento, pensei nos dias em que estivemos juntos. Nas madrugadas em que eu abria a porta do meu apartamento, sentava-me na escada e ficava a olhar para o céu. Contava-os aviões que chegavam. Enquanto um voava sobre minha casa, outro já se avistava no horizonte, pequenino, como uma estrela cintilante que se aproxima. E Lilica ficava ao meu lado, sentada, certamente a pensar no universo que compõe seu mundo canino. Agora, ela se estirava pela última vez, naquele chão molhado de manhã chuvosa, garoa triste que acompanhou seu passamento. Já não respirava nem esboçava sinal de vida. Morreu com os olhos abertos, olhando pra longe. O que se passava em seu pequenino cérebro naqueles vinte segundos em que acompanhou sua despedida da vida. Via sua vida se esvaindo e ficando apenas aquele físico preto, os olhos abertos. Minha irmã gritava de tanto chorar. O homem da carroça pegou-a e colocou no saco. Prometeu-nos que iria enterrá-la. Pagamos ao homem e a doutora. Ficou um espaço a menos em casa. Normalmente, a vida de um animal tem menos valor do que a de um ser humano. Aliás, que valor o resto da natureza tem para nós?! Saí pra passear com a outra cadela, Bianca, que até agora está triste e chorona. Na minha cabeça, tomei a melhor atitude em poupar seu sofrimento, mas desde ontem, a luta da cadela, mesmo naquelas condições fragilizadas, pela vida me comoveu. Ela parecia querer sugar um resto de alguma coisa que talvez só ela soubesse que existia. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Passei todo o dia de ontem numa tristeza medonha. Pra completar, esse computador em que escrevo, não satisfeito com os problemas que me assolam, resolveu parar de funcionar. Meu amigo Juca (quem precisa consertar computador ligue para 81-8785 9785) esteve aqui, mas me avisou que meu HD está querendo morrer (dessa vez não vou sacrificá-lo). Preciso de um novo, de fazer logo um backup deste. Foda! Mais um problema. Enquanto escrevo essa postagem, meu computador já desligou sozinho uma vez. Só me falta essa! Já não me bastasse os débitos de dinheiro emprestado que pego com amigos, meu carro lá em Igarassu necessitando de reboque, a falta de dinheiro pra recarregar o celular, a internet atrasada onde fico suplicando aos funcionários do provedor que esperem mais uma semana, e minha bolsa que sairá semana que vem, findará tão breve o dinheiro caia na minha mão. A dissertação... prefiro nem comentar! Estou com centenas de anotações e citações, mas que não consigo ter a mesma desenvoltura que tenho pra escrever essa postagem, onde as palavras vomitam espontaneamente. Sempre coloco um imenso peso na primeira fase, de maneira que ela ainda não saiu. Enfim, estou prestes a enviar meu ceticismo para as cucuias e ir num terreiro forte pra tirar essa urucubaca. Por hoje é só. Espero que em breve possa aparecer por aqui com notícias mais consoladoras e um mínimo de instabilidade. Durante muito tempo, estive a procura de uma namorada, achando que a estabilidade amorosa me faria bem. Mas, calejado como estou, o melhor é ficar sozinho, deixando para a aleatoriedade da vida, os prazeres momentâneos. Nada de eterno! Adeus!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-6045318390152143979?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/6045318390152143979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=6045318390152143979&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6045318390152143979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/6045318390152143979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/07/semana-braba.html' title='Semana Braba'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-8896501230199326911</id><published>2010-06-28T22:32:00.004-03:00</published><updated>2010-06-28T22:56:11.946-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esportes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Do the Evolution</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TClNib6TvmI/AAAAAAAAATI/TnrlGvwZwio/s1600/do+the.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TClNib6TvmI/AAAAAAAAATI/TnrlGvwZwio/s320/do+the.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488002874930871906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Assim como a maioria dos brasileiros e boa parte da população mundial, tenho acompanhado com fervor os jogos da Copa do Mundo 2010. Uma competição que começou fria, com jogos parados, times pouco ofensivos e uma culpada pela baixa qualidade técnica, a pobre coitada da bola Jabulani. Terminou a primeira fase e amanhã se realizará a última partida das oitavas de final entre Portugal e Espanha. Na hora da onça beber água, as grandes seleções mostraram suas garras: Brasil, Alemanha, Holanda e Argentina seguem favoritas. A França que entrou pela porta dos fundos com a ajuda da arbitragem e a Itália que ganhou a última Copa com um futebol pouco acima do regular, estão ausentes da disputa pelo título. Mas, o que mais me chamou a atenção nessa Copa foi a discussão sobre os erros de arbitragem.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;No mesmo dia, um domingão de Copa com dois jogos entusiasmantes, o mundo constatou, perplexo, como é frágil a justiça também dentro das quatro linhas. A televisão com suas milhares de câmeras não deixa escapar absolutamente nada, desde os 33 centímetros que a bola entrou no gol não marcado da Inglaterra, como a mastigada de catota do técnico da Alemanha. Enquanto assistia o jogo com amigos em Itamaracá, surgiu a discussão se a televisão deveria interferir na decisão do árbitro ou não. E aí, gols históricos como “a mão de Deus” de Maradona em 1986, o “gol” da Inglaterra na final da Copa de 1966, não seriam mais validados. Em compensação, a justiça se aproximaria cada vez mais do ideal de perfeição futebolística, onde o melhor deveria vencer.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Será que foi a justiça que fez o futebol se tornar o esporte mais popular do mundo num intervalo de 150 anos? Na minha opinião, o erro faz parte do espetáculo. Se um médico soubesse que uma cirurgia terminaria no óbito do paciente, pensaria duas vezes em executá-la, assim também, o ladrão que amaldiçoa sua infeliz idéia de ter saído para assaltar sabendo do risco de cair na vigilância total da prisão. O erro intencional é o mais perigoso, a meu ver. A mão de Henry que colocou a França na Copa tem cheiro de dinheiro, de mutreta, de acordo comercial. Ora, a França é um mercado bem mais interessante que a Irlanda! Juízes comprados teriam suas vidas dificultadas pela intervenção da televisão. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" line-height: 18px;font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;A grande fascinação do futebol é que ele é o único esporte em que um time A ataca 30 vezes e um time B ataca apenas uma vez e pode sair vencedor. Ele é imprevisível, assim como quem será o vencedor do confronto entre Argentina e Alemanha. O futebol é amado porque é fatalista, injusto, cheio de “campeões morais”, enquanto faz a fama dos doces malandros e desonestos. Romário, Garrincha, Maradona, Stoichkov, nunca foram exemplos de seres humanos galhardos, mas ali dentro, foram os grandes mestres. É jogo, é coisa do diabo, de gente enganadora, que esconde a bola embaixo dos pés. O futebol é maldito. Em sua imperfeição, nós o amaremos até o fatídico dia em que ele for falível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:medium;"&gt;Porém, o futebol caminha para o mesmo caminho que o Homem: o da adaptação tecnológica. O impedimento de 3 centímetros, o pênalti que só a câmera que se sustenta na marquise do estádio pode flagrar, o escanteio que resvalou na orelha de um zagueiro... nada escapará aos vigilantes olhares dos sedentos de justiça, dos vingadores. Quem garante que o mesmo chip colocado dentro da bola pra delimitar o gol, não pode dar uma desviada no trajeto da bola pra beneficiar o país-sede, por exemplo? A desconfiança continuará.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-8896501230199326911?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/8896501230199326911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=8896501230199326911&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8896501230199326911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/8896501230199326911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/06/its-evolution-baby.html' title='Do the Evolution'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TClNib6TvmI/AAAAAAAAATI/TnrlGvwZwio/s72-c/do+the.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-793886771586014442</id><published>2010-06-13T12:02:00.003-03:00</published><updated>2010-06-13T20:11:58.910-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Cena 01. Andrei:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Na infância eu havia adoecido. Montanhas de medo na minha memória. Recordo-me de um frescor. E caminho, caminho... ora me vejo sentado na escadaria, ora caminhando em delírio. De repente sinto calor, desabotôo o colarinho... Eis que soam as trombetas, uma luz se move... minha mãe está lá, pairando sobre a rua e acena com as mãos. E já se vai voando! E agora eu a vejo em sonho toda de branco. Na infância eu havia adoecido... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Cena 02. Domenico:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Qual ancestral fala atrás de mim? Eu não posso viver ao mesmo tempo com a minha cabeça e o meu corpo. Por isso não consigo ser uma só pessoa. Sou capaz de sentir infinitas coisas ao mesmo tempo. O grande mal de nosso tempo é não haver mais grandes mestres. A estrada de nosso coração está repleta de sombras. Devemos ouvir as vozes que parecem inúteis e que no cérebro cheio de coisas aprendidas na escola, no asfalto e na prática assistencial, e com o zumbido dos insetos que entram na minha orelha. Precisamos encher os olhos e as orelhas daquelas coisas que existem no início de um grande sonho. Todos devem gritar que construiremos uma pirâmide, não importa se não a construirmos! O que importa é alimentar os desejos, temos que tirar&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;a alma de todas as partes, como se fosse um lençol que cobre o infinito. Para o mundo ir em frente, devemos dar as mãos, misturar os assim chamados sãos, com os que são chamados doentes. E vocês sãos, o que significa a saúde? Todos os olhos do mundo vêem o precipício em que estamos caindo. A liberdade é inútil, se não tem coragem de olhar com os olhos da face, e de comer conosco, e de beber conosco, e de dormir conosco. Os assim chamados sãos,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;foram os que conduziram o mundo a catástrofe. Homem, escute! Em você, água, fogo e depois cinzas. E os ossos dentro das cinzas. Os ossos e as cinzas! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Cena 03. Domenico: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;_ Onde estão quando não estão na realidade e nem na imaginação? Faço um novo pacto com o mundo: que haja sol à noite, e que neve em agosto. As coisas grandes acabam, só as coisas pequenas ficarão. A sociedade deve se unir novamente, e não continuar fragmentada. Vamos observar a natureza, pois a vida é simples, devemos voltar ao começo, ao ponto onde pegaram o caminho errado. Devemos voltar as bases principais da vida, sem sujar a água. Que raio de mundo é esse, se um louco lhe diz que devo envergonhar-me! Música agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;_ Música! Música!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;_Tinha me esquecido disto. Oh, mãe! Oh, mãe! O ar é aquela coisa rápida que gira em torno da cabeça, e se torna mais clara quando você ri. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;(Domenico ateia gasolina sobre o corpo)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;_ A música não está funcionando. Ajudem-me!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;(Corpo em chamas. Nona sinfonia de Beethoven. Allegro Assai)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-793886771586014442?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/793886771586014442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=793886771586014442&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/793886771586014442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/793886771586014442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/06/nostalgia.html' title='Nostalgia'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-890045706620553951</id><published>2010-06-11T02:42:00.005-03:00</published><updated>2010-06-29T08:37:28.764-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia?'/><title type='text'>Insídia Divina</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Bordejando o rebentar das ondas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;um casal perdido na praia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Em seus braços, a decepção mortal,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;uma estátua de Deusa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;O belo sexo, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;marmóreo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;oração da perfeição,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;semblante da serenidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;No seu olhar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;recôndita saudade dos fugidios amantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Em busca de uma teogonia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;atormentado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;clama aos céus, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;clama ao sol:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;detêm-te!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR;mso-bidi-language: AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Mas, só a beleza é infinita.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-890045706620553951?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/890045706620553951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=890045706620553951&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/890045706620553951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/890045706620553951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/06/por-do-sol.html' title='Insídia Divina'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-9090333548147170381</id><published>2010-06-04T13:55:00.003-03:00</published><updated>2010-06-04T14:09:24.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trechos de Livros'/><title type='text'>O Demônio</title><content type='html'>"Quando não me era ainda insossa&lt;div&gt;cada impressão da vida outrora&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- rumor de bosque, olhar de moça,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;canção de rouxinol na aurora - &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e quando a liberdade, o amor,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a glória, as artes, o melhor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;da inspiração e altas idéias&lt;/div&gt;&lt;div&gt;turvavam-me o sangue nas veias,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um certo espírito nefando,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;trazendo angústia e me anuviando&lt;/div&gt;&lt;div&gt;horas confiantes de prazer,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;passou, em sigilo, a me ver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O nosso encontro era sombrio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e ele sorria com o olhar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;cheio de escárnio ao me instilar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dentro da alma um veneno frio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois caluniava sem receio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e desafiava a Providência,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;julgava o Belo - um devaneio,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a Inspiração - tolice imensa,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o amor e a liberdade - vis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, olhando altivo, com profundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;desprezo, a vida, ele não quis&lt;/div&gt;&lt;div&gt;abençoar nada em todo o mundo."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aleksandr Sergueievitch Púshkin, poeta russo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tradução de Nelson Ascher e Boris Schnaiderman.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-9090333548147170381?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/9090333548147170381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=9090333548147170381&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/9090333548147170381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/9090333548147170381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/06/o-demonio.html' title='O Demônio'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-5713182822142372546</id><published>2010-06-03T21:41:00.002-03:00</published><updated>2010-06-04T13:52:44.301-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Musgo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No ano passado, para a vergonha do avô com quem morava, além do irmão, Alceu, Maria Aparecida fora mãe solteira. Dera a luz a uma menina, Nina, uma criança esperta de um ano e oito meses. O avô, um homem de mais de oitenta anos que se locomovia tão vagarosamente quanto uma tartaruga velha devido à artrose, cansava de aconselhar a neta para que não engravidasse muito jovem, de um pai qualquer, assim como sua mãe, Antônia, que falecera havia quatro anos por conta de uma infecção hospitalar no Hospital Getúlio Vargas. O velho usava seu próprio exemplo, tinha sido pai já com mais de trinta anos: “Tenham paciência, arranjem um emprego antes de ter menino.” Mas, Cida não ouvia seus conselhos e foi mãe com um pai qualquer. O velho passara algumas semanas sem falar com Cida durante a gravidez, mas à medida que a barriga crescia, seu coração amolecia. Coisas de gente velha, que não tem tempo pra guardar rancor. O velho, os dois netos e uma criança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eles moravam no Beco da Periquita, um logradouro no bairro da Várzea, constituído de pequenas casas dispostas muito próximas umas das outras. Uma rua estreita onde só passa moto e bicicleta. Na verdade, a “rua” é formada por placas velhas de concreto, onde segue, por baixo, um canal com água de esgoto, adicionados ao curso de um antigo riacho. Uma água meio verde, lodosa, pegajosa, que de vez em quando desfere um cheiro fétido para as residências. Como as placas são muito antigas, entre as rachaduras e falhas no concreto, os moradores observam aquele movimento quase silencioso das águas lodosas carregando lentamente o lixo das casas, algum pequeno animal morto ou a espuma branca dos shampoos e dos detergentes que saem das casas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar das dificuldades de se viver nesse ambiente, estava sendo um dia animado no Beco da Periquita. Nos últimos dias, tinha chovido bastante, até o riacho tinha ficado mais barulhento. Porém hoje, o sol deu o ar da graça. As crianças corriam de um lado de um pro outro, umas, à pé, outras, de bicicleta. Na frente das casas, senhoras corpulentas conversam sobre os mais variados assuntos, desde o aumento do preço do pão às fofocas e rixas entre vizinhos que vivem tão perto, dividindo suas realidades. No dia que Cida ficou grávida, a discussão com seu avô e seu irmão foi tão acalorada que todo o Beco descobriu que a moça estava barriguda. No dia seguinte pela manhã, enquanto ia comprar o pão, uma vizinha mais assanhada perguntou com uma risadinha cínica: “E aí, Cida, qual vai ser o nome do bebê?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cida trabalha de manicure e pedicure. Atende na residência dos clientes. Fica sonhando em abrir um salão na Avenida Polidoro. Já até conversou com sua amiga, Shallyene, que é cabeleireira, pra montarem um negócio e garantirem seu sustento. Mas, é preciso dinheiro pra começar e ela não consegue nem juntar com tanta despesa que tem com a criança. Seu irmão, Alceu, conseguiu convencer a tartaruga velha a tirar 79 reais da sua aposentadoria de 515 reais, para pagar uma moto num consórcio. Nesse último mês, a moto de Alceu saíra. Dizia para o avô que quando tivesse uma moto arranjaria um emprego mais facilmente. Agora, ele passa o dia na entrada do Beco, mostrando sua moto para as mocinhas que pedem para dar uma voltinha. De emprego, até agora, só apareceu uma proposta: seu melhor amigo, Fábio, convidou-o para fazer um assalto numa farmácia lá no Engenho do Meio. Uma parada rápida, não tem nem segurança, nem câmera. Alceu pensou nisso todos os dias, mas não teve coragem. Fábio acabou arranjando outro comparsa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às nove horas, Cida saiu para fazer as unhas de uma cliente em Camaragibe e deixara a criança sob os cuidados de Alceu e do avô. O rapaz pegou sua moto e foi brincar com a menina na garupa. Ele sabia que a sobrinha fazia sucesso com as garotas que passavam. Vrum! Vrum! E Nina desatava a rir! “Axeu, Axeu, vrum, vrum!” O velho saiu de casa com muito esforço pra ajudar Alceu a observar a menina. Estava olhando-a de longe, na porta de casa. “Bijô, Bijô!” A menina desceu da moto e partiu em direção ao “bijô”. Nina correu a todo vapor, trôpega, cambaiando no Beco. A casa ficava do lado direito do Beco e a menina, como um carro dasalinhado, quanto mais queria ir para a direita, mais se movia para a esquerda. Em seu olhar, via a imagem do bisavô, tremendo em sua saltitância. O que era o chão para Nina? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No concreto rachado, o espaço moldurado para o seu corpo. Alceu corre em direção ao buraco e abandona a moto no chão. A tartaruga velha se comprime dentro do casco, sem forças. O rapaz enfia a mão na água lodosa, tenta tatear o corpo macio, a água verde e cheia de musgo e fedor não o incomoda. Está atarantado. A gritaria toma conta do Beco. Traz uma marreta, Luiz, rápido! O rapaz tenta colocar as pernas dentro do buraco, procura aquele corpinho macio de criança e só encontra o líquido pegajoso. Levanta-se desesperado e tenta achar novas frestas na calçada. Em vão tenta arrancar com as mãos a placa de concreto. O homem da marreta chega. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Cida estava voltando pra casa. Mentira que iria atender uma cliente em Camaragibe, tinha ido ao Hospital Barão de Lucena. No ônibus pensava como iria dizer ao avô que estava grávida de novo de outro filho sem pai. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-5713182822142372546?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/5713182822142372546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=5713182822142372546&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5713182822142372546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/5713182822142372546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/06/musgo.html' title='Musgo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2772440009428403120</id><published>2010-05-31T00:45:00.006-03:00</published><updated>2010-05-31T01:18:27.822-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Солярис - Tarkovski</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TAMxh1tX8AI/AAAAAAAAASw/2HoQ08YufZI/s1600/solyaris.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 192px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TAMxh1tX8AI/AAAAAAAAASw/2HoQ08YufZI/s320/solyaris.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477276029235490818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Na biblioteca da Estação Solaris, que orbita no homônimo oceano espacial, estão reunidos os cientistas Snaut, Sartorius e Kris Kevin, além da “visitante” Hary.  Segue-se o diálogo com a entrada de Snaut na biblioteca:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Snaut: Já estão todos aqui?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Chegou uma hora e meia atrasado.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Snaut: O que está lendo? (para Kevin) Nada disso presta. Nada. E o... onde está? Eis isto aqui. Só vem à noite, mas precisamos de dormir. Esse é o problema: o homem perdeu a capacidade de dormir! Lê, estou um pouco excitado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Kevin: “Só sei uma coisa, senhor. Quando estou a dormir, desconheço o medo, as esperanças, os trabalhos e a beatitude. Agradeço a quem inventou o sono, esta única balança que iguala um pastor a um rei, um imbecil a um sábio. Mas também tem o seu lado negativo: parece-se muito com a morte.”&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Snaut completando a citação: “Nunca antes, Sancho, se pronunciou discurso tão gracioso.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Muito bem. Deixam-me falar ou não? Bebamos ao corajoso Snaut, pela sua fidelidade ao dever. À ciência e ao Snaut!&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Snaut: À ciência? Tolice! Na nossa situação, o gênio e a mediocridade seriam por igual impotentes. Dizemos que pretendemos conquistar o Cosmos. Na realidade, só queremos aproximar a Terra das fronteiras dele. Não nos importam outros mundos. Não precisamos de outros mundos. Queremos é um espelho. Procuramos um contato, mas nunca o encontraremos. Estamos na situação idiota de quem aspira um objetivo, que se esforça por uma meta que teme, e que não necessita. O homem precisa do homem! Bebamos ao Guibarian. À sua memória! Apesar de ter perdido o ânimo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Kevin: Não, Guibarian não perdeu o ânimo. Há coisas piores ainda. Morreu porque não via a saída. Não sabia que isto não acontecia apenas a ele... &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Meu Deus! Estas dilacerantes variações dostoievskianas são um absurdo! Não estará a exagerar? Eu sei porque estou nesse lugar: para trabalhar. O homem foi criado pela Natureza para a conhecer... O homem está cada vez mais perto da verdade. Está condenado a conhecê-la. Todo o resto é extravagância. Posso fazer uma pergunta? Por que veio a Solaris?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Kevin: Não entendi.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Bem, está a trabalhar muito? Nada vê além da sua ex-mulher. Nada mais parece importar-lhe. Passam dias deitadinhos na cama. É assim que pensa cumprir o seu dever? Tenho perdido o senso da realidade. Perdeu a noção da realidade. É um preguiçoso, nada mais.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TAMyeHgYHCI/AAAAAAAAATA/uxMciG86j_Q/s400/solaris1.jpg" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 173px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477277064804965410" /&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Snaut: Basta! Estamos bebendo pelo Guibarian.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Não, ao Homem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Kevin: Acha que o Guibarian não era Homem?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Snaut: Basta, Kris! Deixemos as discussões. É o meu aniversário, afinal de contas. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Hary: Pois é. O Kris parece mais conseqüente do que vocês dois. Continua a ser humano, apesar dessas condições desumanas. E vocês limitam-se a fazer de conta de que nada têm a ver com isto. Para vocês, as “visitas” são uma coisa estranha, irritante. Mas, as “visitas” são vocês próprios, são a vossa consciência. O Kris me ama. Aliás, é possível que não me ame, que apenas se queria defender de si próprio. Que queira que eu, viva, substitua... o probl&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;ema não é esse. As razões que levam o homem a amar não interessam. É diferente para cada um. O Kris nada tem a ver com isso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Vocês são... odeio-vos!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Queria pedir-lhe...&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Hary: Não me interrompa! Sou mulher, apesar de tudo!&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Sartorius: Não é mulher, nem humana. Tente compreender, se é capaz de compreender seja o que for. Hary não existe! Morreu! E você não passa de uma simples réplica dela. Uma repetição mecânica! Uma cópia! Uma imitação!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;color:black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Hary, chorando: Sim. Talvez. Mas eu... estou me tornando humana! Não sinto menos do que vocês. Acreditem. Já posso viver sem ele. Eu... estou a amar. Sou humana! Vocês... são muito cruéis.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2772440009428403120?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2772440009428403120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2772440009428403120&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2772440009428403120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2772440009428403120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/tarkovsky.html' title='Солярис - Tarkovski'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/TAMxh1tX8AI/AAAAAAAAASw/2HoQ08YufZI/s72-c/solyaris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-2058708115678686704</id><published>2010-05-24T22:56:00.001-03:00</published><updated>2011-05-30T14:27:10.828-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Um Superego Severo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;Antônio Bonfim é um rapaz recém concursado da nossa cidade. Durante a vida toda, sobreviveu de mesada curta, se preocupava mais com a matemática do que a aparência. Seus pais moravam em Campina Grande. Tinha vindo para Recife fazer faculdade de Engenharia da Computação. Antônio era um rapaz de vinte e cinco anos e tinha acabado de passar num concurso para técnico de computação do Ministério Público. Ele que até então, vivia com o baixíssimo ordenado enviado com muito suor pelos pais, se via diante da independência. O que para a maioria dos homens se tornaria uma fortuna do destino, para Antônio representava um ligeiro embaraço, ao primeiro olhar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;Antônio estava muito longe de ser um rapaz fascinante. Era de estatura mediana, quase pequena. Seu porte físico não era magro por completo, porém chamava a atenção o jeito arqueado que se punha a andar. Talvez fruto das madrugadas que ficava acordado fazendo exercícios matemáticos no tempo em que freqüentava a Escola Técnica. Seu peito, ao contrário do padrão estufado dos nossos dias, parecia comprimir-se ao centro, murcho. Seu cabelo castanho não tinha brilho. Seu rosto demonstrava um desdém absoluto com relação à estética da sedução. Ele nunca tinha posado para aquelas fotos de sites de relacionamento dando aqueles sorrisos altaneiros. Seu sorriso era sempre tímido, pra dentro. Quase nunca achava um motivo pra se alegrar. Como vivia com pouco dinheiro, passava o dia em casa, de frente pro computador, jogando, estudando. Certa vez, conhecera uma moça nos corredores do prédio onde morava. Um prédio antigo, com apartamentos de um ou dois quartos, de aluguel barato. Estranhava o movimento de homens entrando e saindo no apartamento vizinho. Antônio se deu conta que sua vizinha era garota de programa. Uma vez por mês visitava-a. No começo, tentou freqüentar festas no Recife Antigo, mas sentia-se tão deslocado e diferente dos padrões da moda que decidira que o pouco dinheiro que restava com o lazer usaria de forma mais direta. Passou a visitar a casa de Shakira uma vez por mês. Ia no dia que ela tinha menos clientes, pois podia ficar mais tempo. Às vezes numa segunda ou terça-feira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;Dia desses, o primeiro salário de Antônio saiu. Ele foi ao centro da cidade comprar roupas, pois há quase um ano não adquiria peças novas. Além do mais, trabalhando cinco vezes por semana, teria que ter mais roupas do que habitualmente. Passou na frente de uma loja com vários jovens comprando roupas da moda: calças com rasgões alinhados e costuras bem transadas. Camisas cheias de números coloridos e desenhos de gostos duvidosos que vão de dragões cuspindo fogo às imagens de deuses indianos. Ao reparar-lo na entrada da loja, a vendedora se aproximou, fitou-o dos pés à cabeça. Ele estava como habitualmente: com um tênis branco meio surrado, uma calça coronha azul escura e uma camisa pólo que pelo modo encurvado como andava deixava uma mossa de ar no centro do seu peito. A vendedora desfez a cara de espanto - mais uma moça bonita que não gostava de estudar - e perguntou: “Oi amigo, vamos entrar na moda!?” Antônio olhou rapidamente os manequins e partiu da loja tão depressa quanto pudera. Sabia que aquele tipo de loja com muitos jovens descolados não serveria pra ele. Então, resolveu ir numa dessas grandes lojas que vendem todo tipo de roupas e sapatos, de maneira que rapidamente poderia se livrar do tormento de estar em contato com a opinião dos vendedores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;Antônio comprou quatro tênis, todos brancos, quatro calças jeans azuis e várias camisas pólo. Como suas pernas eram finas, todas as calças ficavam com espaços nas pernas, caberiam duas canelas dele ali. Dirigiu-se à parada de ônibus e tomou o ônibus para o subúrbio. Morava na zona oeste da cidade, perto da Universidade, de maneira que assim economizava as passagens caminhando até o centro de estudos. O ônibus quase vazio. Sentou-se ao seu lado uma senhorita vigorosa, bem-apessoada, uma moça que chama a atenção por onde quer que passe. Era relativamente alta - para Antônio era imensa - tinha os cabelos lisos e longos, castanhos, os olhos meio verdes, meio cor de mel. Usava uma calça jeans que se completava com seu corpo cheio, volumoso, viril. Usava uma sandalinha daquele tipo Melissa e uma blusinha que salientava seu busto bem delineado. Onde quer que ela passasse chamaria a atenção. Antônio percebeu-a quando tomou a direção da porta do ônibus. Pensou consigo: “Nossa, essa poderia estar na capa de uma revista!” Ela pagou a passagem e sem olhar pra ninguém se encaminhou na direção de Antônio. Sentou-se ao seu lado e permaneceu em silêncio por um bom período. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;Antônio cheio de sacolas se espremia na cadeira para não incomodar a jovem dama. A moça ofereceu-se pra carregar uma ou duas sacolas. Quando ela começou a falar, Antônio percebeu que ela não era de Recife, seu sotaque era de alguma cidade do sul do Brasil. Antônio agradeceu e disse que podia carregar as sacolas sozinho. Antônio, decerto, não alimentava esperanças por aquela moça que deveria ser tão cobiçada. E sem o afã dos que tudo almejam, perguntou: “Você não é daqui também, né?” A moça disse que era de Curitiba. “_Ah!” E sem muito o que dizer, disse que era de Campina Grande. Também não ousou perguntar mais. A moça, para sua surpresa, puxou assunto: “E você estuda na Universidade também?” Antônio disse que estava terminando o curso de computação. Ficaram nessa conversa mole, até que resolveram se apresentar. Ela se chamava Ludmila Cesnauskas, curitibana, descendente de lituanos, estava fazendo mestrado em nutrição. Tudo aquilo soava tão excêntrico e fascinante. Mas, Antônio era feio e, ainda por cima, totalmente desalinhado. Desceram na mesma parada e se despediram. Ela morava no prédio vizinho ao dele. Antônio desviou logo o pensamento: “Ah, essas moças bonitas. Só me causariam problemas.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;Para sua imensa surpresa, no outro dia quando voltava do trabalho, o porteiro do prédio chamou-o e disse: “Antôim, uma bichona bonita, grandona, veio perguntar se tu morava aqui. Ludmila.” Disse que era uma amiga da faculdade. O coração do rapaz quase saltou pela boca. Subiu para o seu apartamento e ficou boa parte da noite a imaginar o que aquela mulher queria com ele. Conhecera-a no ônibus. Não sabia nem o que dizer. Antônio ficou tenso: “Que tipo de assunto vou falar com ela? Não entendo de cinema de arte, nem de mestres da pintura, nunca tive uma amiga mulher. Nunca tive amigos próximos!” Procurou sua vizinha, pediu para passar a noite lá. Era a única pessoa no mundo que o entendia. Pagaria pra ser o único cliente. Na casa dela, perfumada e colorida, sentia-se à vontade. Na cama, enquanto Shakira cochilava ao seu lado, começou a imaginar como seria a vida ao lado daquela deusa lituana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black"&gt;As imagens que surgiam, torturavam-no mais do que o agraciavam. Se ela gostasse de ir à praia, exibir seu belo corpo, todos os homens ficariam a admirar-la, os mais assanhados soltariam gracejos para o namorado ridículo que ela tinha. E em todos os lugares, não teria paz. Possuir aquela bela jóia significaria protegê-la, coisa que ele não se sentia capaz de fazer. E toda a maravilha que se aproximou de seus olhos, todo arco-íris de possibilidades se acinzentava ante a muralha de sociabilidade que se apresentaria. Não, justo ele que sempre gostava de ficar sozinho, no seu cantinho, sem ser perturbado por ninguém, como um hamster. Essa idéia de ser um hamster o agradava. Quando precisasse ser um homem, Shakira seria a mulher. Quando ela ficasse velha, arranjaria outra e não teria problemas. “Sim, eu irei enlouquecer com a lituana!” No outro dia, pela manhã, o porteiro foi avisado que se aquela moça perguntasse por ele mais uma vez, dissesse que ele não morava ali mais. Antônio chegou, pontualmente, no horário de trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-2058708115678686704?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/2058708115678686704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=2058708115678686704&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2058708115678686704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/2058708115678686704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/um-superego-severo.html' title='Um Superego Severo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1396244119315684091</id><published>2010-05-24T12:38:00.005-03:00</published><updated>2010-06-13T20:16:01.628-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trechos de Livros'/><title type='text'>Para:</title><content type='html'>Para ***&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Recordo o luminoso instante&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando eu, tomado de surpresa,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;te vi: súbita imagem, diante&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de mim, da essência da beleza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desenganado e triste, a sós&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no caos do mundo, ouvi durante&lt;/div&gt;&lt;div&gt;anos, em mim, a tua voz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vi, no meu sonho, teu semblante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passou o tempo; um vento atroz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;varreu meu sonho ao seu talante,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e não ouvi mais tua voz,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deixei de ver o teu semblante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha existência se esvaía&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no exílio inóspito e incolor,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sem vida, lágrimas, poesia,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sem divindade nem amor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reapareceste e nesse instante&lt;/div&gt;&lt;div&gt;minha alma despertou surpresa;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;revi, súbita imagem diante&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de mim, a essência da beleza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu peito, cheio de alegria,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bate de novo; há no interior&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dele outra vez vida, poesia,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;lágrimas, divindade, amor."  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alexandr Sergueievitch Púchkin, poeta russo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tradução de Bóris Schnaiderman e Nelson Ascher.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1396244119315684091?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1396244119315684091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1396244119315684091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1396244119315684091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1396244119315684091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/para.html' title='Para:'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-3290858460357908677</id><published>2010-05-19T05:35:00.003-03:00</published><updated>2010-05-19T17:06:51.269-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Mestre de Petersburgo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;São 04:25 da manhã. Acabo de terminar o romance O Mestre de Petersburgo de J. M. Coetzee. Li o romance em dois dias. Normalmente, não gosto que seja assim, prefiro saborear a leitura, vagarosamente. Olhando pela janela do ônibus, esqueço os transeuntes e me ponho a pensar nos passos que o personagem dará à noite, nas imagens que minha mente cria. Mas, desta vez, não pode ser assim. Tenho pouco tempo. Confesso que não ter tempo é proveitoso. A necessidade de agir, devorar, colher o maior número de informações, é a condição do momento. A dissertação bate na porta. Mas, não estou aqui pra falar de mim. Quero falar dele, o diabólico Dostoiévski.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Calma, os ossos do homem não estão a se debater por minha causa. Na verdade, Coetzee mostra um Dostoiévski que poucos críticos tiveram coragem de expor. Um homem que apenas dizia “sim”, que se deixava mergulhar na corrente do pecado, que não se opunha aos riscos e traições. A maioria dos críticos fala de Dostoiévski (Coetzee escreveu um romance!) como um excelso de luz, o psicólogo da literatura, defensor dos ideais ortodoxos, padroeiro da moral russa, na pior das hipóteses, um cristão atormentado. E ele realmente o-é, em certo sentido. Mas, por trás do escritor há o homem carnal. Esse homem erótico, incapaz de refrear o pecado, que freqüenta o submundo e possui os desejos mais adúlteros e ímpios. Dostoiévski abandonou a primeira mulher, moribunda, para viajar pela Europa com uma atriz sensual, freqüentava roletas e champanhes. Em sua juventude, participava de grupos clandestinos de socialistas utópicos que rebelavam, em discursos ufanistas, conta o Tsar. Extorquia sua segunda mulher, Ana Snitkina, para jogar. Ao ponto da bondosa mulher, empenhar o anel de casamento para que ele perdesse tudo de novo na roleta. Oh, fatalista! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Ao narrar a chegada de Dostoiévski em Petersburgo para velar o corpo de seu filho adotivo, “morto num suicídio”, Pável Isaev, Coetzee vai mergulhar na psicologia (criatura e criador) de Dostoiévski de maneira cruel, fantástica e realista. Quem era mesmo que dizia: “Eu acredito num realismo que tangencia o fantástico.”? Dostoiévski desembarca em Petersburgo com o nome falso do pai de Pavel Isaev. Nessa época, o escritor foragido em Dresden, estava devendo à metade da capital imperial. No seu enlutamento, atrai as pessoas para junto de si, como uma aranha, conduzindo-as para o seu nicho, o abismo das contradições. “Sou parte dessa força que eternamente aspira o bem, mas que constantemente produz o mal.” Não, Odomiro, Goethe diz o contrário! Dostoiévski não é o santo que aprendemos no catecismo. E nunca poderia ser! Joseph Frank, o biógrafo mais famoso, chega a supor no seu primeiro volume que as extorsões de dinheiro que fazia ao seu pai, à época da Escola de Engenharia Militar, eram fruto de noitadas em recintos onde havia prostituição e jogatina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;O ápice da idéia de Coetzee é o encontro entre o escritor e o anarquista Netcháiev, seu futuro Stavroguin. O diálogo entre esses camaleões que se escondem nos subúrbios de Petersburgo, com objetivos tão diferentes, é a cereja do bolo: “um réptil devora o outro”, dizia Ivan Karamazov. Assim, naturalmente, Dostoiéski se deixa levar pelo fulgor nada inocente de Netcháiev. Quem é o Mestre de Petersburgo? &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Netcháiev estimula o Judas no maduro escritor, mas ele tem o Cristo fortemente cravado em seu coração e não vai trocar de papéis como uma criança indefesa. Cristo e Dostoiévski: o desejo do escritor. Marias Madalenas, pobres trabalhadores insolentes e traidores. Algo em comum? Esse mergulho no submundo é a sua força, o atrito entre vetores discrepantes é a sua principal fonte, o alimento de sua existência. Atiça Deus para que saia de seu silêncio. Nisso se parece com Ivan Karamazov!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Só queria recomendar esse livro, O Mestre de Petersburgo, que é de um desnudamento arrebatador. Dizem que o sono organiza as idéias. O dia amanhece atrás de mim. É hora de me deitar. Deixarei tudo bagunçado, como num diário que ninguém mais vai ler. O tempo das coisas organizadas, revisadas, é para &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;a posteriori&lt;/i&gt;. Por enquanto, o caos, bem dostoievskiano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-3290858460357908677?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/3290858460357908677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=3290858460357908677&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3290858460357908677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/3290858460357908677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/o-mestre-de-petersburgo.html' title='O Mestre de Petersburgo'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-4965010129728063580</id><published>2010-05-12T00:09:00.006-03:00</published><updated>2010-05-24T23:16:50.322-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Зеркало</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-ofpc79ZiI/AAAAAAAAASY/Vej-8fiC_FI/s1600/Zerkalo.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 228px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-ofpc79ZiI/AAAAAAAAASY/Vej-8fiC_FI/s320/Zerkalo.gif" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470219494397666850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se os epitáfios fossem descritos na linguagem dos sonhos? Quem, ao olhar pra si, em sua ancestralidade, enxergaria mais do que uma sociabilidade anti-social? O Espelho pode revelar mais do que a imagem de nós mesmos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andrej Tarkovski transcende. Hoje, resolvi rever esse filme. Diante de uma obra de arte deveríamos nos calar, se acanhadas fossem as palavras. Susteria-se a lágrima, se insensível fosse o olhar. E perante o espelho, seria corpo, o que o pensamento tende a acentuar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Te esperei ontem toda a manhã,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eles sabiam que você não vinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, o tempo, sabe?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava uma maravilha!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas hoje, quando está aqui,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles fizeram um dia escuro,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com a chuva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E as gotas deslizam pelos ramos frios,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nada, nem as palavras, nem o lenço as paralisam..." Arsenii Tarkovski (pai de Andrej)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Espelho: &lt;a href="http://setimoprojetor.blogspot.com/2009/08/o-espelho-andrei-tarkovski-1975.html"&gt;http://setimoprojetor.blogspot.com/2009/08/o-espelho-andrei-tarkovski-1975.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-4965010129728063580?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/4965010129728063580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=4965010129728063580&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4965010129728063580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4965010129728063580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/blog-post.html' title='Зеркало'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-ofpc79ZiI/AAAAAAAAASY/Vej-8fiC_FI/s72-c/Zerkalo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-4538591457709542225</id><published>2010-05-09T18:45:00.004-03:00</published><updated>2010-05-12T08:45:54.758-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Vàli</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-cwxqddmDI/AAAAAAAAASQ/Bxk4KWAX5NU/s1600/V%C3%A1il01.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 285px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-cwxqddmDI/AAAAAAAAASQ/Bxk4KWAX5NU/s400/V%C3%A1il01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469393902234343474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vàli, este é o nome do violonista e guitarrista norueguês que gravou esta belíssima obra que desejo compartilhar com vocês. Vàli gravou este disco, Forlatt, em 2004. Infelizmente, não encontrei muitas informações sobre ele, nem no wikipedia em inglês! Ao que me consta, ele faz parte de um grupo de Doom e Black Metal chamado Skumring, muito atuante no universo sombrio do rock pesado nórdico. Mas, quem acha que em Vàli vai encontrar uma sonzeira de difícil absorção, está muito enganado. A música deste disco é suave e delicada, com um violão acústico que se sobressai perante os outros instrumentos: violão, cello, piano e flautas. Uma música gostosa para se ouvir num dia frio (a gente em Recife não sabe o que é isso!) ou chuvoso. Contemplando pela janela o movimento brando e compassado da natureza. A música deste disco é delicada e triste, chega a ser um tanto sombria. Acho que para quem mora num lugar frio como a Noruega, deve ser de aconchego incomparável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fica a sugestão. Aos amigos que gostam de Sigur Rós, Clint Mansell e Píffaro, acredito que vocês vão gostar, sim! Para quem gosta daquele metal mais harmônico, é um prato cheio e suculento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vàli: &lt;a href="http://www.4shared.com/account/file/SMWFTzyx/Vali_-_Forlatt__2004_.html"&gt;http://www.4shared.com/account/file/SMWFTzyx/Vali_-_Forlatt__2004_.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-4538591457709542225?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/4538591457709542225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=4538591457709542225&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4538591457709542225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/4538591457709542225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/vali.html' title='Vàli'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-cwxqddmDI/AAAAAAAAASQ/Bxk4KWAX5NU/s72-c/V%C3%A1il01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-1641093101206065689</id><published>2010-05-09T12:42:00.012-03:00</published><updated>2010-05-12T08:46:20.357-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esportes'/><title type='text'>A Copa do Mundo 2010</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-buKgkIkHI/AAAAAAAAARw/IbIsI-6EQVw/s1600/2010-world-cup-logo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 273px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-buKgkIkHI/AAAAAAAAARw/IbIsI-6EQVw/s320/2010-world-cup-logo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469320661795639410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que comecei a acompanhar as Copas do Mundo em 1990, na Itália, não perco a oportunidade de observar, de quatro em quatro anos, os embates entre as seleções de diversos continentes numa "guerra mundial" pela supremacia no futebol. O mundo todo está presente, 32 seleções de todos os continentes e apenas uma voltará pra casa com a taça pra oferecer ao seu povo. Porém, muito além da objetividade da conquista, no perpassar das copas, fica na lembrança o  esforço de alguns escretes que se superaram, ultrapassaram os limites técnicos e deixaram para História das Copas, o exemplo de bom futebol, de organização e vontade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me na Copa de 1990 da seleção da Irlanda, pela primeira vez disputando o torneio, e conseguiu chegar, na base da vontade, às quartas-de-final, perdendo para a anfitriã Itália num suadíssimo 1x0. Aquele time que contava com jogadores que ainda hoje me lembro bem, como o goleiro Pat Bonner (ídolo do Celtic da Escócia) e os atacantes grandalhões Toni Cascarino (de origem italiana&lt;/div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-bv7bA1WJI/AAAAAAAAASI/RmAuB5kQDoc/s320/79041422.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 320px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469322601630619794" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; e destaque do Liverpool) e John Aldridge. Em 1994, duas seleções encantaram os amantes do futebol: a Romênia de Gheorghe Hagi e a Bulgária de Hristo Stoichkov. Duas seleções do leste europeu, que jogavam pra frente, não temiam os poderosos de seus grupos: a Romênia eliminou a badalada Argentina de Batistuta e a Bulgária dispachou a Alemanha de Klinsmann. Ainda hoje, um dos gols mais lindos que já vi na vida, foi marcado pelo romeno Hagi contra a Colômbia, nesta Copa. Ele recebe a bola na lateral esquerda e manda um chutaço em direção ao gol. O pobre goleiro colombiano percebe a bola se aproximando e não consegue decidir-se se sai pra cortar o cruzamento ou se fica embaixo das traves pra defender o chute. Em sua indecisão observa a bola caindo vertiginosamente nas suas costas e morrendo no ângulo. A curva que a bola faz é de difícil explicação até para um físico experiente, creio eu. Em 1998, a Nigéria também chamava a atenção para o surpreendente futebol africano que, na realidade, desde 1990 com os Camarões liderados por Roger Mila, já mostravam que tinham potencial para evoluir, como de fato hoje, não são mais surpresas pra ninguém. Mas, a grande maravilha da Copa 1998, foi a estreante Croácia. Eu me lembro das discussões que tinha com meu primo Edson, também amante do futebol, e eu dizia que a Croácia ia ser a surpresa daquela Copa, e acertei em cheio. A seleção formada por craques habilidosíssimos como Prosinecki, Suker, Vlaovic, Boban, Asanovic... passeou pelos gramados franceses e só não chegou na final com o Brasil, por causa de dois gols bambos do lateral direito francês, Thuram, que era destro e fez dois dols de fora da área com o pé esquerdo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas seleções-surpresa são o que de mais bonito existe numa Copa do Mundo, esse torneio que consagra o espetáculo do bom futebol. Quantas seleções não chegaram super-favoritas e viram os prognósticos se dissolverem. Nessa Copa de 2010, o Brasil é o grande favorito, sim. E Dunga tem conseguido afastar as vaidades do time. Acredito que nosso escrete canarinho vá longe na disputa. O problema é que a Copa do Mundo tem o poder de evocar um poder sobrenatural que transforma times que estão desacreditados em heróis. As duas Copas que vi o Brasil ganhar, 1994 e 2002, a seleção deixou o território nacional sendo vaiada e esculachada pela população e imprensa, e voltaram com a taça. A Argentina viaja para a África do Sul sob esse clima de desconfiança. Maradona levando porrada de todos os lados. Mas ele, um herói nacional, sabe como poucos evocar essa força oculta que existe dentro das quatro linhas. Por isso, não descarto a Argentina como favorita. A Holanda e a Espanha também merecem ficar entre as favoritas. Especialmente, a Holanda! Essa seleção teve o melhor aproveitamento das eliminatórias européias e vem com um meio de campo de fazer inveja, com Van Bommel, Robben, Sneijder e Van Persie, tendo Kuyt no ataque. Se encaixarem bem, chegarão longe. Minha aposta para a surpresa do Copa vai ficar com uma seleção do leste europeu e outra africana. Vou dar-me o direito de dar dois chutes: primeiro, a seleção da Sérvia. O estilo de futebol dos Balcãs é muito parecido com o brasileiro: velocidade, dribles e muito ataque. A outra seleção é a Argélia. Esse time não tem nenhum craque que se destaque, exceto talvez o meia Ziani. Mas, os argelinos, se entrarem comendo a grama que nem fizeram contra os poderosos egípcios, vão chegar, quem sabe, até as quartas. Aliás, o Egipto vai fazer falta nessa Copa. Eles tem o melhor time das últimas décadas, mas foram eliminados pelos argelinos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Palpites dados, resumo da seguinte forma. Para o título, qualifico Brasil, Argentina ou Holanda. Para surpresa do Copa, reservo o título para a Sérvia e a Argélia. Para as decepções da Copa, as eternas "furonas", Espanha e Inglaterra. Ah, deixo de sobreaviso, belos jogos farão as seleções da Dinamarca e da Nigéria, mas não sei se chegarão muito longe. É isso, falar de futebol é sempre gostoso. Para mim, é um prazer. Em junho, dividirei meu tempo entre a dissertação e os jogos. Gosto de assistir todos os jogos, se possível. Acho bonito ver partidas entre povos de etnias diferentes, lutando por algo que mobiliza suas nações, mas que não traz em seu bojo, a tragédia da guerra ou da morte. São homens disputando através do esporte. Todo o globo de olho numa pequena bola. O macro e o micro. Uma partida entre México e Japão, Dinamarca e Gana, Argélia e Paraguai... pode nos revelar a riqueza de vivermos num mundo de tamanhas diferenças étnicas, mas de possível convivência. Até junho, meus amigos. E viva o futebol!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;gol de Hagi: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1GzGOm4Ohcg"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=1GzGOm4Ohcg&lt;/a&gt;  (narração em romeno)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8551183931851433185-1641093101206065689?l=ceusemfronteiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/feeds/1641093101206065689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8551183931851433185&amp;postID=1641093101206065689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1641093101206065689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8551183931851433185/posts/default/1641093101206065689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceusemfronteiras.blogspot.com/2010/05/copa-do-mundo-2010.html' title='A Copa do Mundo 2010'/><author><name>Dodô Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733008689729425955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-j40Zp48JFqA/TfBe7dPWQoI/AAAAAAAAAZk/m_C_Ef2hQ5Y/s220/100_2019.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-buKgkIkHI/AAAAAAAAARw/IbIsI-6EQVw/s72-c/2010-world-cup-logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8551183931851433185.post-593284231863380042</id><published>2010-05-06T22:48:00.009-03:00</published><updated>2010-05-12T08:46:50.043-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esportes'/><title type='text'>Bola Pra Frente</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-N8boWhvqI/AAAAAAAAARo/K3mgO2CHu9Q/s1600/nautico-ga.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 193px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_RSDhxMBMfi0/S-N8boWhvqI/AAAAAAAAARo/K3mgO2CHu9Q/s320/nautico-ga.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468351186688130722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O Náutico perdeu o Campeonato Pernambucano para o Sport, num resultado conjugado de 3x3, sendo que o rubro-negro da Ilha fez mais gols fora de casa. Como dito na postagem anterior, os dois times deixaram à vista suas deficiências técnicas expostas para seus torcedores. Não vou falar dos problemas do Sport, porque sua torcida sempre acredita que eles possuem um grande time e não adianta discutir. Mas, em relação ao meu Náutico, as deficiências nas laterais desde a primeira rodada do estadual, a falta de um meia habilidoso que faça o último passe para os finalizadores, esses últimos, o terceiro problema crônico do time, constituem os maiores entraves para a disputa de um título. Sendo assim, podemos diagnosticar que três setores não estão rendendo proveitosamente: laterais, meia de ligação e centroavante. O Campeonato Brasileiro da Série B já se inicia nesse sábado, contra o fortíssimo time do Coritiba. Quais as soluções coerentes para se organizar o clube pra essa competição visceral, que garante o acesso à elite do futebol nacional e às receitas menos humilhantes para o bom funcionamento do clube?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A maior conquista da longa história do Náutico é o hexacampeonato, conquistados entre 1963 e 1968. Ontem, o Sport alcançou o pentacampeonato e, pela terceira vez (Santa Cruz em 1974 e Sport em 2001), o maior orgulho da torcida alvirubra se vê ameaçado. Diante deste imperativo, a necessidade de agir é crucial. Mas, ação quer coincidir com estruturação, organização, ao invés de desespero e exaltação. Quem foi à Ilha do Retiro assistir ao jogo final do campeonato, saiu sem ter com quê reclamar, senão da sorte, que mais uma vez abandonou o escrete alvi-rubro no momento de decisão. Os jogadores demonstraram muita raça, vontade de vencer, toda a torcida percebeu e reconheceu. Esse tipo de atitude, se não se iguala ao sentimento jubiloso da vitória, ao menos, conforta o ego da torcida. Os jogadores foram até o seu limite, e é nessa parte que entra a atuação da diretoria de futebol: o limite técnico dos jogadores. Alguns demonstraram que tem condições de envergar a tradicional camisa listrada em vermelho e branco. Outros, apesar da superação, devem ir buscar a chance em outros clubes menores, ou mudar de profissão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/di
